A MARA moveu 1.650 BTC no mesmo dia em que a FERC liberou a usina em Ohio
Às 10h desta quinta-feira em Brasília, a agência federal que regula o setor elétrico dos Estados Unidos, a FERC, publicou a ordem que autoriza a MARA Holdings a comprar a Long Ridge Energy & Power, usina movida a gás de 505 megawatts no estado de Ohio. Nas mesmas horas, o Lookonchain apontava 1.650 BTC deixando carteiras ligadas à mineradora com destino à Galaxy Digital, à Copper e a outras plataformas. Aos preços desta quinta, são cerca de US$ 132,8 milhões.
Por trás da coincidência há uma conta. O negócio foi anunciado por cerca de US$ 1,51 bilhão, valor que inclui a dívida assumida. Perto de US$ 900 milhões são dívida da Long Ridge que passa para o balanço da compradora, e aproximadamente US$ 610 milhões precisam ser pagos em dinheiro na hora de assumir a usina. Os 1.650 BTC movimentados nesta quinta equivalem a quase 22% desse valor.
De onde sai o dinheiro
O caixa para a operação vem de empréstimos garantidos por bitcoin. Em 4 de agosto, a companhia fechou US$ 750 milhões em linhas totalmente sacadas, sendo US$ 450 milhões com a Coinbase, que incluíram US$ 300 milhões novos mais a rolagem de uma linha antiga de US$ 150 milhões, e US$ 300 milhões com a Two Prime. A carta aos acionistas do segundo trimestre diz que os recursos podem financiar parte do valor em dinheiro da Long Ridge. As duas dívidas vencem em agosto de 2028, com juros atrelados à taxa básica americana mais 3,875% ao ano na Coinbase e taxa fixa de 7,65% na Two Prime.
Para destravar esse dinheiro, a MARA penhorou 18.750 BTC, pouco mais da metade das 35.577 moedas que tinha em 30 de junho. Os contratos exigem colateral suficiente a todo momento. Se a garantia cair abaixo do combinado e não for reposta, o credor pode executar os bitcoins. Moeda que se move por esse motivo não passa por corretora, e a Copper atende esse tipo de operação, com custódia e gestão de garantias por meio de um sistema próprio chamado ClearLoop. A Galaxy opera mesa de negociação e também custódia.
Venda também não está descartada, e o acumulado do último mês mostra o tamanho do que passou pelas plataformas. Em 9 de outubro, 996 BTC foram para uma carteira da Galaxy. Em 19 de outubro, 1.000 BTC rumaram para a Binance e a Gate. Nos dias 27 e 28, mais 1.000 BTC em cada dia foram para a BitGo. Com os 1.650 de agora, são 5.646 BTC em menos de um mês, cerca de US$ 457 milhões somando o valor de cada lote na data em que saiu.
O número que o mercado usa tem quatro meses
Toda estimativa sobre a tesouraria da MARA parte do mesmo dado, as 35.577 moedas de 30 de junho, última posição que a empresa divulgou. Levantamentos públicos de tesourarias corporativas repetem esse total até hoje, com data de atualização em 7 de agosto. Se cada uma das cinco transferências tivesse sido venda, restariam perto de 29.900 BTC. Nenhuma delas foi confirmada como venda pela companhia, e a conta serve para mostrar a ordem de grandeza do que saiu, não para fixar um saldo.
A atualização chega em 9 de novembro, quando a empresa divulga o balanço do terceiro trimestre depois do fechamento do mercado americano. É o documento que atualiza duas informações que hoje circulam em versão antiga, a quantidade de bitcoins em caixa e o total penhorado nos empréstimos.
A janela para concluir o negócio também é curta. O fechamento dependia da autorização da FERC e deve ocorrer nas próximas semanas, com data limite em 30 de novembro, prorrogável em algumas condições. O contrato prevê multa de US$ 75 milhões em certas hipóteses de desistência.
O que a reserva rendia antes
Vender bitcoin já era rotina na MARA antes desta quinta. No primeiro semestre, a companhia se desfez de 23.093 BTC e levantou cerca de US$ 1,6 bilhão, quantia que foi usada sobretudo para recompra de dívida. Só no segundo trimestre foram 2.213 BTC a um preço médio de US$ 73.078, o equivalente a 91% de tudo que a empresa minerou no período.
O preço de agora está acima dessa média. Por volta das 11h desta quinta, o bitcoin era negociado perto de US$ 79,4 mil, com alta de 1,7% em 24 horas. A esse valor, cada moeda vale cerca de 8,7% mais do que os US$ 73.078 por unidade que a companhia conseguiu no trimestre encerrado em junho.
Na bolsa, a ação fechou a quarta-feira a US$ 6,87, queda de 4%, meio dólar acima da mínima de 52 semanas, que é de US$ 6,37. Do outro lado da operação está a usina de 505 MW que, pelos números da própria empresa, aumenta em mais de 300% sua capacidade de geração própria e, somada às instalações que a MARA já mantém no local, chega a mais de 1 GW.
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