Blockchain

A Miden abriu a rede com privacidade parcial e teto de US$ 1.232 por carteira

A Miden nasceu dentro da Polygon, virou empresa independente em 2025 e abriu nesta segunda-feira a sua mainnet para parceiros. O acesso é por convite, movimenta dinheiro real e tem prazo para acabar. Quem entrar vai precisar tirar os fundos antes da reinicialização que antecede a rede pública, e essa data ainda não foi divulgada.

A empresa levantou US$ 25 milhões em rodada liderada pela a16z crypto, com 1kx e Hack VC, e passou os últimos meses testando o que chama de privacidade prática. Nesta fase, a carteira Bread, disponível para Chrome, iOS e Android, é a única porta de entrada, e cada usuário precisa de pré-registro e de um convite.

Um teto de US$ 1.232 por carteira

O depósito é limitado. A Bread e a página de ponte seguram as entradas para que o saldo total de cada usuário fique abaixo de US$ 1.232,462. O número não é aleatório. A empresa explica a piada na própria documentação de lançamento, uma referência ao primo de Goldilocks, o valor usado por baixo do capô do protocolo.

O teto também mede o tamanho do teste. Nesta fase, a rede inteira funciona com taxas fixas, pagas em USDCx, a stablecoin que a Miden emite por meio do xReserve, da Circle.

Para mover o dinheiro, a Bread usa três chaves. Uma para o dia a dia, outra de recuperação, que nasce da frase-semente, e a terceira do Guardian. Os limites de gasto ficam configuráveis na própria interface da carteira, e quem perde o aparelho recupera o estado da conta em outro dispositivo.

A privacidade que ainda passa pelos validadores

A conta privada não publica saldo nem histórico na rede, e a transação roda no aparelho do usuário, que prova em sigilo ter executado o que as regras mandam. O que a rede grava são compromissos criptográficos, hashes que provam o estado sem revelá-lo.

Nesta fase, os validadores recebem os dados criptografados de cada transação. A criptografia de limiar impede que um deles sozinho, ou a própria Miden, decifre a atividade, mas a empresa escreve no anúncio que o arranjo cria uma premissa de confiança, porque a decifragem exige mais de um validador agindo junto.

Há outras fissuras no sigilo, e todas estão declaradas. As trocas são públicas hoje. As pontes e os provedores externos recebem as informações de que precisam para processar a operação. A própria Miden separa o que é privado do que não é e diz que o sigilo muda conforme o que a pessoa faz. Transferir entre duas contas privadas, trocar um ativo ou atravessar uma ponte deixa rastros de tamanhos diferentes.

Os Guardians entram na mesma lista. LambdaClass, Gateway, Para e KODA operam a infraestrutura que faz o backup do estado das contas e o mantém em dia. O argumento da empresa é que o sigilo vale contra quem observa a rede, e esse recorte não alcança quem opera o Guardian, que vê o estado da conta para conseguir sincronizá-lo.

O que a rede entrega a quem opera

Para empresas, a Miden montou um multisig privado. Quem olha de fora não vê o saldo da conta, quem assina nem quais regras de assinatura valem. O desenho aceita os esquemas de assinatura ECDSA e Falcon, e os limites de gasto podem exigir mais assinaturas quando o valor sobe.

Os emissores de ativos ganharam um mecanismo próprio. Chamadas de retorno definidas pelo emissor rodam quando um ativo entra ou sai de uma conta, o que permite congelar saldo, aplicar regras de retenção e impor limites de transferência sem que o dono do ativo precise expor a conta inteira na rede.

O time de parceiros mostra para onde a rede quer ir. Qash trabalha em um neobanco B2B de folha de pagamento e tesouraria, a Sempo em pagamentos transfronteiriços e contas em dólar digital, a Darwin em ações tokenizadas, e a port0.sh em uma exchange de tokens. KODA entra em custódia, Libeara em ativos do mundo real, Billions em identidade, Predicate em conformidade e a Circle em stablecoins.

Seis anos entre a pesquisa e a rede aberta

A Miden começou em 2020 dentro da pesquisa de Bobbin Threadbare, que construiu uma máquina virtual capaz de provar que um programa rodou como devia sem mostrar o que ele processou. O projeto se chamava Distaff. A linha passou pelo Winterfell, na Meta, e pela Polygon Miden, lançada em 2021. O primeiro testnet saiu em maio de 2024, e a empresa se separou da Polygon em 2025.

Antes de abrir a rede, a Miden submeteu a máquina virtual à auditoria da Trail of Bits e o kernel de transações e as bibliotecas centrais de contrato inteligente à OpenZeppelin.

A fase de parceiros é, na definição da própria empresa, o primeiro passo de um protocolo que ela quer parecido com dinheiro em espécie. A maior parte das pessoas ficaria com sigilo cheio, e só uma fatia pequena, a das atividades de risco, ficaria com sigilo condicional. O que existe nesta segunda-feira é a primeira parte, com validadores dentro do circuito, trocas à vista de todos e um teto que cabe em qualquer planilha doméstica. A rede pública, sem data, é a promessa seguinte.

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