Carteira adormecida de 2011 movimenta 8,54 BTC depois de 15 anos sem uso
Uma carteira de bitcoin criada em 13 de junho de 2011, quando o ativo negociava a US$ 14, acordou depois de mais de 15 anos de inatividade total. O endereço acumulava 8,54 BTC praticamente intocados desde sua criação e movimentou seus fundos no bloco 962770 no último sábado, 16 de agosto.
Ganho realizado de aproximadamente US$ 538 mil, segundo dados do Galaxy Research.
Endereço ligado à era Satoshi levanta especulações
O endereço foi criado apenas dois meses depois da última mensagem pública de Satoshi Nakamoto nos fóruns do Bitcoin, em abril de 2011. A coincidência temporal não prova ligação direta com o criador da moeda, mas destaca o período de origem dos fundos.
Na época da criação, o bitcoin passava por uma das primeiras bolhas da sua história. O ativo saltou de US$ 1 para US$ 31 entre janeiro e junho de 2011, antes de despencar mais de 90% nos meses seguintes. Quem comprou no topo e segurou até hoje viu cada moeda se transformar em mais de US$ 62 mil, um retorno superior a 200.000%, mas poucos tiveram a paciência ou a memória de senha para aguentar o rojão.
O momento de criação coincide com o auge da primeira grande discursão pública sobre o futuro do Bitcoin nos fóruns do Bitcointalk, onde Satoshi participava ativamente antes de desaparecer.
O lucro bruto registrado nessa carteira específica é de 461.981% em relação ao custo original estimado em US$ 14 por moeda, segundo o Galaxy Research. O valor total, originalmente avaliado em cerca de US$ 120, agora supera meio milhão de dólares.
Outros endereços antigos também voltaram à vida nos últimos dias. Dois endereços de mineração prévia da Ethereum, cada um com 2.000 ETH parados há 11 anos, foram ativados em datas diferentes. Dias antes, em 3 de agosto, uma carteira com 500 BTC que dormia há 12,7 anos transferiu seus fundos, avaliados em US$ 31,3 milhões. Nem sempre é sinal de venda, mas o padrão é claro.
Do total de 21 milhões de bitcoins que existirão quando a mineração terminar, estima-se que cerca de 4 milhões estejam permanentemente perdidos, chaves privadas descartadas, hard drives jogados fora, donos falecidos. O restante em carteiras dormentes de longo prazo representa a zona cinzenta entre perda definitiva e posse esquecida.
Endereços dormentes podem ser acionados por diversas razões, desde reorganização de carteiras até atualizações de segurança. Do total em inatividade há mais de 10 anos, representa cerca de 15% do supply. Cada movimentação desse tipo levanta a mesma pergunta no mercado. O titular vai vender?
Para o mercado, a mensagem é ambígua. Por um lado, moedas voltando à circulação depois de tanto tempo aumentam a oferta líquida disponível para negociação. Por outro, muitas dessas movimentações resultam em transferências internas entre carteiras do mesmo titular, sem impacto real na pressão de venda.
No contexto atual, com o bitcoin consolidando perto de US$ 63.000, a movimentação de fundos de longo prazo adiciona uma camada de complexidade ao cenário de oferta. Não é possível saber se os 8,54 BTC serão vendidos ou apenas transferidos para uma nova carteira. O que se sabe é que endereços que ficaram quietos por mais de uma década começam a se mover com mais frequência.
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