Pesquisador da Ethereum pede ‘modo bunker’ e vê a IA à frente do risco quântico
Um pesquisador da Fundação Ethereum, Justin Drake, publicou nesta quarta-feira um pedido para que o setor de cripto comece a planejar o que ele chamou de modo bunker. A recomendação é migrar fundos de forma controlada para endereços novos, que nunca enviaram uma transação, começando pelos detentores grandes.
Drake pede que ninguém tenha pressa nem pânico. A medida é preventiva, segundo ele, e não exige criptografia nem carteira nova.
Por que agora
O gatilho foi a divulgação feita pela OpenAI na terça-feira. A empresa publicou 722 manuscritos de matemática, organizados em 372 famílias de resultados, produzidos por um modelo interno que não será liberado ao público. Drake chamou o pacote de prova de que a superinteligência matemática chegou.
Na avaliação dele, faz sentido considerar que a assinatura digital que protege o bitcoin, a ECDSA, ceda antes do dia em que o computador quântico quebra a criptografia, no pior caso em meses e não em anos. Por quebra, ele descreve a recuperação rápida da chave privada, em algo como uma semana, num grande conjunto de GPUs.
Ele também criticou o que chamou de ausência chamativa de resultados de criptografia entre os 722 publicados e disse que já viu o governo dos Estados Unidos censurar resultados acadêmicos de criptoanálise quântica.
Onde está a exposição
O ponto prático é antigo e conhecido. A chave pública de um endereço aparece na rede na primeira vez que ele envia uma transação, e é essa chave que um ataque tentaria percorrer no sentido inverso até a chave privada. Endereços que apenas receberam moedas mantêm a chave escondida atrás de um hash.
Os números que Drake usa para dimensionar o alvo são grandes. Cerca de 1,1 milhão de BTC atribuídos a Satoshi Nakamoto estão em endereços antigos com a chave à vista, perto de US$ 92 bilhões com o bitcoin a US$ 83,3 mil. Uma lista pública que rastreia endereços expostos cobre mais de 14 milhões deles. Ele diz que carteiras com menos de 50 BTC têm proteção parcial, porque os alvos maiores vêm primeiro.
O outro lado da conta
Pesquisadores conhecidos do setor contestam o prazo. Adam Back, criador do Hashcash, a base da prova de trabalho usada pelo bitcoin, estima o risco quântico em 20 a 40 anos. O físico Giacomo Zucco afirmou que a chance de uma ameaça antes de 2030 é de 0,001%.
A distância técnica também aparece nos números. Hoje existem cerca de 96 qubits lógicos entrelaçados, e o maior ataque quântico registrado contra uma chave de curva elíptica quebrou uma chave de 15 bits, em abril, com prêmio de 1 BTC. A chave do bitcoin tem 256 bits. O estudo do Google Quantum AI que Drake assinou estimou que menos de 500 mil qubits físicos bastariam para derrubar a criptografia de curva elíptica que sustenta a rede.
Do lado da defesa, o BIP-360, proposta de um novo tipo de endereço resistente a ataques quânticos, já roda em rede de teste, e uma migração completa levaria anos. Até hoje não há ataque clássico conhecido publicado contra a curva do bitcoin.
Drake disse que vai levar o assunto a instituições em Londres no mês que vem e que vai pressionar pela aceleração das defesas. Para quem tem moedas em endereço que já enviou uma transação, a recomendação dele segue de pé, com o pedido de calma que ele repetiu ao longo do texto.
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