Macro

Bitcoin cai com PPI acima da meta e juro longo em Recorde

O yield do título americano de 30 anos atingiu 5,353% nesta quinta-feira, 10 de setembro, no maior fechamento desde junho de 2007. O movimento ocorreu mesmo com o Tesouro tendo recomprado 6 bilhões de dólares em títulos de longa duração na quarta-feira, o triplo do volume usual, em uma tentativa de resfriamento que o mercado simplesmente ignorou. O departamento esperava aliviar a pressão sobre o mercado de bonds, mas os yields continuaram subindo, refletindo a desconfiança em relação à trajetória fiscal de um país que carrega uma dívida de 37 trilhões de dólares. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, opera perto da máxima do ano.

O dado que acendeu a mecha foi o Producer Price Index de agosto, que subiu 0,4% em relação a julho e acumulou alta de 5,4% em doze meses, 0,1% acima do esperado. O núcleo, que descarta alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 4,7% no ano, indicando que a inflação permanece persistentemente acima da meta de 2% do Federal Reserve, mesmo com dois anos de aperto monetário e juros no nível mais alto em décadas.

Os preços de energia explodiram.

O índice subiu 4,2% em agosto, puxado pelo diesel, que saltou 24,1% no mês. Gasolina, querosene de aviação e óleo de aquecimento também subiram significativamente. Os serviços de transporte e armazenamento avançaram 2,3% no mês, com o frete de caminhão subindo 2,0%. A escalada geopolítica no Oriente Médio empurrou o WTI para acima de 100 dólares o barril, nível que não atingia desde 21 de maio. O Brent passou de 105 dólares, chegando perto da máxima de 16 semanas.

O aumento do preço do petróleo alimenta a inflação e reduz o apetite por risco simultaneamente. Para o mercado, o cenário é de juros mais altos por mais tempo, o que pressiona todos os ativos de risco, especialmente os que dependem de liquidez barata e de narrativa de crescimento imediato.

Gráfico de barras: indicadores macro de 10/Set/2026 (PPI 5,4%, 30Y Yield 5,353%, WTI $100, Eurozone 3,3%, FedWatch 69,8%)
Indicadores macro de 10/Set/2026. Fonte: BLS, CME FedWatch, TradingEconomics, Eurostat.

As apostas para o Fed saltaram.

O FedWatch subiu para 69,8% a chance de um aumento de 25 pontos-base no encontro marcado para a terceira semana de setembro. Na quarta-feira, o BCE subiu os juros em mais 25 pontos-base, levando a taxa de depósito a 2,50%.

A inflação da zona do euro foi a 3,3% em agosto.

A escalada da energia, com o barril acima de 100 dólares, empurrou a inflação européia bem acima da meta de 2% do BCE. Foi o segundo aumento dos juros europeus em 2026, e o mercado já precifica mais um aumento antes do fim do ano. Espanha tem inflação de 4,5% e a Alemanha está em 2,9%. O Fed se reúne na próxima semana com a inflação ainda distante da meta e um mercado de trabalho que, embora desacelerando, segue gerando vagas em volume acima do esperado. O payroll de agosto superou amplamente a média dos meses recentes.

O BTC chegou a ser negociado a 77.099 dólares durante o pregão americano, no menor nível em semanas.

A relação entre juros altos e correções no mercado de criptoativos é um padrão histórico consistente. O medo de um novo ciclo global está tirando capital dos ativos mais especulativos e levando para o dólar e para a renda fixa americana.

Gráfico de linha: BTC vs 30Y Yield nos últimos 30 dias - relação inversa entre preço do bitcoin e juro longo americano
BTC (laranja) vs Yield 30Y (vermelho) nos últimos 30 dias. Fonte: CoinGecko, TradingEconomics.

O relatório de inflação de amanhã é decisivo.

Caso supere 0,3% no mês, o aumento de juros no próximo encontro fica praticamente certo. Se ficar abaixo de 0,1%, o Fed provavelmente vai postergar a decisão. Enquanto o banco central não conseguir trazer o núcleo do PCE para perto de 2%, o ambiente permanece hostil aos criptoativos, sobretudo aqueles cuja valorização se baseia exclusivamente em especulação.

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