Irã mira bases americanas na Europa com diplomacia em colapso
Teerã avaliou atingir instalações militares dos EUA no sudeste europeu se Trump escalar a guerra no Oriente Médio, segundo duas pessoas próximas às deliberações do regime. Os alvos identificados incluem a base aérea de Bezmer, na Bulgária, onde Sófia autorizou no mês passado o uso da instalação para abastecer aeronaves americanas. Oito aviões-tanque KC-135 e cerca de 250 militares foram destacados para o local. Chipre também apareceu na avaliação iraniana.
Uma base britânica no território cipriota foi atingida por um drone em março, ataque que serviços de inteligência ocidentais atribuíram ao Irã operando por forças proxys. O incidente foi o primeiro contra a instalação durante a guerra e mostrou que o conflito já alcançou uma instalação militar vinculada à Europa, um precedente que coloca o continente no raio de planejamento de Teerã. A escolha de Chipre não é aleatória. A ilha hospeda bases britânicas e americanas e fica a menos de 2.000 quilômetros do território iraniano, dentro do alcance dos mísseis de alcance médio que Teerã já demonstrou possuir.
O estreito parado e os cabos no fundo do mar
Planejadores militares iranianos examinaram ainda a possibilidade de atingir cabos de fibra óptica subaquáticos no Estreito de Ormuz, infraestrutura que sustenta grande parte das comunicações globais que passam pelo golfo Pérsico. A movimentação faz parte de um leque de opções que Teerã prepara diante de uma possível nova ofensiva americana contra seu território. A diplomacia não sai do lugar. Trump declarou nesta semana que não há conversas programadas com o Irã, encerrando qualquer expectativa de reviver o acordo de junho que desmoronou no mês passado após ataques iranianos a embarcações no estreito. Cada lado acusou o outro de romper o pacto, o que levou retaliações militares recíprocas e à reimposição do bloqueio naval dos portos iranianos. O acordo de 60 dias acabou e Washington não decidiu o que fazer.
Uma pessoa próxima ao regime disse que o Irã não estabelecerá teto para sua resposta se Washington adotar medidas agressivas. A Guarda Revolucionária já havia alertado que qualquer instalação empregada em ataques ao território iraniano seria considerada alvo legítimo, recado dirigido ao Reino Unido pelas operações americanas a partir de bases britânicas.
A capacidade de chegar longe, com imprecisão
Teerã demonstrou que consegue atingir alvos distantes. No início do ano, lançou diversos mísseis contra Diego Garcia, a base americano-britânica no oceano Índico a aproximadamente 4.000 quilômetros de distância. Nenhum atingiu o alvo. A Turquia informou em março que sistemas de defesa da OTAN interceptaram vários projéteis balísticos lançados do território iraniano. Analistas do Royal United Services Institute e do International Institute for Strategic Studies descreveram a ameaça à Europa como real, embora contida. O Irã possui mísseis balísticos de alcance médio capazes de alcançar ativos americanos no sudeste europeu, ainda que a exatidão e o poder de destruição caiam em distâncias maiores.
A OTAN respondeu pronta. Uma porta-voz da aliança afirmou que o bloco está preparado para defender o território de seus membros e deter potenciais ameaças de mísseis, com capacidades de defesa aérea reforçadas diante do cenário.
A nomeação de Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda, como chefe de segurança reforça a leitura de que Teerã se afasta da diplomacia. O supremo líder colocou linha-duros no comando militar, e setores do regime concluíram que Washington não honra acordos. A estratégia passa a ser elevar o custo de qualquer ação americana para forçar o cumprimento dos compromissos.
O petróleo não reagiu com susto. O Brent operou estável na casa dos US$ 86 por barril, sinal de que o mercado ainda trata a ameaça como postura em vez de plano iminente. Bitcoin negociava perto de US$ 66.000, segundo a CoinGecko, praticamente plano nas últimas 24 horas. A tensão não se traduziu em refúgio para ativos digitais, nem em corrida ao ouro ou a títulos do Tesouro. Investidores aguardam um fato concreto, como uma ação militar efetiva ou um ataque confirmado, antes de precificar o risco de uma escalada para fora do Oriente Médio.
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