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Um fundo de Bitcoin com um único dia de resgate desde abril

A Morgan Stanley somou US$ 193,1 milhões em compras de Bitcoin no Morgan Stanley Bitcoin Trust ao longo de três sessões seguidas, segundo o rastreamento de carteiras divulgado no dia 24 de setembro. Na sessão de 23 de setembro, o MSBT atraiu US$ 32,4 milhões e nenhum outro fundo à vista do mercado americano recebeu dinheiro naquele dia. As reservas associadas ao fundo chegaram a 9.218 bitcoins, perto de US$ 776 milhões nos preços atuais.

A constância chama mais atenção que o volume. O levantamento da Arkham mostra 20 pregões seguidos sem uma única sessão de saída líquida, com compras em 11 deles e nenhuma venda, desde a estreia na bolsa de Nova York, no dia 8 de abril, a primeira vez que uma gestora ligada a um banco americano lançou um fundo com bitcoin à vista.

Desde o lançamento, houve um único dia de resgate. No dia 29 de maio, saíram US$ 5,26 milhões do fundo, e nenhuma outra sessão fechou no vermelho.

Morgan Stanley amplia presença no mercado de Bitcoin

O MSBT é administrado pela Morgan Stanley Investment Management e segue o CoinDesk Bitcoin Benchmark 4 PM New York Settlement Rate, referência calculada a partir do fluxo negociado nas principais corretoras de Bitcoin. A custódia dos ativos digitais ficou com a Coinbase e com o BNY, que também responde pela administração e pela contabilidade do fundo. A taxa de administração foi fixada em 0,14% ao ano, a menor do mercado americano no lançamento.

No primeiro mês, o fundo captou US$ 193,6 milhões sem nenhum dia de resgate e terminou o período com pouco mais de US$ 233 milhões em ativos. Em setembro, o patrimônio já havia passado de US$ 600 milhões, com o rastreamento indicando compras em quase todas as sessões.

Em 16 de setembro, as carteiras do fundo somavam 8.072 bitcoins, perto de US$ 614 milhões naquele momento. A marca veio no meio de uma semana de vendas pesadas no mercado.

Em setembro, a expansão ganhou velocidade. As movimentações na rede mostraram transferências recorrentes para endereços ligados ao fundo, quase todas com origem na Coinbase Prime, braço institucional da corretora. Em 23 de setembro, o MSBT recebeu 1.100 bitcoins em uma única transferência, o equivalente a US$ 93,89 milhões, a maior entrada desde o início das operações. Duas semanas antes, o acumulado do mês já passava de 640 bitcoins.

O dinheiro volta aos ETFs de Bitcoin

A recuperação dos fundos americanos de Bitcoin veio no mesmo período. Entre 17 e 22 de setembro, quatro sessões seguidas de captação somaram US$ 2,31 bilhões, com o dia 21 registrando o maior fluxo diário do ano. O patrimônio somado da categoria voltou a superar US$ 100 bilhões, depois de marcar US$ 99,6 bilhões em 7 de setembro.

A distribuição do dinheiro seguiu concentrada. O iShares Bitcoin Trust e o fundo da Fidelity responderam por cerca de US$ 1,83 bilhão das entradas dessas quatro sessões. O MSBT captou US$ 99,01 milhões em 22 de setembro e US$ 61,67 milhões no dia anterior.

O contraste com o começo do mês mede o tamanho da virada. No dia 15 de setembro, os fundos perderam US$ 450,4 milhões em uma única sessão, o maior resgate desde junho, com a Fidelity respondendo por US$ 214,8 milhões e a BlackRock por US$ 161,7 milhões. No dia seguinte saíram outros US$ 295,9 milhões, e o MSBT foi o único a registrar entrada líquida.

O Bitcoin acompanhou o movimento. A moeda caiu para pouco mais de US$ 75,5 mil no dia 16, em meio à votação travada no Senado e à decisão do Federal Reserve, e voltou para US$ 86,6 mil em 22 de setembro. Nesta quinta-feira, o preço rondava US$ 83,4 mil.

O iShares Bitcoin Trust administra US$ 68,3 bilhões. O MSBT, com toda a arrancada de setembro, ainda não chegou a US$ 800 milhões.

Em 2 de setembro, quando os fundos de Bitcoin perderam US$ 519,1 milhões, ele captou US$ 14,77 milhões e foi o único a fechar no azul. Duas semanas depois, repetiu o resultado na sessão de US$ 295,9 milhões de saídas.

A diferença entre os produtos mostra que o mercado institucional de Bitcoin deixou de se mover como um bloco único. O mesmo dia que registra resgate no maior fundo pode ter entrada no menor. O MSBT chega a essas sessões por uma porta que os concorrentes não têm, a rede de clientes de uma instituição que administra US$ 6,2 trilhões.

O fundo nasceu com a taxa mais baixa do mercado e com uma marca que os assessores já vendiam. Cinco meses depois, aparece entre os poucos fundos de bitcoin que passaram 20 pregões inteiros sem uma sessão de venda. O próximo dado verificável é o fluxo de 24 de setembro, que o rastreamento de carteiras publica depois da liquidação. Até aqui, o que a série mostra é capital novo entrando por uma carteira de clientes que não reage como o restante do mercado.

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