A Strategy gastou nove vezes mais em ações próprias do que em bitcoin
A Strategy comprou 267 bitcoins na semana encerrada em 18 de outubro, por US$ 22,1 milhões e a uma média de US$ 82,9 mil por moeda. No mesmo formulário, protocolado nesta segunda-feira na Securities and Exchange Commission, a empresa informa ter gastado US$ 193,1 milhões para recomprar ações preferenciais da própria série STRC, quase nove vezes o valor que destinou à moeda. A custódia chegou a 848.517 bitcoins, a maior entre empresas no mundo.
É a terceira semana seguida de compras pequenas, depois de 250 moedas em 12 de outubro e 334 em 5 de outubro. O valor pago por moeda, US$ 82,9 mil, é o mais baixo das últimas quatro semanas.
O conselho aprovou nesta segunda a elevação do teto do programa de recompra desses papéis, de 2 para 3 bilhões de dólares. Restam US$ 1,16 bilhão, o que indica US$ 1,84 bilhão já utilizado do limite novo. Na mesma janela, a reserva em dólar pagou US$ 45,5 milhões em dividendos das preferenciais, mais que o dobro do destinado ao bitcoin. Com a conta de uso livre, o caixa somava US$ 5,28 bilhões em 18 de outubro.
A ação fechou a sexta a US$ 136,83, com queda de 11,3% na semana. Nesta segunda, subia 2,7%, a US$ 140,53. O pico em doze meses foi US$ 306,16.
O dinheiro do bitcoin saiu da venda de 140.872 ações ordinárias, que renderam US$ 22 milhões líquidos, cerca de US$ 156 por papel. Na semana de 21 a 27 de setembro, a mesma operação captou US$ 246,2 milhões e as duas frentes andaram juntas, padrão que a matéria de 28 de setembro descreveu. Em novembro de 2024, a Strategy comprou 55.500 moedas em sete dias, por US$ 5,4 bilhões, quantia que no ritmo atual levaria 244 semanas.
A reserva vale US$ 5,8 bilhões mais do que custou
O custo acumulado da custódia é de US$ 64,02 bilhões, com média de US$ 75.446 por moeda. Com o bitcoin a US$ 82,2 mil nesta segunda, a posição vale US$ 69,8 bilhões.
A média paga pela empresa está 9% abaixo da cotação desta segunda, o que deixa toda a custódia no lucro apesar da queda do último ano. O bitcoin está 34,8% abaixo do recorde de US$ 126,2 mil, de 6 de outubro de 2025. As 848.517 moedas equivalem a 4,04% das 21 milhões que vão existir. A empresa não vendeu nenhuma das quatro séries de preferenciais na semana, segundo o formulário, e o caixa ficou dependente da venda de ação ordinária e da reserva em dólar.
A última compra grande aconteceu em 31 de agosto, com 4.603 moedas por US$ 369,7 milhões. Nas cinco semanas seguintes, a empresa somou 3.466 bitcoins, menos do que naquela única semana.
A lista final da MSCI sai em 11 de novembro
Em 15 de outubro, a MSCI aprovou a norma que deixa inelegíveis para os índices globais as empresas cujo balanço é formado sobretudo por ativos guardados, e a Strategy entrou na lista de possíveis excluídas. A lista final sai em 11 de novembro e a regra vale a partir de 30 de novembro, como a matéria daquele dia mostrou. A exclusão obriga fundos que replicam o índice a vender o papel, sem olhar a avaliação da empresa.
Faltam 23 dias para a lista e 42 para a regra valer. Nesse intervalo, a companhia segue divulgando o formulário semanal às segundas-feiras, com a janela fechada no domingo.
O próximo formulário sai em 26 de outubro, com o período de 19 a 25. Até lá, a Strategy tem US$ 1,16 bilhão autorizado para recomprar preferenciais, US$ 1 bilhão para a própria ação ordinária e US$ 5,28 bilhões em caixa, quantia que cobriria 239 semanas de compras como a desta segunda-feira. A proporção de quase nove para um entre papéis próprios e bitcoin é a indicação mais direta do que a empresa tem feito com o dinheiro.
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