Segurança

30 mil saques barrados, a aposta da Bybit em IA após o maior roubo do crypto

A Bybit diz que barrou mais de 30 mil pedidos de saque suspeitos entre 1 de janeiro e 15 de junho e com isso evitou que cerca de 20 mil usuários perdessem mais de US$ 700 milhões. O número está no balanço de segurança que a empresa publicou em 18 de agosto e resume a aposta em travar o dinheiro antes que ele deixe a plataforma. O valor soma saques travados antes da saída. Recuperação de fundos roubados é outra conta.

A correia de transmissão da defesa

A primeira análise levou em média 4,7 minutos e 95 por cento dos casos fecharam em até 10 minutos. No período a equipe sinalizou cerca de US$ 212 milhões com possível ligação com fraude e incluiu mais de 10 mil endereços em lista de bloqueio. São métricas de controle de conta e a empresa registra que os números são auto reportados.

O salto estrutural veio no monitoramento on chain. A Bybit afirma ter estendido a cobertura para 100 por cento da atividade que considera relevante o que inclui contratos de tokens listados e de ecossistema além das carteiras frias mornas e quentes da própria empresa. Entre janeiro e junho o sistema apontou 10 incidentes ligados a projetos listados e nenhum deixou prejuízo na conta da exchange. Em oito casos a resposta saiu antes das concorrentes de peso e em dois o alarme tocou antes de as equipes dos projetos envolvidos perceberem o problema.

A inteligência artificial encurtou o ciclo de teste e esse é o ponto central do balanço. Mais de 100 mil alertas receberam análise com apoio de IA no semestre. A auditoria assistida achou falhas graves com frequência até 5 vezes maior que a checagem manual e a automação comprimiu de cerca de 14 dias para perto de duas horas a janela entre avaliar e testar. Da localização de um ativo à primeira tentativa de invasão controlada o intervalo caiu para menos de 24 horas e a plataforma de red team varreu 1.489 ativos expostos e encontrou mais de 100 falhas de alta gravidade. É a tentativa de inverter a lógica em que o atacante sempre chega primeiro porque varre código em escala enquanto a defesa revisa ponto a ponto.

A conta a acertar com o mercado

Em 21 de fevereiro de 2025 a Bybit sofreu o maior roubo da história do mercado crypto quando invasores furaram o esquema de assinaturas da carteira fria em Ethereum e desviaram US$ 1,46 bilhão. A atribuição feita pelo FBI apontou o grupo TraderTraitor ligado ao Lazarus. A exchange processa o Estado norte coreano, o Bureau Geral de Reconhecimento e o próprio Lazarus na Justiça do Distrito de Columbia e obteve liminar que impede detentores não identificados de vender os ativos roubados. Diz ter recuperado US$ 48,4 milhões e congelado US$ 30,5 milhões.

Rastrear o restante ficou mais difícil. Em março 88,87 por cento dos fundos seguiam rastreáveis. Em abril o presidente Ben Zhou afirmou que 27,6 por cento já não podiam ser rastreados após conversão para bitcoin e dispersão em milhares de carteiras.

O movimento ocorre em um semestre de perdas altas no setor. A Hacken estimou cerca de US$ 764 milhões roubados no segundo trimestre com 88,3 por cento dos casos ligados a chaves comprometidas e infraestrutura. A Blockaid calculou US$ 1,1 bilhão desviado em 212 incidentes no primeiro semestre. No mesmo mês o BTCPay Server sofreu ataque que drenou nós Lightning.

Na semana passada dezenas de empresas entre elas Coinbase e Block pediram acesso antecipado aos modelos mais fortes dos laboratórios de IA sob o argumento de que quem defende trabalha com ferramentas mais fracas do que quem ataca.

O grupo Bitcoin Red Team apontou modelos para repositórios de bitcoin e registrou milhares de achados no mês. Os números da Bybit precisam ser lidos com essa ressalva porque não há verificação independente de que cada um dos US$ 700 milhões teria virado perda concreta. O que há é exposição evitada antes da saída e a disputa entrou na era dos minutos como resumiu David Zong ao dizer que o critério humano segue definindo as decisões críticas. Depois de perder US$ 1,46 bilhão a Bybit agora precisa mostrar que a velocidade se converte em menos casos reais e não apenas em mais alertas.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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