DeFiLlama classifica 128 tokens em tempo real com notas de AAA a CCC
128 tokens passaram a ter uma nota de crédito em constante atualização.
A DeFiLlama e a Forgd, banco de investimento focado em tokens, apresentaram nesta quarta-feira o Universal Token Ratings, um serviço que aplica aos criptoativos a lógica centenária das notas das agências de crédito. As notas variam de AAA a CCC e a pontuação vai de 0 a 100. O painel oficial está disponível em defillama.com/universal-token-rating, com a lista completa dos avaliados e os critérios da metodologia.
Das 128 classificações emitidas até agora, apenas uma é AAA.
A Uniswap (UNI) lidera o ranking com 60,01 pontos e é o único protocolo no topo da escala. Na faixa seguinte, conhecida como AA, aparecem Meteora com 56,70, Raydium com 52,32, Curve DAO com 52,18, Jito com 50,90, ether.fi com 50,59, Dogecoin com 50,14, Zama com 49,28 e Pyth Network com 47,48, entre outros nomes conhecidos do mercado, como Solana, Aave e Avalanche.
A faixa AA termina perto dos 40 pontos, e a partir daí vêm as notas A e BBB.
Como a nota é calculada
A metodologia divide a avaliação em dois eixos e multiplica os resultados. O primeiro mede a transparência das informações divulgadas pelo próprio projeto, como a distribuição dos tokens, os cronogramas de liberação e a alocação reservada à equipe. O segundo mede o desempenho do ativo no mercado em relação ao que foi divulgado, com base em liquidez, volume negociado e eventos on-chain.
A nota final é o produto dos dois eixos.
Quem publica relatórios completos mas não tem o mercado confirmando a história não chega longe na classificação, e o inverso também vale. A nota é revisada a cada movimento relevante do ativo, sem veredito definitivo para nenhum projeto.
A diferença para o modelo das agências tradicionais está na frequência. A Moody’s classifica títulos desde 1909 e revisa as notas em intervalos. No caso do UTR, a classificação acompanha dados on-chain e de mercado permanentemente. Um desbloqueio de tokens que traga oferta nova ao mercado ou uma retirada súbita de liquidez aparecem na nota em pouco tempo, mesmo que os documentos do projeto não tenham mudado.
Com isso, o painel entrega a cada atualização uma leitura nova do ativo, calculada pelo que o mercado fez desde a nota anterior.
O peso das notas para as instituições
O lançamento coincide com a busca de fundos e gestoras por parâmetros padronizados entre projetos. As duas empresas apresentam a classificação contínua, baseada em dados verificáveis, como uma forma de dar às instituições um critério comum de comparação, no mesmo espírito dos ratings de dívida que existem há mais de um século.
Os dados atuais ajudam a dimensionar o que está sendo avaliado. O valor total travado no DeFi soma US$ 87,9 bilhões, conforme os registros da DeFiLlama, e a Uniswap, o protocolo com a melhor nota, responde por US$ 3,44 bilhões desse total. O token UNI é negociado a US$ 4,38, com capitalização de US$ 2,73 bilhões e alta de 2,45% nas últimas 24 horas. A escala dos números envolvidos sustenta a aposta de que o padrão pode emplacar no setor.
A classificação não substitui a análise de cada ativo.
O sistema funciona como um filtro padronizado que pesa as informações divulgadas contra o comportamento de mercado, e o próprio painel avisa que as notas mudam. Um projeto pode cair de faixa em poucos dias se a estrutura do seu mercado piorar.
Projetos que não estão na lista podem se candidatar a ser avaliados, conforme a metodologia publicada na plataforma. A DeFiLlama apresenta a classificação como uma extensão natural da sua função original de medir o DeFi com dados públicos, e a Forgd contribuiu com o desenho do critério e a leitura de mercado.
Resta saber se o mercado vai adotar o critério como referência comum.
A discussão não é nova. As agências tradicionais já criaram metodologias específicas para ativos digitais, como as avaliações de stablecoins. O UTR amplia essa lógica para o conjunto dos tokens e se apoia apenas em métricas que qualquer usuário pode conferir no painel.
O diferencial do sistema está na origem dos dados. Um painel que se atualiza sozinho, alimentado por liquidez, volume e eventos on-chain, transforma a avaliação de ativos em um processo contínuo. Para um setor que sempre cobrou transparência dos outros, ter a própria transparência medida publicamente, sem depender de relatórios periódicos, pode ser o teste mais direto já criado até aqui.
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