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Ethena vira banco digital com app que paga 6% ao ano e dá 5% de cashback

O que é o Ethena Pay

Em 1º de setembro de 2026, a Ethena Labs transformou seu protocolo de stablecoin sintética em um produto de consumo com o lançamento do Ethena Pay, um aplicativo de pagamentos e poupança que permite ao usuário guardar dólares digitais, receber rendimento e gastar com cartão Visa a partir da mesma interface.

O app está disponível para iOS em aproximadamente 50 países, com a rede Avalanche funcionando exclusivamente como camada de liquidação.

O Brasil está na lista de mercados com conta em real prevista para lançamento futuro, ao lado de euro e iene.

O ganho de 6% não é para todo mundo

O rendimento de até 6% ao ano em dólar é o principal gancho comercial do produto. A Ethena espera atrair usuários de neobancos tradicionais e consumidores de serviços financeiros que buscam alternativas ao sistema bancário convencional.

A estrutura de remuneração, no entanto, é escalonada e possui limites claros que reduzem a atratividade para saldos maiores. Usuários do plano Standard recebem 5% sobre saldos de até 5 mil dólares. O plano Pro paga 6% sobre até 15 mil dólares. O VIP, 6% sobre até 50 mil dólares. Valores que ultrapassam esses limites rendem apenas a taxa base do USDe, a stablecoin sintética da Ethena, sem o adicional promocional. Esse adicional, chamado de “Daily Boost”, é creditado diariamente em USDe, considerado uma promoção discricionária pela própria empresa e não uma garantia contratual.

Uma das funcionalidades mais incomuns do aplicativo chama-se “Buy Now Pay Never”. O mecanismo permite que as recompensas de rendimento sejam direcionadas para cobrir gastos no cartão sem que o usuário precise tocar no principal poupado.

A ideia é transformar o rendimento em poder de compra efetivo. O usuário poupa, o rendimento cobre o gasto. O principal permanece intocado rendendo.

O cartão Visa virtual é gerado em menos de um minuto e aceito em mais de 130 milhões de estabelecimentos no mundo todo, com integração ao Apple Pay já disponível e o Google Pay prometido para breve. O cartão é emitido pela Third National, licenciada pela Visa, com gestão operacional da Rain.

Os riscos que o app não esconde

A Ethena Pay Ltd, incorporada em Malta, reforça que não é um banco. A empresa não retém fundos de clientes, não oferece proteção do fundo de seguro de depósitos americano, do fundo de proteção ao investidor britânico nem do esquema de garantia de depositantes de Malta.

A sede em Malta é relevante para o marco regulatório. A estrutura de sociedade limitada permite que o protocolo opere como interface de software, enquanto a custódia dos ativos fica com o usuário por meio de passkeys e biometria. As chaves da carteira ficam no dispositivo e não podem ser recuperadas pela empresa em caso de perda. Se o usuário perder o acesso, perde o dinheiro.

A escolha pela Avalanche como única rede de liquidação representa uma mudança de rota. A Ethena construiu sua reputação sobre o ecossistema Ethereum, mas migrou a infraestrutura de pagamentos para uma blockchain diferente. A justificativa técnica recai sobre custo e velocidade de transação, ambos inferiores na rede Avalanche em comparação com a Ethereum mainnet.

A Ethena não é novidade em expansão de produto. No início de 2026, a empresa lançou o USDtb, uma stablecoin lastreada primariamente no fundo BUIDL da BlackRock. Pouco depois, firmou parceria com a Coinbase para distribuir seu produto de rendimento para mais de 100 milhões de usuários da exchange americana.

O aplicativo começa com 400 usuários em fase de acesso antecipado, com expansão semanal ao longo de setembro.

A previsão é de que o aplicativo chegue aos Estados Unidos e à União Europeia após o período beta. Android também está na fila de lançamentos futuros.

A ausência de proteção de depósito é um risco concreto. Diferente de contas bancárias tradicionais, os saldos mantidos via Ethena Pay não têm garantia de fundo governamental. O usuário depende integralmente da solidez do protocolo e da capacidade de honrar saques e rendimentos em qualquer cenário de mercado.

O preço da ENA, token nativo do protocolo, subiu 7,4% nas 24 horas seguintes ao anúncio, cotada a aproximadamente 16 centavos de dólar. O market cap do projeto ultrapassa 1,5 bilhão de dólares.

A oferta circulante de USDe, o lastro do ecossistema, está próxima de 4,2 bilhões de dólares. A Ethena afirma ter distribuído mais de 750 milhões de dólares em recompensas ao longo de mais de 30 bilhões de dólares em operações de mint e redeem. São números que credenciam o protocolo como um dos principais emissores de stablecoin do mercado cripto.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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