PPI estável em julho acalma o mercado, mas o bitcoin segue morno
O PPI dos Estados Unidos ficou parado em julho, segundo o relatório oficial do governo americano.
O índice mede os preços que os produtores recebem por seus produtos, e a leitura veio abaixo do consenso do mercado, que esperava alta de 0,2% no mês. Em 12 meses, a alta acumulada desacelerou de 5,5% para 4,7%, também abaixo da projeção de 4,9%. O dado de junho foi revisado para cima, de queda de 0,3% para 0,1%, o que suaviza o quadro do período anterior.
A energia puxou a queda dos bens.
As cotações de energia caíram 3,1% no mês, e a gasolina despencou 5,7%, respondendo sozinha por mais da metade da queda do grupo. Os alimentos recuaram 0,9%, e os serviços avançaram 0,2%, com destaque para a gestão de portfólio, que subiu 6,5%. No conjunto, a alta dos serviços e o avanço de 2,2% da construção compensaram o tombo dos bens, que caiu 0,7%.
O alívio no atacado
No detalhe do número, no entanto, há um aviso.
Excluindo alimentos e energia, o núcleo do indicador subiu 0,2% no mês, abaixo do esperado, e em 12 meses a alta caiu de 4,7% para 4,2%. A medida preferida pelo Fed, que tira também os serviços de comércio, acelerou de 0,1% para 0,4% na comparação mensal. Além disso, parte dos números de hoje alimenta o índice de gastos pessoais, o PCE, e esses números subiram em julho, com destaque para os custos de saúde, o que pode deixar o relatório de consumo do fim do mês mais firme.
Para os juros, o saldo foi de alívio. O rendimento do título de dois anos caiu logo após a divulgação, e o de dez anos recuou para 4,66%, enquanto as bolsas de Nova York abriram em leve alta, puxadas pelo S&P 500, que subiu 0,26%, e pela Nasdaq, que avançou 0,54%. O resultado se soma ao CPI da véspera, que veio em linha com o esperado.
O mercado segue dividido sobre o que o Fed fará em setembro, entre manter os juros onde estão e elevar a taxa em 0,25 ponto. Cada relatório de preços funciona como termômetro dessa decisão, e o de hoje não muda a aposta dominante de manutenção.
Bitcoin espera o Fed
No entanto, o bitcoin não saiu do lugar. A moeda operava perto de US$ 63.539 no fim da tarde, com variação de 0,15% em 24 horas, segundo a CoinGecko, dentro da faixa apertada de US$ 63,3 mil a US$ 64 mil dos últimos dias. Nem o CPI favorável nem o PPI abaixo do consenso tiraram o ativo da letargia. A indiferença tem explicação, e ela mora no Fed.
Para o bitcoin, o que importa é o custo do dinheiro americano. O dado de hoje não muda a precificação do mercado, que segue apostando em juros estáveis em setembro, e sem mudança na taxa não há combustível novo para o ativo sair do intervalo.
A moderação no atacado tem limites claros. O núcleo que o Fed monitora ganhou tração, e o dado de consumo que sai no fim do mês deve herdar parte dessa firmeza. A desinflação convive com sinais que o banco central não pode ignorar, e é essa tensão que mantém o mercado esperando o próximo capítulo da inflação americana.
Enquanto o Fed não confirmar o rumo dos juros, o bitcoin deve continuar andando de lado. O intervalo de US$ 63 mil só deve se romper quando a reunião de setembro der ao mercado uma direção, e até lá a moeda segue refém dos dados.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.