S&P 500 abre em queda com o setor de chips em desconto
O S&P 500 começou a semana em queda nesta segunda-feira. O índice abriu aos 7663,38 pontos, contra o fechamento de 7674,37 da última sexta-feira, e operava em torno de 7650 pela manhã, com perda de 0,35%. A sessão confirma a cautela que dominou os últimos dias, quando o índice interrompeu uma sequência de três semanas de avanço.
A tecnologia responde pela maior parte da perda do dia.
O principal fundo de bolsa do setor de semicondutores cai 3,84% no pregão, depois de perder 5,5% na semana anterior. A Nvidia recua 2,45%, a US$ 209,47, a Advanced Micro Devices perde 4,34%, a Intel cai 4,97% e a Marvell Technology recua 5,37%. É a segunda sessão seguida de venda intensa, na véspera do balanço que define as expectativas de todo o grupo.
A semana que testa a aposta em inteligência artificial
O balanço da Nvidia na quarta-feira à noite é o evento que define a direção do setor.
O consenso do mercado aponta receita na casa de US$ 90 bilhões para o trimestre e lucro por ação na vizinhança de US$ 2,08. A ação saiu de máximas perto de US$ 220 na semana passada e encerrou a sexta aos US$ 214,72, em um deslocamento gradual de posições antes do resultado. O número do trimestre, por si só, diz pouco sobre o preço no dia seguinte. O mercado vai julgar a projeção da companhia para os próximos meses, dela dependendo a confirmação de que os gastos com inteligência artificial seguem crescendo no ritmo exigido pelas avaliações atuais.
O movimento das ações contrasta com o comportamento dos juros.
O rendimento do título americano de 10 anos recuou de 4,74% para 4,70% nesta manhã.
O Tesouro americano entra em cena
A queda dos juros tem origem em uma decisão do próprio governo. Funcionários de alto escalão da pasta informaram que o departamento pode usar a Conta Geral, cofre operacional que reúne perto de US$ 1 trilhão, para financiar o programa ampliado de recompra de títulos. A informação derrubou os rendimentos e devolveu força às ações no início da manhã, mas o alívio não chegou ao setor de chips. A medida completa o anúncio oficial de 19 de agosto, quando o Tesouro dobrou, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, o limite de cada operação de recompra de papéis longos, com vigência a partir de 9 de setembro. No documento, a pasta fala em dar liquidez aos setores longos da curva, e o mercado entendeu o recado de outra forma, com a leitura dominante de que o Tesouro quer impedir que os juros longos subam mais.
A semana encerrada já havia preparado o terreno para a sessão atual.
O S&P 500 perdeu 1,4% no período, a maior perda semanal desde julho, e o Nasdaq recuou 2,1%. O índice marcou o maior fechamento do ano em 13 de agosto, aos 7798,99 pontos, e desde então cai 1,9%. As vendas se concentraram nas empresas ligadas à inteligência artificial, e o repique de sexta-feira, formado em volume baixo de negócios, não alterou o quadro de fundo da correção.
O comércio exterior acrescentou um elemento novo ao pregão.
As negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá colapsaram na sexta-feira. O primeiro-ministro Mark Carney anunciou tarifas retaliatórias com início em 8 de setembro, direcionadas ao setor de aço americano. Na pré-abertura desta segunda, as siderúrgicas dos Estados Unidos operavam em alta com a perspectiva de proteção adicional, com Nucor ganhando mais de 4% e Steel Dynamics avançando 3,5%. O tema deve permanecer na agenda do mercado ao longo da semana, com alcance potencial além do aço.
Fora das ações, o dia registrou ouro em máxima e petróleo em queda.
Os futuros do ouro tocaram US$ 4.728 na manhã desta segunda, o maior nível desde 13 de maio. O bitcoin, que chegou a subir mais de 20% em uma única semana impulsionado pelo programa do Tesouro, estabilizou perto de US$ 77 mil no fim de semana e retomou a alta nesta segunda, para US$ 78,6 mil. As plataformas Coinbase e Robinhood recuavam cerca de 1% na pré-abertura, depois do repique expressivo do setor nos dias anteriores. O barril de petróleo WTI recuava quase 2%, a US$ 85,43.
A agenda segue cheia até a sexta-feira. O índice de preços de despesas pessoais, o PCE, sai na quarta-feira junto com o balanço da Nvidia. Na sexta, Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, faz o primeiro grande discurso de sua gestão no simpósio de Jackson Hole, e parte do mercado procura nele sinais do compromisso com o controle da inflação.
A abertura negativa com juros em recuo separa os dois temas da semana. O Tesouro cuidou do custo do crédito, e mesmo assim o capital continua saindo das empresas de chips, o que revela uma dúvida específica sobre o preço das companhias de inteligência artificial. Essa dúvida será respondida nos números que a Nvidia apresentar na quarta, e o discurso de sexta vai dizer se o Federal Reserve mantém espaço para o alívio que parte do mercado espera. Até lá, a cautela tende a prevalecer em um mercado que vem de uma semana inteira de perdas.
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