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Ripple vê avanço dos criptoativos mesmo sem aprovação da CLARITY Act

O CEO da Ripple fez um novo apelo público ao Senado pela aprovação da CLARITY Act nesta terça feira, horas antes de uma votação que pode definir o futuro da proposta. A votação não aprova a lei, apenas permite que o Senado avance para a discussão formal. Mas o movimento revela algo maior. A indústria de criptoativos não está mais pedindo permissão para existir.

O ponto central da posição de Garlinghouse está nessa distinção. Ele não trata a CLARITY Act como condição para a sobrevivência do setor. Reconhece que o ecossistema continuará crescendo sem ela. Mas defende que uma legislação federal traria a previsibilidade que empresas, investidores e instituições financeiras precisam para decidir onde concentrar capital e operações nos Estados Unidos.

A diferença é entre crescer no escuro e crescer com regras claras. Uma legislação federal estabeleceria uma divisão mais nítida entre a SEC e a CFTC sobre quem regula o quê. Também criaria categorias para diferentes tipos de tokens e definiria obrigações para intermediários. A versão mais recente recebeu mais de cem alterações durante o recesso parlamentar. Incluem-se ajustes sobre protocolos de finanças descentralizadas que não sejam considerados suficientemente descentralizados.

A senadora Cynthia Lummis apresentou o texto atualizado em 10 de setembro. A expectativa é que o Senado vote a cláusula de procedimento na terça feira. Se falhar, o projeto não morre tecnicamente, mas atrasos adicionais dificultam a aprovação em 2026.

O que trava o consenso

O setor de criptoativos defende uma legislação capaz de separar projetos digitais das estruturas tradicionais de valores mobiliários. É uma demanda antiga. Clareza regulatória para não depender da interpretação de uma única agência.

Mas parte do setor bancário continua preocupada com stablecoins e com produtos de rendimento que possam competir pelos depósitos tradicionais. Outra disputa envolve regras de ética e conflitos de interesse ligados a autoridades públicas que mantêm negócios com criptoativos. Democratas pressionaram por restrições adicionais. Republicanos tentam preservar votos suficientes para colocar o projeto em movimento.

O Congresso continua sendo o caminho para transformar orientações regulatórias em estrutura permanente. Sem isso, cada mudança de governo redesenha o tabuleiro. A SEC já trabalha em novas regras para ofertas de tokens. A CFTC amplia sua participação no mercado. Duas agências, duas visões, nenhum marco comum.

Essa diferença explica a insistência de Garlinghouse. Uma administração pode alterar prioridades regulatórias sem esperar uma nova lei. Uma divisão de competências aprovada pelo Congresso teria maior estabilidade e reduziria a possibilidade de uma mudança política alterar rapidamente as condições de operação das empresas.

As frentes que avançam

A legislação federal sobre stablecoins já criou uma estrutura específica para esse segmento. A SEC colocou em consulta uma proposta chamada Regulation Crypto Assets. A CFTC trabalha na expansão de produtos ligados a ativos digitais. O vácuo legislativo não significa estagnação regulatória.

As agências já mudaram sua atuação. Uma eventual derrota da CLARITY Act não significaria o retorno automático ao cenário anterior. O problema seria a ausência de uma estrutura única para organizar essas iniciativas. Decisões separadas, cada uma com seu próprio cronograma e interpretação.

Para empresas como a Ripple, essa diferença é relevante. O setor precisa de previsibilidade para contratar, estabelecer operações, lançar produtos e negociar com bancos. Uma empresa pode funcionar diante de regras fragmentadas, mas decisões de longo prazo ficam mais difíceis quando a interpretação regulatória depende de mudanças administrativas. O mercado também precisa separar a expectativa sobre a lei de uma aposta direta no preço do XRP.

A aprovação poderia melhorar a percepção institucional sobre ativos digitais. Mas não cria automaticamente demanda por XRP nem determina sua cotação.

O longo caminho até a aprovação

Garlinghouse sabe que a proposta ainda pode enfrentar obstáculos depois da votação de terça feira. Mesmo que o Senado alcance os 60 votos, haverá debate e outras etapas antes de uma aprovação definitiva. O texto também precisará ser compatibilizado com a versão da Câmara dos Representantes. Dois Congressos, duas versões, um longo processo de reconciliação.

Por isso, a declaração do executivo deve ser entendida mais como defesa do processo do que como previsão de resultado. Garlinghouse está plantando uma semente, não colhendo um fruto. A Ripple tem interesse direto em um marco federal definido, mas o argumento ultrapassa a empresa.

O setor continuará avançando enquanto Washington decide qual formato regulatório pretende adotar. A votação de terça feira não encerra a disputa. Ela mostra se o Senado ainda consegue manter aberta a possibilidade de uma legislação ampla para ativos digitais em 2026.

Caso avance, a indústria ganha tempo para negociar os pontos restantes. Caso não avance, empresas e investidores continuarão acompanhando SEC e CFTC enquanto aguardam outra oportunidade.

Para o mercado de criptoativos, a questão central deixou de ser apenas saber se haverá regulação. O debate agora envolve a forma como essas regras serão construídas e sua permanência ao longo das próximas administrações. A indústria pode continuar sem a CLARITY Act, mas terá de conviver por mais tempo com um sistema formado por decisões separadas.

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