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Wallets norte-coreanas moveram US$ 30 milhões pela Hyperliquid em agosto

Wallets ligadas ao Lazarus Group, o coletivo de hackers sancionado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos Estados Unidos, moveram mais de US$ 30 milhões por meio da Hyperliquid ao longo de agosto. A identificação veio de Emmett Gallic, pesquisador da plataforma de análise on-chain Arkham, que rastreou os fluxos até o dia 31 de agosto.

O mesmo cluster de endereços já estava sob vigilância. Em 2024, o investigador ZachXBT vinculou essas wallets a US$ 61 milhões em fundos roubados, em um trabalho que combinou análise on-chain com inteligência de ameaças para identificar os endereços usados pelo grupo norte-coreano.

O caminho dos fundos

Os endereços receberam Bitcoin, converteram o valor em Ethereum e Solana pela HyperUnit, serviço interno da Hyperliquid que permite a troca de ativos entre diferentes blockchains, e depois fizeram o bridging entre as redes Tron, Solana e Ethereum. A partir daí, os ativos chegaram a exchanges centralizadas. KuCoin, LBank e Kraken receberam parcelas dos valores, além de serviços não identificados baseados em Tron. Distribuir os fundos entre múltiplas plataformas é um método usado para dificultar o rastreamento do dinheiro e sacar os valores em moeda fiduciária.

A revelação pública veio pelo próprio Gallic na rede X. Ele afirmou que as wallets estavam movimentando recursos ativamente até a véspera da publicação e citou o trabalho de ZachXBT como base para atribuir os endereços ao Lazarus Group.

A negociação regulada

O momento chama atenção. Enquanto as wallets sancionadas operavam na Hyperliquid, a empresa negociava formalmente sua entrada no mercado americano. A Hyperliquid Labs conversava com a Payward, dona da Kraken, para oferecer parte de seus contratos perpétuos a traders americanos via Bitnomial, bolsa de derivativos com licenças do CFTC (Comissão de Negociação de Futuros e Commodities dos EUA). A Payward comprou a Bitnomial em 1º de maio de 2026, por até US$ 550 milhões em dinheiro e ações, assumindo o controle de corretora, bolsa e câmara de compensação.

O interesse americano ganhou tração política. Trump declarou que o chairman do CFTC, Michael Selig, atua para trazer a plataforma ao país dentro das regras locais.

O plano permitiria que investidores americanos acessassem uma seleção de perpétuos ligados a criptoativos da blockchain da Hyperliquid. A aprovação regulatória é necessária, e os termos financeiros não foram revelados. Payward e Hyperliquid Labs não comentaram.

A Hyperliquid segue inacessível para usuários americanos por meio de sua interface principal, que bloqueia o acesso de residentes e entidades dos Estados Unidos, mas o protocolo subjacente permanece sem permissão.

Os números de mercado são relevantes para entender o caso. O protocolo registrou US$ 6,19 bilhões em contratos perpétuos nas 24 horas anteriores ao dia 31 de agosto. Nos últimos 30 dias, o volume atingiu US$ 177,9 bilhões. O open interest, o valor total de posições em aberto, atingiu US$ 13,3 bilhões, montante que supera a soma dos nove maiores exchanges descentralizadas combinadas. O token HYPE era negociado a US$ 84,68 no fim de agosto, com capitalização de mercado de US$ 18,8 bilhões e volume diário de US$ 1,2 bilhão. A cotação do Bitcoin no mesmo período era de US$ 78,678.

A sobreposição entre atividade sancionada e esforços de regulação expõe uma tensão prática para o ecossistema crypto americano. A Hyperliquid busca se tornar a primeira grande exchange descentralizada a operar dentro do perímetro regulatório dos EUA, mas as mesmas rotas que atraem usuários institucionais também são exploradas por atores sancionados. O caso testa a capacidade de plataformas on-chain de bloquear endereços sancionados sem comprometer a natureza sem permissão de seus protocolos.

A CFTC, sob liderança de Selig, tenta estabelecer um framework para derivativos on-chain desde que o CLARITY Act começou a tramitar no Congresso. A proposta de “crypto asset market” permitiria que exchanges descentralizadas operassem sob regras específicas, mas a definição de quem seria o operador regulado em um protocolo sem intermediários centralizados permanece em aberto. A resposta do órgão ao caso Lazarus pode indicar como pretende lidar com esse conflito.

A investigação segue em andamento. Gallic indicou que os endereços permaneceram ativos até a data da publicação, e o rastreamento dos fundos nas exchanges de destino pode revelar o montante total lavado e os métodos usados para sacar os valores em moeda fiduciária. A resposta da Hyperliquid a esse episódio pode definir o parâmetro para outras exchanges descentralizadas que buscam entrada regulada nos Estados Unidos.

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