DeFi

Teste de controle do FATF enquadra DeFi centralizado como VASP

O Financial Action Task Force (FATF) publicou o primeiro relatório dedicado ao DeFi, em um documento de 49 páginas que tenta responder a uma pergunta adiada por anos, quem, se é que alguém, controla um protocolo a ponto de ser responsável pelo cumprimento das regras. A resposta é um teste chamado de control or sufficient influence, ou COSI.

O teste do controle

Chamar um projeto de descentralizado não basta para escapar da fiscalização. O COSI separa os protocolos em três categorias.

A primeira reúne os arranjos centralizados, onde pessoas ou entidades claras comandam a operação. Esses se enquadram nas regras do FATF e devem ser tratados como provedores de serviços de ativos virtuais, os chamados VASP, com as obrigações de uma corretora de crypto.

A segunda é dos protocolos centralizados cujos controladores ainda não foram identificados. O desafio é encontrar o dono escondido, uma caça que pode levar tempo.

A terceira é a dos verdadeiramente descentralizados, onde ninguém exerce controle. Esses ficam fora das regras, mas seguem apresentando riscos que exigem medidas alternativas de mitigação, pensadas caso a caso.

Os sinais de quem manda

Para medir o controle, os indicadores listados dentro da blockchain contam. A concentração de tokens de governança nas mãos de poucos é um deles.

As chaves privadas também pesam. Quem possui as credenciais para atualizar contratos, mudar parâmetros, pausar o protocolo ou controlar os acessos exerce uma influência direta sobre o funcionamento do arranjo, mesmo que o restante da operação pareça autônomo.

Os fluxos de taxas e do tesouro completam o quadro. Receber as taxas, controlar os fundos ou direcionar o valor econômico são sinais de quem manda.

Indicadores fora da blockchain contam tanto quanto. O controle sobre interfaces, repositórios de desenvolvimento e a comunicação pública sobre a capacidade de modificar o protocolo entram na avaliação, ampliando o alcance do teste para além do código.

O FATF separou controle de boas práticas. Medidas como mecanismos de pausa e verificações de sanções são incentivadas, e o teste não deve punir quem adota proteções.

A distância entre o papel e a prática

Os dados revelam o tamanho do desafio. Segundo o 7º Relatório de Atualização do FATF, 93% dos países consultados, 132 de 143, ainda não aplicaram os padrões a arranjos DeFi qualificados, um número que mostra o quanto as regras ainda não saíram do papel.

Apenas dois de 142 países licenciaram um protocolo DeFi na prática. O quadro deixa claro o tamanho do caminho pela frente.

O cenário de risco dá urgência ao tema. Os fluxos ilícitos para protocolos DeFi subiram 343% na comparação anual, segundo o relatório de crimes de 2026 da Chainalysis.

As stablecoins respondem por 84% de todo o volume de transações ilícitas, apontou a mesma pesquisa.

O papel da análise de blockchain

O relatório reconheceu que o teste só funciona com dados on-chain. A análise de blockchain permite agrupar carteiras, rastrear fluxos de taxas e tesouro, conectar a atividade a contrapartes reais e dar aos supervisores uma base de evidência para o teste, em vez de confiar em rótulos e alegações públicas.

A Chainalysis destacou ter atribuído 145 milhões de transações de contratos inteligentes, movimentando US$ 15,8 trilhões em 2026, um argumento a favor de sua ferramenta como base para o COSI.

O caso do protocolo Venus ilustra a convergência entre segurança e combate à lavagem. A detecção de um ataque e a pausa do protocolo impediram o roubo e permitiram recuperar US$ 13 milhões antes que os fundos fossem movidos, unindo as duas frentes em uma única resposta.

O capital institucional já flui de forma preferencial para protocolos com controles de triagem e monitoramento, um sinal de que a conformidade virou um diferencial competitivo.

A regra que emerge é direta. Quem tem controle tem obrigações, e a fronteira entre o centralizado e o autônomo deixou de ser definida pelo rótulo para ser definida pelos dados na blockchain, um recado que vale para protocolos e investidores.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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