Blockchain

O conselho da Arbitrum esvaziou uma carteira sem a chave e travou US$ 30,5 milhões

Às 8h08 da manhã de sexta-feira em Hong Kong, 21h08 da noite de quinta em Brasília, o conselho de segurança da Arbitrum tirou 8.425 ETH e 74.559.805,2 ARB de uma carteira na Arbitrum One. A carteira não assinou nada. Pelas cotações daquele momento, eram cerca de US$ 30,5 milhões, sendo US$ 19 milhões em ether e US$ 11,5 milhões no token da própria rede. O aviso publicado pelo conselho diz que o endereço estava "identificado com o ataque à Binance do mesmo dia".

Nada disso foi para as vítimas nem virou queima. O dinheiro está parado em um endereço sem chave, identificado pelos últimos quatro caracteres 0DA0, e só pode sair depois que a governança da ArbitrumDAO votar, segundo o mesmo aviso. A votação não tem data.

Como uma carteira se move sem a chave

Tudo coube em uma transação na Ethereum, no bloco 26.301.886. A carteira multissinatura do conselho, que exige 9 das 12 assinaturas, chamou o contrato que executa atualizações da Arbitrum, o UpgradeExecutor. Em vez de trocar o código da rede de forma permanente, ele apontou o Inbox, contrato que recebe as mensagens vindas da Ethereum, para uma versão temporária que trazia uma função nova. Essa função registra como remetente o endereço que o conselho indicar, sem o endereço intermediário que a rede usa por padrão quando alguém fala em nome de outro. A mensagem foi entregue, e o Inbox voltou ao código anterior na mesma transação.

O procedimento foi repetido duas vezes, primeiro com o ARB e depois com o ETH.

Nove minutos e quarenta e cinco segundos depois, as duas mensagens surgiram na Arbitrum One no formato 0x65, que a rede aceita sem assinatura. Os campos de assinatura vieram zerados. As transações usaram os dois primeiros números de sequência livres da carteira, o que anula qualquer transação que o dono tivesse assinado antes para aquelas posições e ainda não tivesse enviado.

Para quem olha de fora, o rastro é limpo. Ao contrato do ARB, foi uma transferência comum, com evento de transferência comum. Um serviço que atribui a um endereço as transações dele como atos do próprio dono vai atribuir essa também. O tipo da transação é o que denuncia a diferença, e o registro do token não tem nada fora do comum.

Quem tem esse poder

São 12 membros eleitos pela ArbitrumDAO, divididos em dois grupos, e o mandato passou de um para dois anos em votação de agosto. A própria DAO pode destituir quem não age no interesse dela. Na Arbitrum One, o papel de executor fica dividido entre a carteira que o conselho usa em emergências e o contrato da DAO que só age três dias depois de uma votação.

Nas outras redes construídas com a tecnologia da Arbitrum, o mesmo caminho existe, mas quem manda ali é o dono da rede, fora do alcance da DAO. Em julho, Steven Goldfeder, cofundador da Offchain Labs, disse que o poder estava com "essa entidade externa", "amplamente eleita", e que não era ele quem podia fazer aquilo.

O dinheiro espera um voto, como em abril

A ação de outubro é a segunda do ano. Em abril, os 30.765 ETH do invasor da KelpDAO saíram da Arbitrum One pelo mesmo procedimento, com os mesmos contratos. A diferença agora é o volume em duas moedas e a origem, ligada ao roubo que esvaziou as carteiras quentes da Binance na quinta-feira e que já se espalhou por quase 12 mil carteiras.

No fórum Ethereum Magicians, o pesquisador Zealynx publicou nesta segunda-feira uma análise que não vê falha no mecanismo. Ele observa que o conselho usou poderes que a DAO entregou e publicou as duas ações em uma hora e meia. O reparo que propõe é de texto: um projeto que promete que só a chave move a carteira precisa dizer, na documentação, quem controla a atualização da rede em que ele roda.

Enquanto o voto não sai, 8.425 ETH e 74,5 milhões de ARB seguem no mesmo endereço. O saldo é público, o endereço não tem chave e ninguém marcou data para o dinheiro se mover.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *