Fluxos recorde e atividade máxima, mas o mercado ainda precifica SOL como altcoin
Os seis fundos spot de Solana nos Estados Unidos acumularam US$ 1,22 bilhão em entradas líquidas desde outubro de 2025, quando começaram a negociar. O número bateu recorde na semana passada, impulsionado por cinco sessões seguidas de captação.
Na segunda-feira (24), o grupo recebeu US$ 33,5 milhões em um único dia, a maior entrada registrada em 2026. O total da semana somou quase US$ 95 milhões entre 18 e 25 de agosto.
A concentração, no entanto, é um alerta. A Bitwise, com o fundo BSOL, responde por quase 80% do total acumulado, US$ 968 milhões dos US$ 1,22 bilhão. A Fidelity entrou com US$ 204 milhões e a Grayscale, com US$ 121 milhões. O Tuttle acumula saídas líquidas de US$ 102 milhões desde o lançamento.
Os fundos e a concentração em um único emissor
O auge nos fundos regulados coincide com um marco na própria rede. A Solana processou 4,2 bilhões de transações em julho, alta de 13,5% em relação a junho e de 91% desde dezembro de 2025. O número é inédito na história da blockchain.
O limite de capacidade por bloco foi ampliado em 66% no mês passado, passando de 60 milhões para 100 milhões de compute units, o que permitiu absorver mais transações sem congestionamento.
Os meme coins contribuíram para o aumento de volume. O turnover semanal de negociação spot na rede atingiu US$ 5,2 bilhões no início de agosto, o maior nível do ano, depois de cair para US$ 1,8 bilhão em maio. Ao mesmo tempo, o valor total de ativos reais tokenizados chegou a US$ 3,73 bilhões, com mais de 313 mil endereços segurando pelo menos um desses ativos.
A Solana também processou US$ 5,77 bilhões em volume tokenizado no segundo trimestre, outro recorde. A rede se consolidou como a segunda maior em valor total de ativos reais tokenizados, atrás apenas da Ethereum.
Apesar desses números, o SOL opera a US$ 96, queda de 50,9% em 12 meses e 67,2% abaixo da máxima histórica de US$ 293,31. A capitalização de mercado gira em torno de US$ 56 bilhões, e o TVL (total de valor bloqueado) na rede é de US$ 5,6 bilhões na DeFiLlama, com variação de 25% nos últimos 30 dias.
A desconexão entre fundamentos e preço tem razões estruturais. A maior parte dos US$ 1,22 bilhão chegou nos dois primeiros meses de operação, entre outubro e dezembro de 2025. Depois disso, os fluxos estagnaram por seis meses.
O ciclo de cinco sessões positivas na semana passada é o primeiro sinal de recuperação consistente desde janeiro, mas uma semana de entradas não apaga meio ano de estagnação.
Governança e infraestrutura apontam para catalysts
Do lado da governança, duas propostas que podem alterar a dinâmica de oferta do SOL aguardam votação dos validadores até 27 de agosto. A primeira (SIMD-0553) substitui a taxa fixa por uma cobrança baseada em recursos consumidos, elevando a queima diária de cerca de 650 para até 9.000 SOL.
A segunda (SIMD-0550) dobra a taxa anual de desinflação de 15% para 30%, acelerando a chegada à meta de 1,5% de inflação para 2029, três anos antes do previsto. Juntas, as propostas removeriam 18,9 milhões de SOL de emissão futura ao longo de seis anos.
No plano técnico, a Solana reduziu o slot time de 400 para 350 milissegundos em agosto, como detalhado em matéria anterior do Labonews. É o primeiro passo de um plano que pretende chegar a 200 milissegundos. O upgrade Alpenglow, que promete finalidade em menos de 150 milissegundos, foi aprovado por 99% dos validadores em 21 de agosto e deve entrar em mainnet em outubro.

O Firedancer, cliente validador escrito em C pela Jump Crypto, está operacional desde dezembro e amplia a diversidade de implementações na rede.
Os dados apontam para uma rede em expansão técnica e institucional que o mercado ainda não precificou proporcionalmente. A combinação de fluxos recorde, atividade em alta e melhorias de infraestrutura define o cenário para os próximos meses. Se o preço acompanhar os fundamentos, a diferença entre o que a Solana entrega e o que o mercado oferece pode se fechar rápido.
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