Bitcoin

ETF de bitcoin da BlackRock rende mais que o S&P 500 desde 2024

O iShares Bitcoin Trust, o ETF de bitcoin à vista da BlackRock conhecido pelo ticker IBIT, acumula desde a estreia em janeiro de 2024 um retorno total que superou o do fundo da Vanguard que replica o S&P 500. A comparação ganha peso porque coloca frente a frente um produto com menos de três anos de história e o índice de ações mais usado como referência de mercado nos Estados Unidos. São dois veículos passivos, mas de naturezas opostas. O VOO compra as quinhentas maiores empresas americanas e entrega o desempenho médio da bolsa. O IBIT acompanha a cotação de uma única criptomoeda, o bitcoin, sem nenhum filtro de seleção ou gestão ativa.

O que destravou o resultado foi o próprio ativo, não a gestão do fundo. O bitcoin subiu cerca de 81% desde o lançamento, saindo de aproximadamente US$ 42,8 mil no início de 2024 para perto de US$ 77,5 mil na leitura mais recente. Esse movimento de valorização carregou o IBIT junto, já que o produto guarda as moedas de forma física.

O que explica o retorno do IBIT acima do S&P 500

Em retorno acumulado, o fundo terminou em patamar semelhante ou ligeiramente à frente do fundo da Vanguard.

O S&P 500 subiu de forma relativamente constante, sustentado pelo desempenho das grandes empresas de tecnologia. O bitcoin passou por quedas de dois dígitos em vários momentos, incluindo correções superiores a 30% a partir do pico, antes de voltar a se recuperar. Apesar da montanha-russa, o ponto de chegada foi o mesmo, o que explica por que a comparação entre os dois produtos virou tema de análise no mercado americano.

Essa combinação de volatilidade e resultado final ajuda a explicar a posição de mercado do fundo.

O IBIT é hoje o maior ETF de bitcoin do mundo, com cerca de US$ 61,4 bilhões em ativos confirmados na página oficial da gestora, o que equivale a mais de 790 mil bitcoins mantidos em custódia. O segundo colocado, o Wise Origin Bitcoin Fund da Fidelity, fica bem atrás, com patrimônio na casa de US$ 11 bilhões a US$ 15 bilhões, uma distância de três a quatro vezes em relação ao líder. Nenhum outro produto da categoria chegou perto da escala do IBIT.

A liderança também se manifesta na liquidez, já que o fundo concentra a maior parte do volume negociado entre os ETFs de bitcoin.

Isso atrai investidores institucionais que precisam de capacidade para entrar e sair sem deslocar o preço, um requisito comum entre fundos que movimentam somas grandes, e reforça a posição dominante do produto no setor.

Por que o IBIT se tornou o maior ETF de bitcoin

O contexto de lançamento explica parte dessa vantagem. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos aprovou os primeiros ETFs de bitcoin à vista em 10 de janeiro de 2024, encerrando uma década de negativas. Onze produtos estrearam no dia seguinte, e a BlackRock entrou com a maior base de distribuição entre os concorrentes. Desde então, o IBIT virou uma porta de entrada para o capital institucional que não queria custodiar bitcoin diretamente. Fundos de pensão, gestoras e consultores financeiros passaram a usar o ETF como forma de exposição regulada à criptomoeda, o que ajudou a sustentar a demanda pelo ativo.

A gestora também cresceu nesse período, ultrapassando US$ 15 trilhões em ativos sob gestão no segundo trimestre de 2026, um recorde para qualquer empresa de investimentos. O braço de cripto, embora pequeno frente ao total, virou uma linha de receita relevante. O desempenho do IBIT, no entanto, não deve ser lido como garantia de continuidade, já que o fundo entrega a volatilidade do bitcoin, estruturalmente mais alta do que a de um índice de ações.

Quem comprou no pico de outubro de 2025 passou por uma correção forte antes de ver o retorno voltar ao positivo.

Também é preciso separar o mérito do produto do efeito do ativo. O IBIT replica o preço do bitcoin menos a taxa de administração, e o ganho acumulado é, em essência, o ganho da criptomoeda no período. O que diferencia o fundo dos concorrentes é a escala e a penetração, com entradas líquidas bilionárias mesmo em fases adversas.

Essa característica o distingue dos produtos menores da categoria, que não alcançam o mesmo volume de capital.

A criptomoeda operava perto de US$ 77,5 mil na última leitura, cerca de 1% abaixo do nível da véspera, ainda dentro de uma faixa de recuperação iniciada em meados de agosto. O movimento recente ajudou a recompor o patrimônio dos fundos do setor.

O que a comparação com o VOO não mostra

O caso ilustra uma mudança de fundo. Um ETF de bitcoin, com menos de três anos, conseguiu acompanhar e, na margem, superar o principal índice de ações dos Estados Unidos no mesmo período. O placar final depende da janela exata de medição, mas a conclusão é sólida. O que fica é a constatação de que o bitcoin, apesar da volatilidade, produziu retorno comparável ao das ações americanas desde o início de 2024, e o IBIT foi o veículo que canalizou parte desse ganho para o mercado tradicional.

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