Os ETFs de bitcoin tiveram o melhor dia em um mês, e a BlackRock fez quase toda a compra
A segunda-feira trouxe US$ 526,7 milhões de entrada líquida para os ETFs de bitcoin dos Estados Unidos, o maior saldo diário desde 22 de setembro, na contagem da Farside. Quase tudo veio de um fundo. O IBIT, da BlackRock, captou US$ 665,2 milhões, mais do que o resultado final do conjunto, e os outros onze produtos devolveram US$ 138,5 milhões somados.
As saídas se concentraram em dois produtos. O FBTC, da Fidelity, perdeu US$ 83,6 milhões, e o GBTC, da Grayscale, US$ 54,9 milhões. Nove dos doze fundos fecharam a sessão zerados, entre eles o ARKB, da Ark com a 21Shares, o BITB, da Bitwise e o MSBT, do Morgan Stanley.
Para o IBIT, é a maior captação diária desde 7 de outubro do ano passado, quando recebeu US$ 899,4 milhões. É também o melhor dia do fundo em 2026, acima dos US$ 648,4 milhões de 14 de janeiro. No preço desta terça-feira, perto de US$ 82,3 mil, os US$ 665,2 milhões compram cerca de 8 mil bitcoins. O saldo do dia equivale a 6,4 mil moedas, quase duas semanas de toda a emissão nova da rede, que entrega 450 bitcoins por dia aos mineradores.
O peso do IBIT no segmento não é novidade. O fundo acumula US$ 66,2 bilhões de entrada líquida desde o lançamento, acima dos US$ 57,5 bilhões do conjunto, porque o GBTC devolveu US$ 28 bilhões aos cotistas desde que virou fundo negociado em bolsa.
O mês estava no vermelho antes de segunda-feira
Até a sessão de sexta, 16 de outubro, o mês acumulava US$ 614,7 milhões de saída líquida em doze pregões. As duas semanas anteriores tinham devolvido US$ 678,9 milhões e US$ 228,4 milhões. O saldo de segunda cobriu 58% do que saiu nessas duas semanas. Mesmo assim, o mês segue negativo em US$ 88 milhões em treze pregões, com média diária de US$ 6,8 milhões devolvidos.
A queda do preço não afastou o comprador
O bitcoin vale hoje cerca de 65% do que valia no recorde de US$ 126 mil, de 6 de outubro do ano passado. O MVRV, que compara o preço com o custo médio de quem comprou, voltou ao patamar em que a moeda esteve mais barata em três quartos do histórico recente.
Do lado de quem compra com balanço próprio, o ritmo caiu. A Strategy, maior tesouraria corporativa do ativo, comprou 267 bitcoins nos sete dias até 18 de outubro, a terceira seguida de aquisições pequenas, e destinou nove vezes mais dinheiro à recompra de ações preferenciais do que à moeda.
A Galaxy Research acompanha a disputa entre a demanda institucional e a oferta de quem guardava moedas havia anos. O indicador da casa soma as entradas dos fundos e as compras das empresas e desconta o bitcoin que voltou a circular depois de mais de cinco anos sem se mover. Na conta até 18 de outubro, a venda de detentores antigos superou a absorção institucional em 127.319 bitcoins. Só em outubro, o saldo está negativo em cerca de 20 mil moedas, mesmo com os fundos ainda positivos em US$ 355 milhões no acumulado do ano.
O apetite não se espalhou para o resto do mercado
No mesmo dia, os fundos de ether devolveram US$ 103,3 milhões, na contagem da Farside, e os de solana, US$ 6,7 milhões. A entrada de segunda ficou restrita ao maior ETF de bitcoin do mercado e não apareceu nos fundos dos outros ativos.
Fora dos fundos, o ambiente segue adverso. O Federal Reserve decide a taxa na reunião de 28 de outubro, com os juros do Tesouro americano para dez anos no maior nível desde 2002. A QCP, que opera derivativos de cripto, avalia que uma nova rodada de queda das bolsas tende a reduzir a demanda que os fundos mostraram no começo da semana.
No acumulado de outubro, o IBIT soma US$ 854,7 milhões em entradas. Os outros onze fundos devolveram US$ 942,7 milhões no mesmo período.
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