Bitcoin

Mercado liquida US$ 1,08 bilhão em 24 horas com bitcoin a US$ 86,6 mil

O bitcoin fechou a janela rolante de 24 horas negociado a US$ 86.620, depois de abrir o mesmo período em US$ 80.814,90, uma alta de 7,18%. A máxima chegou a US$ 87.385,10 e a mínima a US$ 80.734,10, em um intervalo em que o mercado liquidou US$ 1,08 bilhão. Quem apostava na queda respondeu por US$ 919,75 milhões dessa conta, fatia de 84,80%, contra US$ 164,80 milhões perdidos pelo lado comprado. A desproporção entre os dois grupos chegou a 5,6 para 1.

Liquidações por lado e por janela de tempo
Liquidações por lado e por janela de tempo, em dólares. As posições vendidas concentram 84,8% do total de 24 horas.

O total saiu de 139.529 traders liquidados em 24 horas. A maior ordem única somou US$ 20,86 milhões, no contrato BTC-USD da Hyperliquid.

Shorts encerrados à força

A OKX publica cada ordem de liquidação executada, e a leitura do contrato BTC-USDT entre 17h26 e 18h15 de 21 de setembro, no horário de Brasília, mostra o que aconteceu. Do lado vendido, o trecho acima de US$ 87.000 concentrou 4.926,53 BTC liquidados, enquanto 99,74 BTC comprados foram encerrados a US$ 86.500. O mecanismo é conhecido. Ao ser levado ao gatilho, o short é fechado à força e a exchange executa uma compra a mercado, e é essa corrente que empurra a cotação para cima, sem que o comprador apareça por escolha própria.

O recorte traz apenas as cem ordens mais recentes do contrato e, sem paginação por tempo, vale como amostra de poucas horas, não como agregado do dia.

Posições abertas e funding neutro

O open interest acompanhou o movimento. Na Binance Futures, o contrato BTCUSDT tinha 108.960,188 BTC em posições abertas, avaliadas em US$ 9,44 bilhões na cotação da janela. Na Bybit eram 60.935,245 BTC, ou US$ 5,28 bilhões. No agregado de todo o mercado cripto, o estoque de posições chegou a US$ 159,21 bilhões, alta de 8,12% na janela. O volume de derivativos somou US$ 313,7 bilhões, avanço de 102,99%. Na janela de 12 horas, o total liquidado foi de US$ 650,94 milhões, com US$ 532,88 milhões em posições vendidas.

Entre as posições abertas em todo o mercado, 51,66% estão compradas e 48,34% vendidas, proporção que quase não se mexeu na alta de 7,18%.

O funding dos perpétuos aponta para o mesmo lado. Na Binance, o contrato estava em 0,00502% a cada oito horas, e na Bybit em 0,007805% no mesmo intervalo. Os dois valores ficam na faixa de neutralidade, sem prêmio que justifique otimismo do lado comprado. O que empurrou o preço, nesse quadro, foi o fechamento compulsório de quem estava vendido, e não dinheiro novo entrando para apostar na alta. Os dois valores são do contrato perpétuo de cada casa.

Onde o fluxo se concentrou

No recorte de 4 horas, a Binance liderou em liquidações, com US$ 69,04 milhões, a Hyperliquid somou US$ 51,44 milhões e a Bybit US$ 21,01 milhões.

Na Binance Futures, o giro da janela somou 288.336,94 BTC, o que dá US$ 24,30 bilhões. A Bybit movimentou US$ 9,65 bilhões no contrato linear, e o volume agregado de bitcoin em 24 horas, somando as principais casas, chegou a US$ 59,53 bilhões, com o preço da Bybit a US$ 86.609,70, em linha com a Binance. A máxima de US$ 87.383,60 no contrato linear da Bybit confirma que o movimento foi amplo e não ficou em uma corretora só.

O ranking de uma hora tem o bitcoin na frente, com US$ 42,19 milhões liquidados, ether com US$ 26,93 milhões e XRP com US$ 3,24 milhões.

A rede não mostrou sinal de estresse com a alta. O poder de processamento estava em 963,5 exahashes por segundo, e as transações das últimas 24 horas somaram 631.155. A mempool tinha 82.507 transações pendentes, e as taxas sugeridas ficaram baixas, na faixa de 1 a 3 satoshis por peso virtual. Taxa baixa e fila curta significam que a valorização não veio acompanhada de congestionamento. O volume on-chain na janela foi de US$ 647,8 milhões, em 7.482,46 BTC.

O dado mais recente e já consolidado dos ETFs americanos de bitcoin à vista, em 18 de setembro, mostra entrada líquida de US$ 433,03 milhões.

A sequência dos quatro dias anteriores mostra a virada. No dia 15 o fluxo ficou negativo em US$ 450,4 milhões, e no dia 16 a sangria somou mais US$ 295,9 milhões. A virada veio no dia 17, com entrada de US$ 159,5 milhões, e no dia 18 o número subiu para US$ 433,03 milhões, puxado por US$ 310,7 milhões do FBTC e US$ 108,4 milhões do IBIT. No saldo dos quatro dias, as saídas ainda superam as entradas em US$ 153,77 milhões.

Fluxo diário dos ETFs americanos de bitcoin à vista
Fluxo líquido diário dos ETFs americanos de bitcoin à vista, em milhões de dólares. Saídas em 15 e 16 de setembro e entradas em 17 e 18.

O Federal Reserve elevou a meta dos Fed Funds para 3,75% a 4,00% ao ano em 16 de setembro, com a inflação ainda classificada como elevada.

Às 18h15 de 21 de setembro, o bitcoin valia US$ 86.620, o open interest agregado do mercado estava 8,12% maior e o funding seguia neutro nas duas maiores casas. A perna de alta veio de posições vendidas encerradas à força, não de novas posições compradas. A sustentação do preço na faixa de US$ 86 mil passa a depender de fluxo novo, já que o estoque de shorts que empurrou a cotação até aqui ficou menor. O próximo dado capaz de responder a isso é o fluxo dos ETFs de 21 de setembro, ainda sem consolidação.

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