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Solana atrai capital, mas Fidelity ainda corre atrás da Bitwise

Os fundos de Solana à vista nos Estados Unidos registraram US$ 925 mil em entradas líquidas no último dia de agosto, segundo dados compilados pela SoSoValue. O valor parece pequeno ao lado dos picos de US$ 60,9 milhões registrados no mês, mas interrompeu uma sequência de saídas que marcou a segunda metade de agosto e devolveu algum otimismo ao segmento.

A Fidelity foi a única gestora a atrair capital na sessão. O FSOL, fundo à vista de Solana da casa, recebeu os US$ 925 mil e elevou seu acumulado histórico para US$ 213 milhões.

Os demais oito fundos do mercado americano não registraram movimento. Nem entrada, nem saída. O retrato do mês mostra um agosto historicamente forte. As entradas acumuladas superaram US$ 174 milhões com duas sessões ainda a realizar, consolidando agosto como o mês mais expressivo de 2026 para a categoria. O pico ocorreu em 27 de agosto, quando US$ 60,9 milhões entraram de uma vez, o terceiro maior resultado diário desde o lançamento dos fundos em outubro do ano passado, atrás apenas dos US$ 69 milhões de setembro e dos US$ 67 milhões de novembro.

A concentração em um único emissor

O volume de negócios naquela sessão atingiu US$ 196,8 milhões. Novo recorde diário, superando os US$ 166,8 milhões da segunda-feira anterior. A Bitwise segue na liderança disparada do segmento. O BSOL, fundo com staking integrado, absorveu cerca de 66% de tudo que entrou em Solana no dia 27 de agosto, cerca de US$ 40,2 milhões. O veículo ultrapassou US$ 1 bilhão em patrimônio líquido pela primeira vez e acumula entre US$ 1,01 bilhão e US$ 1,03 bilhões em entradas desde a estreia.

Cerca de 9,3 milhões de tokens SOL estão alocados no BSOL. O número representa uma fatia significativa da oferta circulante retirada de circulação, o que reduz a pressão vendedora no mercado secundário e reforça a segurança da rede ao mesmo tempo.

A diferença entre os produtos com e sem staking se acentua. O BSOL e o GSOL operam com todos os tokens em staking e repassam o rendimento aos cotistas. O FSOL segue como veículo de exposição pura, sem mecanismo de rendimento. Para um investidor institucional que compara alternativas, a diferença de 6 pontos na taxa de retorno ao ano pesa na decisão de alocação.

O mercado de ETFs de Solana estreou em 28 de outubro de 2025, depois que a SEC aprovou as regras genéricas de listagem para fundos de criptoativos em setembro do mesmo ano.

Em menos de um ano, a categoria saiu do zero para US$ 1,436 bilhão em patrimônio líquido, com US$ 1,341 bilhão em entradas acumuladas. Nove fundos à vista operam nos Estados Unidos, emitidos por Bitwise, Fidelity, Grayscale, Morgan Stanley, VanEck, 21Shares, Franklin Templeton, Canary Capital e Invesco Galaxy. A maioria oferece alguma forma de staking, seguindo o modelo que se mostrou mais atraente para o capital institucional. O staking de Solana rende ao redor de 7% ao ano, e produtos como o BSOL repassam a maior parte desse retorno. A taxa de administração do BSOL é de 0,20% ao ano, uma das mais baixas do setor.

O preço do SOL operou em torno de US$ 98,46 na véspera do dado de fluxo, com queda de 5,71% em 24 horas. A capitalização gira ao redor de US$ 57,6 bilhões.

O staking ratio da rede permanece entre 65% e 67% da oferta circulante, o que reduz a pressão vendedora naturalmente. São cerca de 385 milhões de SOL delegados em validação.

O preço e o desafio da Fidelity

A combinação de entrada líquida em ETFs, volume recorde e staking ratio elevado desenha um cenário de acumulação institucional que contrasta com a correção de curto prazo no preço. O capital que entra nos fundos é comprado no mercado à vista e retirado da circulação, o que historicamente funciona como suporte de médio prazo.

Para a Fidelity, o desafio é reduzir a distância para a Bitwise. O BSOL responde por cerca de 77% de tudo que já entrou na categoria. O FSOL tem menos de um quinto desse total.

A questão é se a Fidelity vai ou não incorporar staking ao produto para competir em retorno total. A resposta deve vir nas próximas semanas, e o mercado atento vai ler o movimento como termômetro da estratégia da gestora para crypto.

Enquanto isso, o último dia de agosto fechou com o FSOL ativo e os demais parados. Um sinal de que o capital institucional segue seletivo.

Focado no que cada gestora entrega de concreto, o investidor institucional compara não apenas a taxa de administração, mas a presença de staking, a liquidez do veículo e a capacidade de atrair novos recursos de forma consistente ao longo do tempo.

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