O aplicativo da Meta bateu ChatGPT, Grok e Claude em 22 dias
O aplicativo foi baixado mais de 5 milhões de vezes e ficou 12 dias seguidos no topo da lista de aplicativos gratuitos dos Estados Unidos, tanto na Apple quanto no Google. O número chama atenção, mas o dado que diz se aquilo virou produto de verdade é outro.
Os números vêm da Sensor Tower, uma empresa de pesquisa de mercado. Para chegar na mesma marca, o ChatGPT da OpenAI levou 56 dias, o Grok da xAI levou 103 e o Claude da Anthropic levou 492.
O número que atrapalha a leitura
Baixar um aplicativo e continuar abrindo ele todo dia são coisas diferentes, e a diferença aparece logo nos números.
Mais de 3 milhões de pessoas mandam um comando por semana no Muse, e mais de 1 milhão chegam a mandar um por dia. São números internos da Meta, vistos pelo veículo The Information. Considerando quem apenas aprova uma ação sem escrever nada, o total passa de 4 milhões.
A base de usuários reais é menor que o número de downloads, mas ainda assim é grande para um produto com três semanas de vida. Na primeira semana, o Muse tinha 500 mil usuários.
A campanha por trás do número
A Sensor Tower aponta que parte da velocidade veio de dentro da própria Meta.
A empresa passou a anunciar o Muse nos aplicativos dela e nos do WhatsApp no dia 16 de setembro, e os downloads subiram 73 % em relação ao dia anterior. Nas duas semanas seguintes, o Muse chegou a ocupar 50 % de todos os anúncios internos da Meta nos Estados Unidos, enquanto Facebook e WhatsApp perderam espaço. No mesmo período, entrou entre as 15 marcas com mais propaganda no país.
O que o Muse faz de diferente
O que separa o Muse dos outros assistentes não é o modelo de linguagem, é o computador em que ele roda.
Ele roda em uma máquina virtual só dele, chamada Muse Secure VM, onde ficam guardados os dados da pessoa e as credenciais dos serviços conectados. Um segundo agente, chamado Sentinel, roda na mesma máquina mas separado do Muse, e nada do que o Muse faz chega à internet sem a aprovação do Sentinel.
Segundo a Meta, o Muse não enxerga senhas nem dados de pagamento. Quando a pessoa precisa pagar, o sistema gera um cartão de uso único e o número do cartão de verdade fica escondido.
A empresa também afirma que as conversas do Muse não são compartilhadas com o sistema de anúncios da Meta, e que dá para desligar o uso das conversas para treinar os modelos.
O pagamento no checkout é feito pelo Link, da Stripe, e a Meta afirma ser a primeira empresa de inteligência artificial coberta pelas proteções de compra do serviço. Ainda neste ano a empresa promete uma versão em que nem a Meta consegue ler os dados do usuário.
O tamanho da aposta
O Muse está apenas nos Estados Unidos e no Canadá, em iPhone, Android e navegador. Em 29 de setembro a Meta anunciou uma versão para pequenas empresas, com integração a Shopify, Slack, Stripe, Canva, Dropbox e Notion.
A velocidade de downloads não diz se as pessoas vão continuar usando. Uma família de aplicativos que alcança bilhões de pessoas no mundo todo deixou o Muse com uma fração desse público. A marca mede quanto o aplicativo foi baixado, e não quanto dele vai sobrar no dia seguinte.
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