Recorde do S&P 500 repete movimento que já virou alerta duas vezes
O recorde do S&P 500 desta semana veio acompanhado de uma quebra na quarta-feira. Depois de tocar uma nova máxima intradiária, o índice fechou em leve queda de 0,17%, aos 7.723,55 pontos, e interrompeu a sequência de altas que o levou ao topo.
Foi o primeiro teste de um rally que chamou a atenção pela semelhança com momentos delicados do passado.
O avanço de quase 5% em quatro sessões até o topo histórico é um movimento que, segundo o BTIG, aconteceu apenas três vezes na história do S&P.
O Dow Jones, por sua vez, seguiu firme e fechou em recorde pelo quinto pregão seguido, somando 263 pontos para chegar a 54.349, em claro contraste com a pausa do S&P depois da disparada.
O padrão raro por trás do recorde
Os registros anteriores de um movimento parecido datam de abril de 1999, março de 2000 e novembro de 2020.
As duas primeiras coincidem com o pico da bolha das pontocom e o começo de seu desmanche, o período que antecedeu um dos maiores ciclos de baixa da história das ações americanas.
Por isso, o padrão carrega um peso duplo, aparecendo tanto em mercados muito fortes quanto em reviravoltas importantes.
Foi o investidor Michael Burry, famoso pela aposta contra os empréstimos subprime, quem destacou a coincidência nesta semana, creditando a pesquisa ao estrategista Jonathan Krinsky, do BTIG, para reforçar o sinal de atenção.
O índice americano tocou 7.736,52 pontos na terça-feira, o maior nível desde junho, puxado por lucros fortes e pelo alívio nas tensões no Oriente Médio.
Quem vê alerta e quem vê continuidade
A leitura do padrão divide as casas que acompanham o índice.
Parte das casas vê o cenário com otimismo. A Yardeni Research elevou a meta de fim de ano do S&P 500 para 8.250 pontos, acima dos 7.700 anteriores, argumentando que a força dos resultados pode até tornar essa projeção conservadora diante da consistência dos lucros.
Do lado oposto, há quem enxergue um sinal de alerta no que o histórico sugere. As duas ocorrências mais próximas em data vieram antes de períodos de grande correção.
A concentração do rally também entrou na conversa. O índice ponderado por valor de mercado superou o de ponderação igualitária em cerca de 4% nos últimos pregões, um sinal de que a liderança do avanço voltou a se estreitar, ecoando a discussão que já rondava os ganhos do mercado impulsionados por inteligência artificial no início do ano.
O que torna a comparação histórica mais do que uma curiosidade é o desfecho do rally. A quebra da sequência na quarta-feira transformou o paralelo traçado por Burry em um teste concreto, e não apenas uma hipótese sobre o que viria pela frente.
A pergunta sobre se a alta veio para ficar ou marca uma exaustão momentânea segue em aberto. O histórico raro do movimento, porém, coloca o índice em uma posição delicada, onde a mesma força que sustenta o rally também serve de aviso sobre o que pode vir depois, e o desfecho das próximas sessões dirá se o padrão repetido agora é apenas um eco ou o começo de outra história.
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