MARA desmonta reserva de bitcoin enquanto migra para data centers de IA
A MARA, uma das maiores mineradoras públicas de bitcoin, encolheu sua tesouraria em 29% em um único trimestre, ao fechar junho com 35.577 bitcoins, ante os cerca de 50 mil do início do ano, segundo o balanço do segundo trimestre divulgado na semana passada. O desmonte acontece enquanto a companhia reorienta o negócio para data centers de inteligência artificial.
A venda não foi pontual.
O tamanho do desmonte na tesouraria
Ao longo do primeiro semestre, a MARA vendeu mais de US$ 1,5 bilhão em bitcoin, em uma escala que a coloca na contramão de pares que seguem acumulando o ativo, como a Strategy. O dinheiro levantado foi usado, em grande parte, para recomprar dívida e reforçar o caixa, e a própria direção tratou a operação como um uso estratégico da reserva, não como um abandono da moeda.
Uma fatia relevante, cerca de US$ 1,1 bilhão, saiu ainda em março.
Nesse movimento, a mineradora trocou 15.133 bitcoins por caixa para recomprar notas conversíveis e desalavancar o balanço. As 35.577 moedas restantes valem cerca de US$ 2,1 bilhões a preços de mercado, saldo que ainda mantém a MARA entre os maiores detentores públicos do ativo, porém já abaixo da posição ocupada no trimestre anterior.
Por trás da venda está uma mudança de prioridade.
A empresa sinalizou que não pretende fazer grandes aquisições de máquinas ASIC, o equipamento usado para minerar, e passou a apostar na transformação de sua infraestrutura de energia em capacidade para IA, a aposta que deve ocupar a companhia nos próximos anos. Cerca de 90% da capacidade de mineração não hospedada pode, no limite, ser redirecionada para inteligência artificial e computação de alto desempenho, segundo a própria companhia.
O acordo para comprar a planta de energia Long Ridge, em Ohio, por US$ 1,5 bilhão, reforça essa leitura.
O preço de migrar da mineração para a IA
O movimento tem um custo imediato. A receita do segundo trimestre recuou 27% na comparação anual, para US$ 174,9 milhões, e o prejuízo líquido chegou a US$ 611,3 milhões, pressionado pela marcação a mercado do bitcoin, que caiu ao longo do período. Ainda assim, a mineração não saiu do jogo, com 2.422 bitcoins extraídos no trimestre, um hashrate energizado de 70,3 exahash por segundo e cerca de US$ 2,5 bilhões em caixa e liquidez combinados ao fim de junho.
A leitura do mercado sobre o papel mudou junto.
Antes avaliada pelo quanto acumulava de bitcoin, a empresa passou a ser vista como operadora de energia e infraestrutura, onde a moeda vira munição de balanço quando convém. O caso contrasta com o da Strategy, que mantém uma política de acumulação e segue comprando o ativo em janelas de queda, o que torna as duas estratégias opostas de tesouraria em um mesmo mercado.
Para quem observa a oferta, o dado relevante é o volume que sai de reservas corporativas.
Vendas dessa magnitude, ainda que planejadas, adicionam pressão de venda ao mercado e ajudam a explicar parte da resistência do bitcoin em romper níveis acima dos US$ 65 mil, onde a moeda é negociada agora, segundo a CoinGecko. O bitcoin segue sendo o negócio central da MARA, mas deixou de ser o único. A empresa transformou sua maior reserva em ferramenta de capital, e o que ela financia, da recompra de dívida aos data centers de IA, diz mais sobre a nova fase do que qualquer discurso.
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