Preferencial da Strategy cai para US$ 95 e crítico aponta risco para futuras emissões
A ação preferencial STRC da Strategy negociava a US$ 95 no domingo, abaixo do preço nominal de US$ 100, mesmo com Bitcoin subindo e a empresa realizando recompras regulares do papel.
O investidor Peter Schiff questionou se a Strategy ainda consegue usar emissões de STRC para financiar compras de bitcoin. Em publicação no X em 24 de agosto, ele argumentou que, sem um aumento no dividendo, Saylor não poderá emitir novas unidades do papel nas condições atuais.
Três variáveis em conflito
A questão levantada por Schiff gira em torno de três variáveis que se influenciam mutuamente. O preço do STRC no mercado secundário, o rendimento do dividendo e o custo de captação da Strategy para novas emissões. Quando o papel negocia abaixo do nominal, investidores compram com desconto, mas a empresa recebe menos por ação emitida do que o valor de referência, o que encarece a captação. A cada nova emissão nesse patamar, a diluição dos atuais detentores aumenta e o custo efetivo do capital sobe para a empresa.
O tracker público da Strategy, strategy.com, mostrava em 24 de agosto um estoque de 840.447 BTC avaliados em cerca de US$ 73 bilhões. O MSTR, ação comum, fechou a US$ 122,76 com relação de valor patrimonial por ação (mNAV) praticamente no patamar de 1,00x, sinal de que o mercado precifica as ações pelo valor dos bitcoins que a empresa detém, sem prêmio e sem desconto significativo.
Do lado do passivo, as obrigações com ações preferenciais somavam US$ 14,97 bilhões, a dívida total chegava a US$ 6,75 bilhões e a posição em caixa era de US$ 1,58 bilhão.
Schiff conectou o problema das preferenciais ao impacto sobre os acionistas comuns. Ele escreveu que a Strategy provavelmente continuará “destruindo bitcoin por ação comum” ao usar capital para recomprar preferenciais em vez de acumular mais bitcoins. A relação entre esses números e o preço do STRC é direta. Se o papel continuar abaixo do par, cada nova emissão dilui mais os detentores e encarece o custo de captação.
A recompra do STRC virou rotina. Em uma semana de agosto, a empresa desfez 1.690 BTC por US$ 108,6 milhões e destinou cada dólar para recomprar o papel preferencial, que chegou a cair a US$ 71,25 no último ano antes de recuperar parte do terreno.
Michael Saylor não respondeu diretamente ao questionamento de Schiff. Em publicação de 24 de agosto, o presidente executivo da Strategy descreveu o bitcoin como entrando em uma “nova era de capital digital”, apontando demanda institucional crescente e adoção por bancos, empresas e governos como evidência da maturação do ativo no sistema financeiro.
O contraste entre as duas falas ilustra o impasse atual. Saylor foca no longo prazo e na narrativa de acumulação, Schiff foca na mecânica financeira de curto prazo e na sustentabilidade do modelo de captação via preferenciais.
O dividendo do STRC, que hoje paga 12% ao ano, é a variável que pode mudar o equilíbrio. Se a Strategy aumentar o rendimento para tornar novas emissões atrativas, o custo anual sobe e pressiona o caixa. Se mantiver o dividendo e o preço continuar abaixo do par, a captação via STRC fica inviável e a empresa precisará recorrer a outras fontes, como emissão de MSTR ou vendas adicionais de bitcoin. A Strategy tem autorização para monetizar até US$ 1,25 bilhão em bitcoin e US$ 1 bilhão para cada programa para recompra de ações e para credit securities. Mas Saylor sinalizou que a recompra de MSTR ficará guardada para situações extremas.
Com o STRC a US$ 95 e o caixa em US$ 1,58 bilhão contra US$ 14,97 bilhões em obrigações preferenciais, a margem de manobra ficou mais estreita. O mercado de crédito digital que a Strategy ajudou a criar depende da confiança de que o modelo funciona. Enquanto o STRC negociar abaixo do nominal, essa confiança fica sob teste.
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