Mercado Crypto

O colateral parado no fim de semana ganha uma via de 24 horas

O nome escolhido pela Chainlink para destravar o colateral é Fulcrum, apresentado em 30 de setembro e mostrado ao lado do DTCC, a câmara de liquidação do mercado americano, durante o Sibos 2026, encontro do setor bancário realizado em Miami entre 28 de setembro e 1º de outubro. O sistema foi desenhado para bancos, gestoras e fundos financiarem posições com colateral guardado em redes diferentes, sem que a operação fique presa a uma única plataforma.

O gargalo está na mobilidade do colateral.

Perto de um quarto do colateral das grandes instituições permanece ocioso, segundo estimativa da Citi repetida pela Chainlink no material de lançamento. Para uma instituição de grande porte, a conta chega a US$ 346 milhões por ano em receita que deixa de ser realizada.

A causa é conhecida de quem opera no mercado. As janelas de liquidação fecham, os sistemas de cada instituição não conversam entre si e o colateral que poderia bancar uma operação fica preso.

Boa parte do crédito de curto prazo do mercado financeiro roda sobre acordos de recompra, os repos. Uma instituição entrega títulos como colateral, recebe dinheiro e se compromete a recomprá-los depois por um preço combinado. Levar esse mecanismo para redes públicas e privadas esbarra em um problema de logística. O dinheiro está em um lugar, o colateral em outro e as regras do acordo em um terceiro. O Fulcrum desvincula a gestão do contrato da ponta em que o dinheiro e os títulos são entregues.

Tudo passa por um único ponto de acesso.

Por ali, as contrapartes escolhem quais ativos aceitam, definem condições como a proibição de reutilizar o colateral em outras operações e decidem em qual rede a liquidação acontece. A escolha da rede deixa de determinar a escolha do ambiente onde o negócio é fechado, e a instituição consegue comparar condições entre diferentes locais antes de fechar o acordo.

A estrutura junta três peças que a Chainlink já operava. O Runtime Environment coordena o fluxo, ligando a criação do acordo, a checagem do colateral e a liberação do dinheiro. O CCIP faz a ponte entre redes públicas e privadas, levando dados e ativos de um lado para o outro. Os Data Streams entregam os preços usados na avaliação do colateral, inclusive os descontos que reduzem o valor reconhecido. A lista inclui redes compatíveis com a Ethereum e também redes de arquitetura diferente.

O acompanhamento vale para qualquer dia da semana.

Com a avaliação automática, a instituição acompanha a cobertura do colateral ao longo do dia e pode exigir reforço ou acionar a liquidação quando o valor cai abaixo do limite combinado. Hoje, esse tipo de controle costuma esperar o fechamento do pregão.

O que o Fulcrum não faz

O sistema não guarda os ativos, não atua como contraparte e não opera um ambiente de negociação. Cada acordo continua sendo fechado pelas partes e administrado nas plataformas que aderirem à estrutura. Recursos de conformidade, privacidade e inteligência artificial devem entrar depois, conforme a demanda dos usuários. A Chainlink informou que as integrações com ambientes de financiamento que já operam seguem em andamento.

A lista de interessados é ampla. Entram bancos e corretoras que financiam fundos, além de custodiantes e seguradoras.

Gestoras de fundos tokenizados, emissoras de stablecoins e tesourarias de empresas completam o grupo. Cada uma pode emprestar, tomar emprestado ou apenas mobilizar colateral dentro dos próprios limites de risco.

A vez do DTCC

No Sibos 2026, a câmara de liquidação americana e a Chainlink apresentaram juntas uma operação de financiamento com títulos que atravessou redes diferentes. Na Collateral AppChain, o DTCC vai usar o Runtime Environment da Chainlink e a camada de padrões de dados da empresa. A plataforma compartilhada serve para enxergar, avaliar e movimentar colateral. A entrada em operação está prevista para o quarto trimestre deste ano.

A parceria é anterior ao Fulcrum. Em maio, o DTCC já havia anunciado que a infraestrutura da Chainlink sustentaria a AppChain, com a promessa de acompanhar o colateral de perto ao longo de todo o dia.

O caminho institucional da rede vem de mais longe. A Chainlink já trabalhou com Swift, Euroclear, Mastercard, Fidelity International e UBS em projetos que levam dados e operações do mercado tradicional para redes públicas e privadas. Em 22 de setembro, a Infosys, empresa de tecnologia que sustenta sistemas bancários ligados a mais de 1,7 bilhão de contas de clientes no mundo, fechou parceria para padronizar o uso da plataforma entre as instituições que atende.

O acordo não nomeou nenhum banco, não divulgou valores e não trouxe prazo de entrada em produção. Até agora, o que existe é um canal de distribuição, sem implantação confirmada. O token da rede era negociado a US$ 14,34 nesta quinta-feira, com alta de cerca de 1% em 24 horas.

O Fulcrum chega sem data para uso amplo, e nenhuma operação em produção foi divulgada até agora.

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