Tom Lee diz que os programas de IA vão ter carteira própria
Nesta sexta-feira, Tom Lee, presidente da Bitmine Immersion Technologies, voltou a colocar a corrida da inteligência artificial como o motor por trás da próxima alta do mercado de cripto. Na carta mensal enviada aos acionistas da companhia, ele afirmou que os programas de inteligência artificial passarão a fazer pagamentos por conta própria, com carteira e saldo, e que cabe à cripto manter uma pessoa no controle desse dinheiro.
Lee não fala como observador neutro. Ele preside a Bitmine, maior detentora corporativa de ether do mundo, e é cofundador da Fundstrat.
O argumento parte de uma mudança de uso. Esses programas já compram dados, capacidade de processamento e serviços de software no meio de uma tarefa, em operações pequenas e repetidas, muitas de centavos. O sistema de cartões cobra uma taxa fixa por transação, e esse custo inviabiliza a compra de centavos. É nesse espaço que as redes de pagamento programáveis ganham função.
A segunda parte da tese é política. Para Lee, uma rede pública e aberta permitiria a uma pessoa acompanhar e interromper o que um programa gasta, condição que ele trata como necessária para a economia das máquinas avançar. É o Ethereum que ele aponta como essa camada.
A distância entre a ideia e o volume ainda é grande. Um relatório da Keyrock cobriu os doze meses até abril de 2026 e encontrou, nos pagamentos feitos por programas de IA, 176 milhões de operações e um total pouco acima de US$ 73 milhões. O montante é uma fração mínima do que roda nos trilhos tradicionais. Só a Visa movimenta algo como US$ 14,5 trilhões em um ano. Quase toda essa movimentação, 98%, saiu em uma única stablecoin, o USDC, com valor médio de US$ 0,31 por operação.
Lee também aponta o mercado como prova. Quando os semicondutores corrigiram, a cripto subiu junto com o software, e ele lê isso como sinal de que o setor vem depois das máquinas.
O Ethereum é a aposta central da Bitmine. A companhia mantém uma tesouraria que beira os 6 milhões de ETH e persegue uma fatia de 5% de toda a oferta da rede. Chegar a esse nível levou 15 meses de compras semanais, quase todos em mercado de baixa.
O tamanho da posição transforma a tese em risco de balanço. Para Lee, um ether a US$ 62 mil levaria a ação da Bitmine a algo entre US$ 1.200 e US$ 1.500. O papel negocia perto de US$ 26.
A leitura não é nova. Lee repete o argumento desde julho e agora aposta que este seja o maior ciclo da história.
A Bitmine ainda precisa de cerca de 100 mil ETH para alcançar a meta que declarou. O mercado que daria sentido à tese somou, no último ano, US$ 73 milhões.
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