Bancos de US$ 1 tri mudam de lado e crypto vira negócio bancário
O verão americano registrou um movimento que a Bitwise, gestora de ETFs de bitcoin, define como histórico. Duas instituições financeiras com mais de US$ 1 trilhão sob gestão cada uma aprovaram a oferta de produtos de crypto aos clientes, em pleno mercado baixista, quando grandes casas costumam recuar. O executivo-chefe da gestora, Hunter Horsley, resumiu o clima em uma frase. Este ano todos passaram a trabalhar para o crypto.
A era do "long bitcoin, short the bankers" acabou, e o setor parou de tratar os bancos como inimigo.
Horsley lembrou que as duas casas aprovaram a entrada do crypto para os clientes sem que a Bitwise revelasse os nomes. A comparação que ele faz é direta. Em 2022, na queda anterior, nenhuma instituição desse tamanho abria esse tipo de acesso.
A conta da virada
Na Sygnum, o executivo Fabian Dori vê a mudança como estrutural, e não como um movimento de ciclo.
A virada, na leitura de Dori, vem de uma inversão de papel. Os bancos que hoje distribuem ativos digitais saíram da resistência para abraçar custódia, tokenização e trading regulado, e o que segura essa mudança é a procura dos clientes junto com regras mais claras.
Quem entrou primeiro
A linha do tempo dos participantes mostra que o movimento não começou agora.
A Swissquote oferece bitcoin desde 2017, o DBS entrou em 2020, o BBVA em 2021, e BNY Mellon, Nubank e LGT completaram a leva de 2022. St.Galler Kantonalbank e Santander entraram em 2023, o Zürcher Kantonalbank em 2024. Na sequência recente vieram Standard Chartered, Schwab, SoFi e Morgan Stanley.
A Schwab anunciou em abril o trading direto de bitcoin e ethereum para o varejo, e a Morgan Stanley estreou a oferta na E*Trade com preços abaixo dos concorrentes.
Nathan McCauley, que comanda a Anchorage Digital, diz que a lista de clientes do banco digital reflete a convergência das duas pontas. Grandes firmas preferem se associar a provedores especializados a construir infraestrutura própria, e a chegada de ativos do mundo real às blockchains aproxima os dois mundos.
Para McCauley, o destino é um só. A separação entre finanças tradicionais e finanças descentralizadas perde o sentido quando os dois mundos usam a mesma infraestrutura.
O que não mudou
O caráter do mercado continua o mesmo, alerta Dori. A entrada das instituições ergueu uma estrutura nova por cima de um pregão que ainda é guiado por narrativas, e essa camada não apagou a dinâmica original. O bitcoin segue perto de US$ 63 mil, quase 50% abaixo do recorde de outubro, segundo dados da CoinGecko.
A adoção bancária mudou quem opera o jogo, mas o preço segue definido pelo mesmo fluxo nervoso de sempre, agora com mais instituições do outro lado da mesa. A infraestrutura mudou de mãos, o ritmo do mercado não.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.