Volume de futuros em corretoras cai a US$ 4 trilhões, menor nível desde 2023
O apetite de risco no mercado de derivativos encolheu de forma expressiva em julho. O volume de contratos futuros perpétuos negociados em exchanges centralizadas de crypto caiu para cerca de US$ 4 trilhões no mês, o menor resultado desde dezembro de 2023, segundo levantamento da plataforma de dados CryptoRank. O número marca um recuo de mais de dois anos e meio na atividade, em um intervalo em que o mercado chegou a negociar mais de US$ 6 trilhões por mês em períodos de maior fervor.
É o fim de uma retomada que durou três meses.
Entre abril e junho, o volume vinha se recuperando em todas as principais plataformas, alimentado por ondas de especulação pontuais. Em julho, esse fôlego acabou. Segundo a CryptoRank, nenhuma grande corretora escapou da queda, o que indica uma retração generalizada de posições e não apenas um movimento isolado de alguma venue específica.
A Binance segue no topo, mas menor.
A maior corretora do mundo movimentou cerca de US$ 1,4 trilhão em futuros no mês, seguida pela OKX, com US$ 607 bilhões, e pela Bybit, com US$ 300 bilhões, de acordo com os dados da CryptoRank. Mesmo nesse cenário, a Binance mantém uma fatia dominante do mercado, em torno de 35% do total, posição que vem sendo reforçada em relatórios trimestrais de concorrentes e de agregadores de dados.
O recuo também chegou aos mercados descentralizados
As plataformas de perpétuos que rodam em blockchain, os chamados DEX, também sentiram o aperto. O volume desses mercados vem caindo de forma consistente desde o pico de outubro do ano passado, quando somou cerca de US$ 1,36 trilhão em um único mês. Em março deste ano, o total já havia recuado para a casa de US$ 699 bilhões, e a tendência de baixa se manteve nos meses seguintes, segundo dados agregados da DefiLlama e relatórios de mercado. A retração dos perpétuos descentralizados acompanhou, na prática, o mesmo ritmo de aperto visto nas corretoras, ainda que parta de uma base menor.
A Hyperliquid lidera esse segmento, com mais de US$ 180 bilhões em volume no mês.
A queda conjunta de derivativos centralizados e descentralizados reforça a leitura de que o mercado está reduzindo posições de forma ampla, sem refúgio claro em nenhum tipo de plataforma.
O movimento acontece num cenário de preços acomodados.
O bitcoin é negociado em torno de US$ 65 mil no momento em que esta matéria foi redigida, distante dos picos vistos em 2025. O volume diário total do mercado de crypto, somando todas as corretoras, girava perto de US$ 53 bilhões, nível que contrasta com os dias mais ativos dos últimos anos.
Volume menor costuma andar junto com menos liquidez.
Quando as posições diminuem, o mercado fica mais sensível a movimentos bruscos de preço, porque há menos ordens para absorver os grandes fluxos. Ao mesmo tempo, a queda de atividade em derivativos pode indicar que os traders estão aguardando um direcionamento mais claro antes de voltar a se posicionar.
O que observar na frente
O mercado segue atento ao volume de contratos em aberto, chamado de open interest, que mede quantas posições seguem ativas nas corretoras e nas plataformas descentralizadas. Se esse indicador começar a subir com financiamento positivo, sinal de que os traders pagam para manter posições compradas, pode ser o primeiro sinal de que a especulação está retomando. Esse é o número que costuma antecipar os movimentos mais fortes de preço.
O volume de futuros é um termômetro sensível do apetite de risco.
A retração dos últimos meses devolveu a atividade de derivativos a patamares que não eram vistos desde o fim de 2023, um período de acumulação que precedeu uma fase de alta mais forte. Se a história servir de referência, o mercado pode estar se preparando para uma nova etapa, ainda que a recuperação dependa de catalisadores que ainda não apareceram e de um retorno de confiança dos traders.
Por ora, a queda é ampla e confirma a cautela.
Os números de julho mostram que o mercado de futuros encolheu de ponta a ponta, tanto nas corretoras centralizadas quanto nas plataformas descentralizadas, sem espaço para exceções relevantes. A Binance segura a liderança mesmo menor, e a atividade depende de um novo impulso para retomar o ritmo visto no meio do ano.
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