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Fim da Alloy deixa donos de XAUT sem rota clara após 17 de setembro

A Tether marcou para 17 de setembro o fim da Alloy, a plataforma que permitia emitir aUSDT usando ouro físico como garantia, e os números que sobraram são pequenos, mas reveladores. Os dados da API oficial da Alloy mostram cinco posições abertas, com 399.088,74 aUSDT de dívida e 194,41 XAUT dados como colateral, cerca de US$ 850 mil em ouro preso na porta de saída de um produto que a própria empresa decidiu enterrar.

O número que circulou na manchete original era outro.

Falou-se em US$ 50 milhões em risco, mas esse valor é o limite máximo de emissão do contrato, não a dívida real. A oferta total do aUSDT é de 50.000.005 unidades, e a maior parte desse montante nunca saiu do contrato, ficando ociosa à espera de quem quisesse emitir. A dívida efetiva, medida pela própria API da Alloy, é de 399.088,74 aUSDT, menos de 0,8% do teto.

Os cinco donos de posição respondem por quase tudo o que resta.

O maior deles carrega 300.750 aUSDT de dívida contra 127,18 XAUT de colateral, cerca de US$ 556 mil em ouro, seguido por uma posição de 95.308 aUSDT com 65,22 XAUT, aproximadamente US$ 285 mil. As outras três são menores, e a última é uma fração de centavo em dívida com 0,000012 XAUT de garantia. Juntas, as cinco somam menos de 1% do teto de emissão, e os endereços estão na API, com a identidade protegida pelas carteiras autorizadas.

A Alloy nasceu em junho de 2024 como o primeiro ativo sintético da Tether. O usuário depositava XAUT, o token que representa uma onça troy de ouro físico guardado na Suíça, e recebia aUSDT, uma stablecoin sobrecolateralizada que rastreava o dólar, com a relação entre dívida e colateral limitada a 75% sob pena de liquidação.

O conceito funcionou por um tempo, mas o apetite não acompanhou.

A Tether anunciou em 17 de junho o encerramento em fases, bloqueando novas emissões no mesmo dia e dando três meses para os clientes devolverem aUSDT e resgatarem XAUT. Desde então, a dívida aberta caiu 56% e o colateral encolheu 58,7%, segundo a comparação entre o relatório de 30 de junho e a API de 10 de agosto.

O que acontece com quem não devolver a tempo

O comunicado oficial é claro sobre o corte, mas silencioso sobre o depois.

Os termos da Alloy dizem que o XAUT refletido na posição continua sendo do cliente, porém está prometido à Tether AbT e não é mantido como ativo segregado em nome do usuário. A partir de 17 de setembro, a rota de recuperação deixa de existir, e nenhum documento publicado descreve um processo alternativo depois do prazo.

A única forma de liberar todo o ouro é devolver todo o aUSDT emitido.

O FAQ da plataforma é explícito, e a operação tem custo. Cada devolução cobra 25 pontos-base de taxa, o mesmo valor cobrado na emissão, e quem comprou aUSDT no mercado secundário não herda o direito ao colateral de posição alguma, o que torna o resgate um problema individual de cada endereço.

As contas de terceiros sobre quem são os afetados também falham.

A API da Alloy lista 209 endereços com saldo, enquanto o Etherscan mostra 80, e nenhuma das duas contagens corresponde às cinco posições abertas. Um cliente pode controlar mais de um endereço autorizado, o que significa que o número real de pessoas com ouro preso pode ser ainda menor do que cinco.

O contraste com o Tether Gold

O encerramento da Alloy coincide com a aposta cada vez maior da Tether no XAUT.

As reservas de ouro da empresa cresceram 9,5% no segundo trimestre, para mais de 146 toneladas, mesmo com o metal caindo 14,1% no período. O XAUT negociava perto de US$ 4.374 na terça-feira, com o ouro spot em US$ 4.453, segundo a CoinGecko e a Yahoo Finance, e o CEO Paolo Ardoino já classificou os momentos de fraqueza do metal como oportunidade para acumular ouro respaldado.

A Alloy foi o experimento, o XAUT é o produto.

A empresa fechou a plataforma sintética para concentrar recursos onde vê demanda mais forte, e os números mostram que a decisão tem lógica de negócio. O que ficou sem resposta é o destino das cinco posições que não se moveram até agora, com um prazo de pouco mais de um mês e nenhuma rota publicada para depois dele.

Os 194,41 XAUT presos valem menos de US$ 1 milhão no total.

O risco financeiro para a Tether é irrelevante diante de um balanço com US$ 183 bilhões em market cap da USDT, mas o precedente importa. Uma plataforma que encerra atividades deixando colateral de clientes sem caminho claro de resgate pós-prazo é o tipo de caso que reguladores e críticos de stablecoins usam como exemplo, e o dia 17 vai testar se os cinco endereços aparecem antes da porta fechar.

⚠️ Aviso importante

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