Segurança

Golpistas usam êxodo do MiCA para se passar por reguladores na Europa

O enxugamento do mercado europeu de crypto abriu espaço para uma nova onda de golpes. Quando o Markets in Crypto-Assets (MiCA) entrou em vigor completo em 1º de julho, mais de 1.700 plataformas sem licença tiveram de suspender o atendimento a clientes do bloco. Só 323 empresas tinham autorização válida no registro da ESMA, o regulador europeu dos mercados, e até 10 milhões de usuários receberam a ordem de migrar os fundos para um provedor licenciado.

A janela que a migração abriu

Foi exatamente nesse intervalo que os criminosos montaram a armadilha.

O mecanismo é simples. O golpista reproduz o aviso de encerramento que as corretoras enviam, assume a identidade de uma autoridade e leva a vítima para uma plataforma falsa antes que o engano fique evidente. A engenharia social já domina o setor. A corretora WhiteBIT estimou que 40,8% dos incidentes de segurança de crypto em 2025 envolveram ofertas falsas de investimento ou personificação, e a transição europeia turbinou exatamente esse vetor.

Na França, a AMF, autoridade dos mercados, registrou golpistas se passando por funcionários da própria instituição para cobrar taxas adiantadas de quem tentava reaver o dinheiro perdido. A ESMA confirmou que criminosos usam o nome e o logotipo da autoridade em papéis falsificados para dar a entender que os fundos das vítimas estão ameaçados.

É na troca de provedor que o golpe acha a brecha.

O regulador holandês, a AFM, apontou o movimento de troca de corretora como o momento mais vulnerável, quando investidores desorientados procuram um provedor licenciado e aceitam contatos não solicitados. A recomendação é conferir o provedor no registro público da ESMA e só então mover qualquer valor, além de desconfiar de qualquer abordagem que peça transferência. Na Áustria, a FMA repetiu o alerta depois que centenas de empresas perderam o direito de operar no dia 1º de julho.

O tamanho do problema aparece nos números do Reino Unido. A FCA, autoridade britânica, contabilizou 4.465 relatos de golpes de personificação no 1º semestre de 2025, com 480 vítimas que enviaram dinheiro. Um método comum é dizer que a autoridade localizou valores em uma carteira criada sem permissão em nome da vítima, e o compartilhamento de tela para criar contas falsas cresceu.

Como se proteger no meio da migração

Nenhuma autoridade pede dinheiro por mensagem.

A AMF e a AFM repetem o mesmo ponto. Nenhuma das duas solicita transferência de valores nem contata cliente por mensagem privada, e os avisos oficiais ficam publicados nos respectivos sites. Para quem está na fila da troca, a instrução mais importante é conferir qual empresa exata do conglomerado detém a licença MiCA, sem se contentar com a marca do grupo. A proteção da regra vale só para quem usa uma operação com licença dentro da União Europeia, e a autorização obtida por uma unidade do grupo em outro país não se estende às demais.

O melhor antídoto é desligar o senso de urgência.

O usuário europeu que receber uma mensagem pedindo transferência imediata, assinada por uma autoridade ou corretora, deve parar e conferir o registro oficial antes de qualquer movimento. A migração forçada junta pressa com plataformas desconhecidas, exatamente a combinação que os golpistas exploram, e quem conferir a licença no site da ESMA corta o golpe pela raiz. O custo da verificação é de alguns minutos, e o preço de pular essa etapa pode ser a conta inteira.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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