Macro

RBC aponta risco de queda de 10% no S&P 500

A RBC Capital Markets emitiu um alerta sobre o índice americano, projetando uma queda de 5% a 10% no curto prazo. A instituição, contudo, mantém a projeção de alta nos próximos doze meses.

Os futuros do S&P 500 caíram 0,2% após notícias de que forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos. O conflito militar no Golfo fez o petróleo Brent passar de US$ 100 por barril, no pico desde julho. O avanço da commodity reacendeu temores inflacionários e afetou o apetite por risco em Wall Street. O juro do título americano de dez anos avançou para 4,8%, sinalizando que o mercado precifica juros elevados por mais tempo. Jim Reid, da Deutsche Bank, notou que os preços crescentes de energia estão suprimindo a tomada de risco em múltiplas classes de ativos. O movimento no mercado de renda fixa reforça a percepção de que o Federal Reserve pode manter a taxa básica estável por um período prolongado.

Três frentes de risco para o S&P 500

A estrategista Lori Calvasina, chefe de estratégia de ações americanas da RBC, identificou três catalisadores para a postura cautelosa. O primeiro é a sazonalidade. Dados mostram que o índice americano fechou em baixa em metade dos últimos dez setembros. Historicamente, o mês é marcado por fluxo de volta às aulas, retorno de férias e repositionamento de carteiras.

O segundo fator é o risco político ligado às eleições de meio de mandato. A análise da RBC indica que anos de eleição geram turbulência acentuada no segundo semestre. A inteligência artificial emergiu como tema de campanha, e os mercados de apostas indicam vitória democrata, cenário que, segundo o histórico analisado pela instituição, costuma ser menos favorável ao desempenho das ações.

O terceiro risco são as tensões com o Irã. Calvasina destacou que o confronto militar abalou a confiança dos consumidores. O ataque aos petroleiros iranianos cria um ambiente de instabilidade que afeta decisões de consumo e investimento.

Reação dos mercados

Os futuros do Dow Jones recuaram 152 pontos, ou 0,3%, enquanto os do Nasdaq 100 caíram 0,2%. Os índices americanos já haviam fechado em baixa na sessão anterior, pressionados pela alta do petróleo. Os custos elevados de energia intensificam as pressões inflacionárias. O mercado aguarda os dados do CPI de sexta-feira, que podem influenciar a próxima decisão do Federal Reserve sobre a taxa básica de juros.

Gráfico: Variação dos índices e cenário RBC para o S&P 500
Fonte: RBC Capital Markets, Trading Economics, Reuters

As ações de menor capitalização enfrentam dificuldades desde o fim de junho, quando a probabilidade de novos aumentos na taxa de juros ganhou força. O índice Russell 2000 acumula perdas no trimestre, refletindo o impacto do custo mais alto de capital sobre empresas menores.

Nem todos os setores operaram no vermelho. Ações ligadas à inteligência artificial atraíram compras apesar da pressão mais ampla. A Qualcomm e a fabricante de armazenamento Sandisk registraram ganhos no pré-mercado. A Apple realizou seu lançamento anual de dispositivos na quarta-feira, com expectativa do mercado por um modelo de iPhone dobrável. A apresentação da empresa de Cupertino tradicionalmente dita o ritmo do setor de tecnologia para o fim do ano.

O ouro também reagiu ao cenário geopolítico. O metal subiu 1% na quarta-feira, com investidores buscando ativos seguros em meio à escalada militar no Golfo. O petróleo avançou 3% no mesmo período.

Meta de 8.150 pontos se mantém

A RBC manteve sua projeção de doze meses para o S&P 500 em 8.150 pontos. A meta representa uma apreciação de aproximadamente 6% em relação ao fechamento de 8 de setembro e está entre as mais otimistas de Wall Street. Calvasina reforçou que cada um dos cinco modelos usados pelo banco para estabelecer a previsão continua indicando retornos positivos ao longo dos próximos doze meses. A cautela de curto prazo não invalida a tese de longo prazo.

O recado da RBC é de cautela imediata, não de pânico. A instituição reconhece riscos concretos no horizonte, mas mantém a projeção de alta para os próximos doze meses.

⚠️ Aviso importante

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