Bitcoin

Saída de US$ 122 mi no IBIT encerra sequência de entradas dos ETFs

O maior ETF de bitcoin do mundo amanheceu na sexta com o saldo mais vermelho em semanas. Os fundos spot de crypto listados nos Estados Unidos devolveram US$ 265 milhões em retiradas na sessão de 31 de julho, segundo os fluxos compilados pela Farside, e o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, sozinho respondeu por US$ 122 milhões desse total.

Foi o primeiro dia de saída líquida em três semanas.

O IBIT, com US$ 46,18 bilhões em ativos líquidos, concentra cerca de 61% de todo o setor, o que transforma qualquer oscilação de humor dos seus clientes em movimento de mercado. As semanas anteriores mostraram o outro lado da moeda, com sessões de US$ 233 milhões e US$ 203 milhões em entradas no complexo.

Quem comprou perto do topo está no prejuízo.

A mecânica do resgate

O retorno de um ano do fundo está em 45,61% negativo, segundo a página da iShares, e quem entrou na euforia passou a resgatar para limitar perdas. Cada cota devolvida vira bitcoin vendido, sem posição própria da gestora na jogada, são os clientes tirando o dinheiro.

A venda apareceu na blockchain. A Arkham Intelligence identificou uma transferência de 1.948,07 BTC, o equivalente a cerca de US$ 122 milhões, de carteiras ligadas à BlackRock para a Coinbase Prime, plataforma institucional que serve de custodiante e executa os resgates. A Fidelity também devolveu US$ 54,8 milhões via FBTC, e a Ark 21Shares registrou saída de US$ 17,5 milhões na ARKB.

O saldo da carteira segue colossal.

Mesmo após o resgate, o IBIT mantém 737.118 BTC no balanço, o equivalente a 3,51% de todo o bitcoin em circulação, número confirmado na página oficial do produto. O dado que circulou apontava 3,67%, mas o cálculo direto sobre a oferta total de 21 milhões de moedas fecha em 3,51%.

O preço segue pressionado pela oferta.

O bitcoin negociava perto de US$ 63.600 nesta segunda-feira, ainda abaixo da linha de tendência semanal de baixa, com analistas descrevendo uma fase de formação de fundo que pode se estender por até três meses. A referência de suporte citada é o preço realizado, cerca de US$ 52.800, nível em que o custo médio de quem comprou e segurou se equilibra com o preço de mercado.

Até a maior tesouraria do setor reduziu posição.

A Strategy, que ultrapassou a BlackRock como maior detentora corporativa de bitcoin com 843.775 BTC, vendeu mais 1.638 moedas por US$ 105 milhões em 3 de agosto, segundo os registros públicos da companhia. O movimento paralelo reforça a leitura de que o resgate do IBIT não é um caso isolado, é um comportamento de redução de exposição que atravessa o mercado.

A BlackRock, porém, não fica sem produto para onde mandar o dinheiro.

A nova porta de entrada da BlackRock

Na segunda-feira seguinte ao resgate, a gestora anunciou a expansão da sua linha de fundos tokenizados com o BlackRock Select Treasury Based Liquidity Fund (BSTBL), uma classe de cotas em Ethereum para um fundo de tesouro já existente, e o BlackRock Daily Reinvestment Stablecoin Reserve Vehicle (BRSRV), veículo com reinvestimento diário de dividendos e acesso multi-blockchain.

Ambos os produtos buscam se qualificar como ativos de reserva elegíveis para emissores de stablecoin sob o GENIUS Act.

É a continuidade de um plano que já tem tração. O BUIDL, primeiro fundo tokenizado da gestora, acumula cerca de US$ 2,5 bilhões, e a BlackRock já administra US$ 60 bilhões em reservas para a Circle, emissora da USDC. O cliente que foge do bitcoin volátil não sai do ecossistema, migra para o produto estável da mesma casa.

O fluxo do ETF, afinal, sempre foi um termômetro, não uma opinião.

O IBIT não compra nem vende por conta própria, cada movimento de cota corresponde a uma movimentação de bitcoin na mesma proporção, e é por isso que o resgate de US$ 122 milhões é lido como o apetite dos clientes, não como uma decisão da gestora sobre o preço. No fim das contas, quem deixa o bitcoin volátil tem à espera um produto de tesouro da mesma casa, e a BlackRock é quem fica com os dois lados do balcão.

O ciclo se fecha com uma troca de produto, não com uma saída do mercado.

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