Mercado Crypto

A busca por bitcoin está na mínima em cinco anos, e a receita de cripto da Robinhood subiu 20% em três meses

O índice de buscas do Google para bitcoin caiu ao menor nível em cinco anos, e a leitura que circulou nos últimos dias é a de sempre. Silêncio de curiosidade é fundo de mercado. Na terça-feira, a Robinhood apresentou um número que conta outra história. A receita de cripto da corretora caiu 55% em relação ao ano anterior e, ao mesmo tempo, subiu 20% em relação aos três meses anteriores.

São 120 milhões de dólares no terceiro trimestre, contra 100 milhões no segundo e 268 milhões um ano antes. A receita total da empresa bateu recorde, 1,42 bilhão, e a fatia de cripto no bolo encolheu de 21% para 8,4%.

A série que o balanço não destaca

A planilha trimestral que acompanha o resultado mostra que a queda não é um tombo de um trimestre. Foram 252 milhões no primeiro trimestre de 2025, 160 milhões no segundo, 268 milhões no terceiro, 221 milhões no quarto, 134 milhões no primeiro deste ano, 100 milhões no segundo e 120 milhões agora. O ponto mais baixo aconteceu entre abril e junho, antes de a busca por bitcoin chegar ao que o Google registra como mínima de cinco anos.

O volume seguiu o mesmo caminho. Foram 50 bilhões de dólares em negociação de cripto no trimestre, 38% menos, sendo 21 bilhões no aplicativo da Robinhood e 29 bilhões na Bitstamp.

O mercado que sobrou negocia menos e mais devagar

Na Binance, a maior exchange em volume, o giro médio diário dos últimos 30 dias foi de 1,15 bilhão de dólares em bitcoin, contra 2,59 bilhões no mesmo período do ano passado, queda de 56%. A amplitude média diária, que mede o quanto o preço anda entre a mínima e a máxima de cada sessão, recuou de 3,46% para 2,47%.

O preço não desabou. Desde 21 de setembro, o bitcoin passou 38 dias dentro de uma faixa de 10,3%, entre 79.221 e 87.396 dólares, e fechou esta quarta-feira perto de 80,7 mil. É um mercado de lado, não de pânico. O índice de medo e ganância da Alternative.me marcava 51 nesta quarta, zona neutra, depois de 48 na terça e 50 na segunda.

A conta das carteiras vai na mesma direção. A Santiment registrou cerca de 30 mil carteiras de bitcoin esvaziadas desde 16 de outubro, o que deixou 59,95 milhões de endereços com saldo. Quem saiu foi a carteira pequena.

A curiosidade saiu, e o dinheiro que ficou se parece com outro

Do outro lado, o dinheiro grande continuou entrando. A Galaxy calcula que os fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista somaram 87 mil bitcoins desde o fundo de junho. Em uma sessão recente, a BlackRock sozinha respondeu pela entrada de 110 milhões de dólares.

No Brasil, o mesmo desenho apareceu no domingo da eleição. Empresas fizeram 78% do giro do Mercado Bitcoin naquela data, e o volume de USDT cresceu quase nove vezes frente ao domingo anterior, segundo os números da própria corretora. Não é o varejo curioso que sustenta a praça quando a curiosidade some.

O que a tese do fundo não resolve

O argumento de que o fundo chegou tem nome e sobrenome. Alex Thorn, da Galaxy, defendeu nesta semana que a multidão foi embora e que o bitcoin vive o momento em que grandes investidores montam posição, como teria ocorrido antes de todas as altas anteriores. O problema é o relógio. Em 2021, o pico de buscas veio cerca de seis meses antes do topo do preço, em novembro. O índice marca quando a curiosidade chega, não quando o preço vira.

E há uma diferença de tamanho que a comparação com 2018 esconde. Naquele ciclo, a busca caiu junto com um mercado que perdeu mais de 70% em doze meses. Agora, o bitcoin está 36% abaixo do topo de 126.080 dólares de outubro do ano passado e 4,5% abaixo do fechamento de setembro, um recuo de um mês, longe de um ciclo completo. Dois silêncios parecidos em mercados de tamanhos diferentes não autorizam a mesma conclusão.

A leitura que os números sustentam é mais estreita. A busca mede quem chega, e quem chega parou de chegar. O dinheiro que ficou negocia menos, dentro de faixas mais apertadas, e é cada vez mais corporativo. O que confirma ou desfaz a tese do fundo depende menos do índice de silêncio do que do próximo balanço da Robinhood. Uma receita de cripto acima de 120 milhões com a busca ainda no chão mostraria que a base trocou de mão. Outra queda, com o mesmo silêncio, mostraria que ela apenas encolheu.

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