Bitcoin

Sinal de volta às compras e, no dia seguinte, Strategy vende 1.638 BTC

No domingo, Michael Saylor publicou o gráfico de reservas com a mensagem de que a volta das compras estava perto, como o LaboNews mostrou ontem. Na segunda-feira, o documento enviado à SEC contou outra história. A Strategy vendeu 1.638 bitcoins entre 27 de julho e 2 de agosto, por US$ 104,7 milhões, depois de semanas sem comprar.

O sinal de retomada e a venda chegaram no mesmo fim de semana. Pela segunda vez desde 2020, a tesouraria saiu do modo acumulação.

O contraste está nos preços. Cada moeda saiu por US$ 63.957, valor líquido de taxas, em operações distribuídas pelo período. O movimento repete o que o segundo trimestre mostrou, quando a empresa vendeu 3.588 BTC, números cobertos na matéria do balanço.

O preço médio da posição, porém, é de US$ 75.419 por bitcoin. A venda saiu abaixo do que foi pago.

O dinheiro da venda tem destino certo. US$ 52,4 milhões foram para os dividendos das ações preferenciais e US$ 52,3 milhões para recomprar papéis STRC no programa aberto em junho. Nada entrou no caixa geral da companhia.

A máquina de emissão de ações seguiu ligada no mesmo período. A Strategy vendeu 3.011.361 ações MSTR pelo programa de venda no mercado (ATM), com US$ 290,6 milhões líquidos. Desse total, US$ 250 milhões foram para a reserva em dólar, US$ 28,9 milhões para a recompra de STRC e US$ 11,7 milhões para o caixa. É o mesmo desenho dos períodos anteriores, com as preferenciais no centro e o acionista comum pagando a conta pela diluição.

A recompra de preferenciais também avançou. Foram 912.143 ações STRC compradas por US$ 81,2 milhões na semana, dentro do programa anunciado no fim de junho. Ainda restam US$ 893,8 milhões de capacidade, montante que o mercado usa como régua do apetite da empresa.

O efeito combinado das emissões de ações e das vendas de bitcoin turbinou a reserva em dólar.

O colchão de US$ 4 bilhões

A reserva chegou a US$ 4 bilhões, ante US$ 3,75 bilhões na semana anterior, com o dinheiro das ações MSTR ainda não liquidado somando na conta. Na métrica da própria empresa, o colchão sustenta 2,3 anos de dividendos e juros. Foi esse poder de fogo que manteve o conselho confortável para repetir o pagamento do STRC.

Os dividendos do STRC seguem em 12% ao ano, com US$ 0,50 por ação a cada período.

O cofre de bitcoin encolheu. As holdings caíram de 843.775 para 842.138 BTC. Ao preço atual, de US$ 63,7 mil, o estoque vale US$ 53,7 bilhões, contra um custo total de US$ 63,51 bilhões. A diferença, cerca de US$ 9,8 bilhões, segue como prejuízo não realizado no balanço.

A diretoria repete que nada mudou na tese. O CEO Phong Le voltou a dizer que a empresa segue compradora de bitcoin no longo prazo, e o discurso tem algum lastro nos números do ano.

No acumulado de 2026, a Strategy comprou 48 vezes mais bitcoin do que vendeu, segundo a própria empresa.

O contraste sustenta a leitura do mercado. As vendas de cada semana são pequenas perto do total acumulado e servem para honrar obrigações. A tese de acumulação segue de pé, mas o timing incomoda, porque o teaser de domingo apontava para a volta das compras e a semana fechou com mais uma venda registrada na SEC.

O que mudou na prática é o modo de financiar as contas. A régua deixou de ser o tamanho do cofre.

O preço da defesa

Antes, a Strategy emitia ações e notas para comprar bitcoin. Agora, emite ações e vende uma fatia das reservas para bancar dividendos de 12% ao ano e recompras de preferenciais. O custo do arranjo cai sobre o acionista comum, que vê a fatia diluída a cada emissão. As capacidades do programa ATM somam mais de US$ 48 bilhões entre as séries, o que dá ao mercado a medida do caminho que ainda pode vir pela frente.

A repetição do preço abaixo do custo médio muda a leitura. Vender por US$ 63.957 com a posição comprada a US$ 75.419 em média é desfazer posição no prejuízo, um gesto para honrar o papel preferencial e manter a promessa de dividendos.

O teaser de domingo prometia um cofre crescendo. A segunda-feira entregou o contrário.

Para quem acompanha a Strategy de perto, o capítulo de cada segunda-feira virou um exercício de engenharia financeira. A tese de acumulação segue viva no discurso, mas a régua do mercado mudou de lugar, do tamanho das holdings para o estado da reserva em dólar. Enquanto o preço do bitcoin não voltar a subir, cada 8-K de segunda-feira será lido como um boletim do caixa, com o cofre servindo de garantia silenciosa para os dividendos.

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