Stellar vira trilho de stablecoin da U.S. Bank em piloto ao vivo
Na quarta-feira, 9 de setembro, a U.S. Bank concluiu o primeiro piloto ao vivo do USBDC, sua stablecoin proprietária lastreada em dólar. A operação moveu dinheiro real entre suas filiais norte-americanas e europeias usando a blockchain pública da Stellar como infraestrutura de liquidação.
O piloto validou a Digital Asset Platform.
A transação cruzou fronteiras sem intermediários bancários tradicionais. A U.S. Bank movimentou capital entre continentes em tempo real, contornando o sistema de compensação interbancária que costuma levar dias para liquidar remessas internacionais. O teste avaliou emissão, resgate, congelamento e recuperação de fundos. O piloto examinou cada etapa do ciclo de vida da stablecoin em ambiente de produção.
A escolha pela Stellar
A escolha pela Stellar recaiu sobre a infraestrutura pronta da rede. A blockchain pública oferece liquidação quase instantânea e custos inferiores a um centavo por operação. O banco optou por não construir uma rede isolada, o que indica que enxerga viabilidade em trilhos abertos mesmo para grandes volumes institucionais.
A parceria começou em 2025.
Naquele ano, a U.S. Bank anunciou que experimentaria a emissão de stablecoins personalizadas na Stellar. Meses depois, o piloto saiu do papel e executou uma transação real com a moeda digital. A parceria entre as duas entidades evoluiu do conceito para a operação efetiva.
O código do USBDC inclui funções de freezing e clawback. Se um pagamento for enviado ao endereço errado ou acionar alertas de inteligência financeira, o banco pode congelar ou reaver os fundos imediatamente. A ferramenta atende a exigências regulatórias de compliance sem depender de terceiros.
Gunjan Kedia, chairman e chief executive officer da U.S. Bank, afirmou que o piloto demonstra a capacidade de mover recursos pelo mundo e acelerar a gestão de caixa. A executiva disse que o banco quer criar valor para clientes usando a nova tecnologia dentro do sistema bancário.
Jamie Walker, head of digital assets and money movement, destacou que o foco continua em entregar soluções que resolvam desafios reais de clientes mantendo segurança e confiabilidade.
Denelle Dixon, chief executive officer da Stellar Development Foundation, publicou no X que a parceria foi firmada no ano passado para testar emissão de stablecoin e que agora a U.S. Bank moveu valor real. Dixon classificou o movimento como exemplo de adoção institucional.
A Digital Asset Platform, validada durante o teste, permite interação sem costura entre a infraestrutura bancária tradicional e as redes blockchain. A plataforma integra finanças, risco, compliance e operações em um único sistema.
A Stellar abriga US$ 3,32 bilhões em ativos tokenizados do mundo real. A rede processa stablecoins de varejo como o USDC, que tem 685 mil detentores, mas também atende emissores institucionais. Entre eles estão Spiko e o YLDS, token da Figure.
O mercado de stablecoins ultrapassa US$ 300 bilhões em capitalização total. Tether e USDC dominam o segmento, enquanto emissores bancários tentam conquistar espaço com a credibilidade institucional que as fintechs do setor não têm.
O contraste com o consórcio
O movimento da U.S. Bank contrasta com o cronograma de um consórcio de 21 bancos globais, incluindo Goldman Sachs e Citi, que só promete lançar um token interbancário compartilhado no primeiro semestre de 2027. No que toca a um produto interno, a U.S. Bank, quinto maior banco comercial dos Estados Unidos, saiu na frente e testou uma solução funcional antes dos concorrentes.
O USBDC permanecerá restrito às operações internas da instituição por enquanto. Inicialmente, a stablecoin servirá somente para a tesouraria e a liquidação entre as próprias unidades do banco, sem que clientes externos possam acessá-la.
Aplicações futuras em avaliação incluem gestão de liquidez aprimorada, mobilidade de garantias, operações de tesouraria transfronteiriças e outros casos de uso institucionais onde a blockchain possa melhorar eficiência, transparência e velocidade de liquidação.
A Stellar negocia a cotação do XLM a US$ 0,1838, com queda de 3,49% nas últimas 24 horas e volume de US$ 166 milhões. O market cap da criptomoeda está em US$ 6,4 bilhões.
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