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Sete ações valem um terço do índice S&P 500 e viram o Magnífico 700

A bolsa americana se aproximou de novo do seu topo histórico e, mais uma vez, a alta veio de poucas empresas. As sete companhias conhecidas como Magnífico 7 respondem hoje por cerca de 35% de todo o valor do índice S&P 500, o principal do mercado dos Estados Unidos. Isso reacendeu a preocupação antiga de que a bolsa esteja concentrada em poucos nomes.

Para o analista de ETFs Eric Balchunas, da área de pesquisa da Bloomberg Intelligence, o alerta é maior do que o problema. Em uma nota publicada nesta sexta-feira, ele afirma que o investidor não deveria se assustar com a concentração. Se as empresas são o Magnífico 7, escreveu ele, é melhor pensá-las como um Magnífico 700.

O grupo reúne Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, a dona do Google, Amazon, Meta e Tesla. São as sete empresas mais valiosas do índice e, juntas, valem mais de US$ 20 trilhões.

A concentração sempre existiu

A primeira defesa do analista vem do passado. Segundo ele, a bolsa americana nunca foi realmente ampla. Ao longo de um século, só 4% das ações concentraram a riqueza nova do mercado americano, e metade das empresas ficou atrás dos títulos da dívida do Tesouro.

O dado tem respaldo em pesquisa acadêmica. Um estudo conhecido do professor Hendrik Bessembinder, da Universidade Estadual do Arizona, acompanhou mais de 25 mil ações negociadas nos Estados Unidos desde 1926 e chegou a uma conclusão parecida. O mercado subiu muito no conjunto, mas a maior parte do ganho veio de uma minoria pequena de empresas.

A concentração acompanha a bolsa há décadas. Esse não é um traço novo do mercado americano.

Por esse ângulo, quem espera que a alta venha de todos os lados ao mesmo tempo aguarda algo que quase nunca aconteceu. O mercado sempre fez o trabalho pesado com um punhado de nomes, mesmo quando parecia mais espalhado.

Dentro de cada gigante, centenas de empresas

A segunda defesa é o tamanho real dessas companhias. Segundo o analista, os gigantes de hoje não se parecem com as grandes empresas do passado. Cada um deles comprou centenas de outras empresas ao longo da vida, e Balchunas descreve cada gigante como algo próximo de um pequeno país.

O levantamento da Bloomberg Intelligence mostra a conta. A Alphabet fez cerca de 270 aquisições e a Microsoft, 250. Somando as sete, são aproximadamente 846 empresas compradas.

A lista tem nomes que, sozinhos, valeriam muito. O Google comprou o YouTube e a Wiz. A Microsoft levou a Activision e o LinkedIn. A Amazon ficou com a Whole Foods e com o estúdio MGM. A Meta comprou o Instagram e o WhatsApp. A Apple trouxe a Siri e a Beats.

Na outra ponta estão a Nvidia, com cerca de 20 aquisições, e a Tesla, com 6. São as duas mais econômicas na hora de comprar outras empresas.

O YouTube sozinho ficaria perto da 19ª maior ação dos Estados Unidos se fosse separado do Google.

Balchunas acrescenta que as sete atuam em vários setores ao mesmo tempo. A Amazon, por exemplo, se encaixa em oito temas de investimento, enquanto metade das empresas do índice não se encaixa em nenhum. Para ele, isso mostra que os gigantes estão à frente de áreas novas do mercado, com receitas que não dependem de um único negócio.

O outro lado da conta

Nem todos concordam. A crítica mais comum é que, mesmo com centenas de empresas dentro delas, as sete ações sobem e caem juntas. Todas estão muito ligadas à mesma aposta, a corrida da inteligência artificial.

Para quem investe por um fundo de índice, o efeito é prático. O dinheiro fica concentrado nos mesmos sete nomes, muitas vezes sem que o investidor tenha escolhido isso. Ainda que o fundo carregue o nome de 500 empresas, um terço do valor está em sete.

Balchunas reconhece que existem questões de concorrência em jogo, mas as separa do risco de concentração do índice. O que a nota propõe é trocar o olhar. Contar sete nomes esconde as centenas de empresas que existem dentro delas.

Para o analista, o resultado é que a concentração do índice assusta mais do que deveria. Quem segue a bolsa americana, diz ele, pode continuar tranquilo com os sete gigantes na carteira.

O levantamento que embasa a nota contabiliza cerca de 846 aquisições entre as sete empresas. Para Balchunas, esse é o dado que responde à preocupação com a concentração do índice.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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