A Strive ultrapassa a MARA na quarta maior tesouraria de bitcoin
O lote de 2.822 bitcoins entrou no balanço da Strive entre segunda e terça-feira por aproximadamente US$ 235 milhões, a US$ 83.266 por moeda em média, com as taxas embutidas. A tesouraria da companhia chegou a 35.595 BTC e deixou para trás a mineradora MARA, que aparece com 35.577 na relação das maiores reservas corporativas. A vantagem entre as duas é de 18 moedas.
As duas informações estão no formulário 8-K que a companhia protocolou na SEC nesta quarta-feira, assinado pelo presidente-executivo Matthew Cole.
O total de moedas em custódia não aparece nesse documento. Ele sai da soma com o saldo anterior, de 32.773 BTC no fechamento de 9 de outubro. Na semana anterior, a compra somou 3.311 bitcoins a US$ 84.500 a moeda, quase US$ 280 milhões no total. As duas levas seguidas colocaram 6.133 moedas na reserva em duas semanas.
O dinheiro veio dos warrants
Boa parte do dinheiro saiu do exercício de warrants. Segundo o mesmo formulário, 273.493.909 warrants tradicionais viraram 13.674.703 ações Classe A, com US$ 369,2 milhões de receita bruta esperada. Nenhum dos warrants ligados à captação privada da companhia seguia em circulação no fechamento do dia 13. O saldo vinha caindo havia semanas, de 25,8 milhões de papéis em 18 de setembro para 15,3 milhões até 9 de outubro.
A conta fecha no mesmo dia. Entraram US$ 369,2 milhões com os warrants e saíram US$ 235 milhões em bitcoin, uma diferença de quase US$ 134 milhões. O caixa e as aplicações da Strive subiram de US$ 284,7 milhões para US$ 310,3 milhões na mesma semana.
A Strive não compra moedas com a receita da operação. Ela vende papéis no mercado e converte o dinheiro em bitcoin. O instrumento principal é a SATA, uma ação preferencial que paga 13% ao ano em proventos creditados a cada dia útil e negocia perto do valor de face de US$ 100. Na terça-feira, a companhia anunciou a oferta de uma segunda preferencial, a SATS, com dividendo de 15% ao ano, 5 milhões de ações na oferta e uma reserva de 18 meses de proventos, calculada em US$ 22,50 por papel.
Abaixo do preço médio da reserva
As moedas compradas nesta semana saíram mais baratas do que a média acumulada da tesouraria. No fim de setembro, a companhia tinha 28.000 bitcoins, que custaram US$ 90.170 cada na média, segundo o formulário que entregou em 5 de outubro. No terceiro trimestre, foram 8.137 moedas a US$ 78.885, o que já havia derrubado a referência.
Nesta manhã, o bitcoin era negociado perto de US$ 82,6 mil, com baixa de 0,6% em 24 horas. O preço segue abaixo do custo médio da reserva.
A distância para a terceira colocada
Na relação das maiores tesourarias abertas, mantida pelo BitcoinTreasuries, as três primeiras colocadas estão muito à frente. A Strategy, de Michael Saylor, acumula 848.250 bitcoins. A japonesa Metaplanet aparece com 44.000, e a Twenty One Capital, com 43.514. Para chegar à terceira colocada, a Strive precisaria de mais 7.919 moedas. No mesmo levantamento, a última mudança no balanço da MARA é de 7 de agosto.
A companhia fica em Dallas e negocia na Nasdaq sob o código ASST. Chegou à bolsa nessa estrutura em janeiro, ao concluir a compra da Semler Scientific em uma troca de ações, a primeira vez que uma tesouraria de capital aberto comprou outra.
A reserva cresceu rápido. Eram 23.156 moedas no fim de agosto, e agora são 35.595, quase 12,5 mil a mais em pouco mais de seis semanas.
As ações em circulação sobem no mesmo ritmo. Na semana encerrada no dia 9 de outubro, as ações Classe A passaram de 91,7 milhões para 101,2 milhões, alta de 10%, e os warrants exercidos neste mês acrescentam outros 13,7 milhões de papéis. Cada ação passa a representar uma fatia menor da mesma reserva, e a Strive usa essa relação para medir o próprio desempenho.
A Strive também carrega 505.000 ações da preferencial STRC da Strategy, com valor de US$ 50,3 milhões no encerramento daquela semana. É o mesmo tipo de papel que ela emite.
Com a compra, o indicador que compara o valor das preferenciais emitidas com o dos bitcoins guardados caiu de 55,3% no fim de setembro para 47%, segundo Cole. A meta da companhia é ficar acima de 60% enquanto o bitcoin estiver abaixo de US$ 100 mil.
Nas duas últimas semanas, a Strive colocou US$ 514,8 milhões em bitcoin, a US$ 83,9 mil por moeda na média. A oferta da nova preferencial, anunciada na terça-feira, busca cerca de US$ 500 milhões pelo valor de face, quase a mesma cifra em uma operação única. O dinheiro entra em um papel que paga 15% ao ano, contra os 13% da SATA.
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