IA e Tecnologia

Grupo de espionagem da Coreia do Norte adota IA em ataques

O grupo de hackers da Coreia do Norte ligado ao serviço de espionagem do país montou um ambiente de inteligência artificial local para automatizar parte de seus ciberataques. A descoberta é da Genians, empresa sul-coreana de segurança, e foi divulgada na segunda-feira.

A Kimsuky, como o grupo é chamado, instalou ferramentas que rodam modelos de linguagem sem depender de serviços externos.

Kimsuky opera seus próprios modelos de linguagem

Os programas identificados foram o Ollama, o GPT4All e o Msty.

Todos servem para executar inteligência artificial diretamente em máquinas próprias, longe dos provedores públicos de nuvem. A escolha pelo processamento local tem um motivo claro, já que ao não enviar informações a serviços externos o grupo reduz o risco de que material sensível ou roubado vaze para provedores que possam rastrear a origem da informação.

A Genians encontrou ainda indícios de outras peças no conjunto.

Entre elas, ferramentas de agentes de IA, programas de transcrição de voz e o Cursor, um assistente de codificação que reforça o quadro de automação.

A combinação aponta para um uso mais amplo da tecnologia.

A análise da empresa sugere que a Kimsuky estuda integrar a inteligência artificial ao desenvolvimento de malware, à análise de dados roubados e à automação de ataques, e os documentos isca também mudaram de cara. O grupo passou a usar IA para criar relatórios de investimento em ativos digitais falsos que imitam documentos financeiros reais, a ponto de dificultar a distinção entre o original e a falsificação.

A Kimsuky opera sob o Bureau de Reconhecimento Geral, o órgão de inteligência militar da Coreia do Norte, e foi sancionada pelo Tesouro dos Estados Unidos em 2023 como unidade de espionagem controlada pelo Estado.

O histórico de ataques dá a dimensão do risco.

Hackers ligados à Coreia do Norte roubaram mais de US$ 2 bilhões em criptomoedas em 2025, segundo dados da Chainalysis, um aumento de 51% na comparação com o ano anterior, com o total acumulado pelo país passando de US$ 6 bilhões.

Os fundos roubados alimentam o programa de armas do Estado, e os ativos digitais viraram, assim, um alvo estratégico.

Ainda assim, a Genians vê o trabalho com a IA ainda em fase de pesquisa.

A empresa não encontrou evidências de que o grupo tenha treinado modelos próprios até o momento, descrevendo o estágio como de aprendizado, com o foco na aquisição de conhecimento e não na produção de modelos.

O que chama atenção é a direção. A mesma infraestrutura usada hoje para criar phishing pode servir, amanhã, para automatizar a análise de dados roubados em escala, em um salto do engano para a automação que muda o ritmo e a abrangência das operações, permitindo ao grupo processar um volume muito maior de alvos do que antes.

Da criação de iscas à automação dos ataques

A tecnologia de recuperação de informações, conhecida como RAG, permite que os modelos busquem conteúdo em documentos selecionados, ajudando o grupo a extrair contas e alvos de materiais comprometidos.

Os programas de transcrição de voz, por sua vez, podem transformar áudios capturados em texto.

Para o mercado de criptomoedas, o alerta é direto. Os ativos digitais seguem entre os alvos preferidos desses grupos, e a dimensão dos roubos em 2025, mesmo sem contar o impacto da inteligência artificial, já posiciona a Coreia do Norte como a maior ameaça do setor.

A adoção de IA adiciona uma camada nova a esse cenário. O mesmo padrão que torna os documentos de phishing mais convincentes pode ser usado para escalar os ataques e tornar a detecção mais difícil.

O país segue sendo o principal suspeito em boa parte dos grandes roubos do setor, e a tecnologia usada para executar os ataques também está evoluindo.

A Kimsuky ainda não treina seus próprios modelos, mas já demonstra o caminho que pretende seguir. O restante do setor de segurança assiste, enquanto o intervalo entre a pesquisa e o uso real encolhe.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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