A MEXC perde o acesso ao sistema financeiro dos EUA e a ordem não tem data para terminar
O Tesouro americano cortou nesta sexta-feira, 6 de novembro, o acesso da MEXC ao sistema financeiro dos Estados Unidos. São pelo menos US$ 16 bilhões em transações ligadas a evasão de sanções, crimes cibernéticos e outros crimes entre maio de 2021 e maio de 2026, segundo a ordem da FinCEN. O dinheiro passa por Irã, Coreia do Norte e Rússia.
Vinte e quatro páginas sustentam uma frase central. Instituições financeiras alcançadas pela regra americana ficam proibidas de enviar ou receber qualquer transferência de ou para a MEXC. A definição usada é a da lei de prevenção à lavagem de dinheiro dos Estados Unidos, que vai de bancos a processadores de pagamento com operação no país.
O texto não bloqueia saldo de cliente nem obriga a corretora a devolver depósito. Para quem opera a MEXC a partir do Brasil, nada muda. O alvo são as instituições americanas que fariam a ponta em dólar, e é essa ponta que passa a estar fechada.
Há também uma particularidade no prazo. A ordem entra em vigor 30 dias depois da publicação no Federal Register, o diário oficial americano, e não tem data para acabar. Até o fim da tarde desta sexta, o texto não estava no Federal Register, e o arquivo divulgado pela FinCEN ainda trazia o espaço reservado para a data, entre colchetes.
A definição de MEXC na ordem inclui filiais, subsidiárias e escritórios fora dos Estados Unidos, além de qualquer empresa que assuma a operação com outro nome. Unidades dentro dos Estados Unidos ficam de fora do alcance do texto.
O que a corretora fez até junho
O caso foi montado sobre a Rússia. Segundo a FinCEN, a MEXC movimentou quase US$ 1,5 bilhão em transações ligadas a evasão de sanções russas, sendo US$ 232 milhões em operações diretas com empresas sancionadas pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido e pela União Europeia.
O trecho mais direto trata da Garantex. A corretora russa foi sancionada em abril de 2022 e, depois do bloqueio, passou a operar por meio da Grinex. Segundo a FinCEN, a MEXC seguiu processando transações com as duas até junho de 2026, mais de quatro anos depois da primeira sanção, e movimentou US$ 26 milhões pelo esquema A7 e quase US$ 200 milhões com o A7A5, a stablecoin usada pelo grupo para clientes que tentavam driblar as sanções.
Irã e Coreia do Norte aparecem na sequência. O documento cita cerca de US$ 1 bilhão em transações diretas com mais de 40 corretoras iranianas identificadas, algumas delas sob sanção, e US$ 22 milhões em operações para o Banco Central do Irã e para a Guarda Revolucionária. Também menciona pagamentos de resgate de ransomware e movimento ligado a mercados da darknet.
O tamanho da corretora
Fundada em 2018 e sediada nas Seychelles, a MEXC processava mais de US$ 1 bilhão por dia em setembro e mantinha cerca de US$ 5 bilhões em reservas, no cálculo do Tesouro. São mais de 3.000 ativos negociados, e a corretora aparece entre as 20 maiores do setor.
A ordem faz parte da operação Economic Outcast. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que instituições financeiras não podem apoiar o regime iraniano e manter o acesso ao sistema americano ao mesmo tempo.
Antes disso, a MEXC já vinha de outros dois episódios neste ano. Em outubro, a corretora deu calendário para sair da França, com clientes divididos em quatro lotes e o último prazo em janeiro de 2027. No começo do mesmo mês, o Guardian Fund, que a empresa publicou para conferência pública, apareceu com mil bitcoins a menos do que o anunciado.
Até o fim da tarde desta sexta, não havia resposta pública da MEXC em seu site ou em suas redes sociais. A assinatura do documento é de Jimmy L. Kirby, diretor adjunto da FinCEN, e a proibição vale a partir da publicação no diário oficial, sem prazo para ser suspensa.
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