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BNB Chain ultrapassa Tron e vira maior rede de stablecoins em holders

A disputa pelo posto de maior rede de stablecoins ganhou um novo dono. A BNB Chain passou a Tron e assumiu a liderança em número de endereços que seguram esses ativos, segundo dados da plataforma de análise Token Terminal. É a primeira vez que a rede de Binance fica à frente da Tron nesse recorte.

São 79,3 milhões de holders na BNB Chain, pouco acima dos 76,1 milhões da Tron. A troca de posição colocou fim a um domínio que parecia consolidado.

A diferença é apertada, mas o sentido da mudança é claro. A liderança em stablecoins deixou de ser território exclusivo da rede criada por Justin Sun, e isso por si só já é um deslocamento relevante para o setor.

O movimento faz parte de um crescimento mais amplo do setor. No conjunto das redes, os stablecoins chegaram a 289 milhões de holders on-chain, com alta de 54,5% no período, o que reforça o avanço desses ativos como dinheiro digital de fato. Em menos de dois anos, o setor somou dezenas de milhões de novos endereços em todas as principais redes.

A trajetória da BNB Chain é o destaque. Desde o fim de 2024, o número de endereços que guardam stablecoins na rede saltou de cerca de 42 milhões para quase 80 milhões, um avanço de mais de 90% em menos de dois anos.

Esse crescimento acelerado permitiu encurtar a distância que separava a BNB Chain da Tron.

A Tron também cresceu, mas em ritmo mais lento. Foi exatamente essa diferença de velocidade que abriu o espaço para a ultrapassagem acontecer.

O dado de holders importa porque mede adoção real de carteiras, não apenas volume especulativo de negociação. Quando uma rede ganha endereços que seguram stablecoin, o sinal é de uso cotidiano, não de movimento de curto prazo.

Como a BNB Chain tomou a dianteira

Stablecoins funcionam como o principal ativo de liquidação em exchanges centralizadas, finanças descentralizadas e pagamentos.

Atrás das duas líderes, o ranking segue concentrado. A Ethereum tem cerca de 26 milhões de holders, a Celo aparece com 24,5 milhões e a Polygon com 21,7 milhões. Base, Solana e Arbitrum cresceram ao longo de 2026, mas seguem distantes das primeiras colocadas.

Para o ecossistema da BNB Chain, a base maior de usuários pode abrir caminho para mais liquidez circulando entre aplicativos descentralizados, o que tende a gerar mais oportunidades para a infraestrutura da rede como um todo. Em redes com muitos holders, o efeito costuma ser cumulativo, atraindo novos projetos e consolidando o uso dos stablecoins como espinha dorsal do ecossistema.

A posição central da Binance também ajuda a explicar o fluxo. A rede historicamente ofereceu algumas das taxas mais baixas da indústria, o que torna viável o uso em transferências de valor pequeno.

O avanço em adoção, porém, ainda não se traduziu em movimento equivalente no preço do BNB.

Adoção em alta, preço contido

O token negocia em torno de US$ 591 no momento em que esta matéria foi redigida, com o mercado avaliando os ganhos de uso da rede de forma cautelosa. No gráfico, o cenário melhorou em relação ao começo do verão, com o BNB recuperando as médias móveis de 20 e 50 dias.

O primeiro obstáculo técnico está em US$ 602, onde o ativo testa a média móvel de 100 dias.

Acima disso, o próximo alvo seria a média móvel de 200 dias, próxima de US$ 647. O volume, porém, segue contido, sugerindo espera por uma confirmação mais clara.

Há uma distinção que importa nessa leitura. A ultrapassagem aconteceu no número de holders, não no volume de stablecoins em circulação. Em supply, a Tron segue à frente, com um total circulante expressivamente maior do que o da BNB Chain.

São duas formas de medir a mesma história, e cada uma conta um pedaço do movimento, com a Tron mantendo força justamente no volume que circula.

A troca de liderança registra o peso da BNB Chain na adoção de stablecoins. Também expõe o risco de concentração, já que a rede depende da Binance como porta de entrada de novos usuários. A disputa, no fim das contas, ainda não tem um vencedor definitivo.

⚠️ Aviso importante

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