Blockchain

A contagem regressiva que pode encolher a oferta de SOL

A Solana tem duas propostas de governança na mesa que podem mudar a economia do token, e ambas mexem no mesmo ponto sensível, o tamanho da oferta futura de SOL. A SGP-0002 quer reduzir a emissão e a SGP-0003 quer queimar taxas ligadas ao uso da rede. O debate sobre as duas segue aberto até 22 de agosto, quando começa o caminho para a votação e qualquer mudança efetiva na rede.

O que está em jogo é o tamanho da oferta futura de SOL.

A primeira proposta ataca a emissão. A SGP-0002 dobra a taxa anual de desinflação de 15% para 30%, o que levaria a rede à inflação terminal de 1,5% em cerca de 2,8 anos, quase três anos antes do caminho atual. A meta final e o mecanismo de recompensas seguem os mesmos, mas a chegada fica mais rápida, e a quantidade de novos tokens que entram no mercado a cada ano diminui.

A segunda ataca outra frente.

A SGP-0003 muda a divisão das taxas. Hoje cada assinatura carrega uma taxa base de 5.000 lamports, com metade queimada e metade entregue ao líder do bloco. A proposta troca isso por uma taxa de inclusão de 2.500 lamports, paga por inteiro ao líder, e uma taxa de recurso separada, baseada no uso e queimada na totalidade. As taxas de prioridade continuam indo ao líder.

O efeito final depende de quanto a rede é usada.

É nesse ponto que o LaboNews se apoia em dados próprios. O Projeto Labo, que mantém o site, conduziu uma pesquisa de cenários sobre o impacto das duas propostas.

Em vez de repetir estimativas pontuais, a pesquisa rodou uma simulação de Monte Carlo com 200 mil execuções, alimentada por dados reais de uso da rede puxados do RPC da Solana e pelo preço do token registrado pela CoinGecko. No momento em que esta matéria foi redigida, o SOL valia 72,64 dólares e a medição de transações apontava cerca de 259 milhões de assinaturas por dia, um número que confere com a queima atual de 648 SOL por dia.

O resultado é uma faixa de cenários, não um número único.

Na taxa terminal da SGP-0003, a queima diária projetada fica entre 6.804 e 10.003 SOL, com o cenário central em torno de 8.246 SOL por dia, algo entre 494 mil e 727 mil dólares diários ao preço atual. Para a SGP-0002, a redução acumulada de emissão em seis anos fica entre 17,12 e 20,68 milhões de SOL, com a metade dos cenários em torno de 18,90 milhões, o que equivale a algo entre 1,24 e 1,50 bilhão de dólares ao preço atual.

Distribuição da queima diária e da redução de emissão projetadas pelo estudo do Projeto Labo
Distribuição da queima diária e da redução de emissão projetadas pelo estudo do Projeto Labo.

As possíveis vantagens

Se aprovadas, as duas reformas agem no mesmo sentido, o de reduzir a pressão de oferta. Menos emissão e a queima de taxas de recurso podem tornar o SOL um ativo mais escasso, e um token que encolhe com o uso tende a ficar menos exposto ao impacto vendedor da inflação.

Do ponto de vista do detentor, a leitura costuma ser positiva.

Com menos tokens entrando no mercado e parte das taxas indo para a queima, a oferta circulante cresce em ritmo menor, o que, mantido o resto constante, tende a favorecer a valorização ao longo do tempo. Há ainda um ganho de previsibilidade, já que a emissão passa a depender menos de decisões discricionárias.

O sistema de cobrança por recurso também tem um lado a favor.

Ele aproxima o preço da transação do custo real de computação. Transações leves pagariam menos, e as que pedem mais recursos da rede pagariam mais, o que pode tornar o uso mais eficiente e alinhar a demanda com o que a Solana efetivamente processa.

As possíveis desvantagens

O outro lado da moeda é o custo para quem participa da rede. Com a desinflação mais rápida, o rendimento de staking cairia de 5,84% para cerca de 2,25% em três anos, e a pressão sobre os validadores aumentaria, com mais operadores chegando perto do limite do prejuízo.

O mecanismo de taxa por recurso também é uma aposta nova.

Ele ainda não existe na rede, o que adiciona incerteza à cobrança. Definir o preço por unidade de recurso é delicado, e um valor mal calibrado pode tornar certas operações caras demais ou baratas demais, com impacto imprevisível sobre quem constrói na Solana.

Nada disso é garantia.

Todo o resultado é condicional à votação. A discussão termina em 22 de agosto e, depois dela, vem a votação e as mudanças de ativação na rede. Até lá, as estimativas da pesquisa, por mais sólidas e cuidadosas que sejam, dependem de uma decisão de governança que ainda não aconteceu.

O estudo do Projeto Labo entrega um mapa de cenários em vez de uma promessa. A reforma pode mudar a economia da Solana de forma aguda, mas o tamanho dessa mudança depende do uso da rede e do voto, não de uma conta fixa.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *