O estoque de urânio segue nos túneis de Isfahan, e a pausa de Trump vale até a eleição
Nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não vai ordenar ataques ao Irã antes da eleição de meio de mandato de 3 de novembro. Na mesma mensagem, chamou as conversas com Teerã de produtivas e disse que mantém o bloqueio naval.
A pausa tem prazo político. O ponto que trava um acordo, o enriquecimento de urânio, continua igual, e o estoque já produzido segue fora do alcance dos inspetores desde junho do ano passado.
O que ele disse, e o que mudou
Na publicação, Trump escreveu que o bloqueio permanece em pleno vigor. Afirmou também que o petróleo está saindo em números recordes pelo Estreito de Ormuz, com 22 milhões de barris na noite anterior e nenhum barril vindo ou indo ao Irã. Terminou com a frase de que o Irã não ficará com uma arma nuclear.
A fala de quinta contraria o que ele mesmo havia dito na quarta-feira. Naquele dia, afirmou a repórteres que avaliava retomar os ataques antes da votação. O mercado reagiu na hora. O Brent, referência internacional, teve alta superior a 4% nesta quinta-feira e ficou acima dos US$ 104 por barril.
O que trava o acordo
O Irã recusa abrir mão do enriquecimento e de entregar o estoque que já acumulou, e trata a atividade como direito nacional. A exigência americana corre na direção oposta. O vice-presidente americano, JD Vance, disse que, para haver acordo, Teerã precisa reduzir de forma significativa a capacidade de enriquecer urânio.
Na quarta-feira, foi Trump quem rejeitou a última proposta apresentada por Teerã. Nas últimas semanas, os dois lados apresentaram propostas, sem nenhuma aproximação no ponto central.
O que os inspetores sabem
A Agência Internacional de Energia Atômica estimou em 440,9 kg o estoque iraniano de urânio a até 60% no momento dos primeiros ataques, em junho do ano passado. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, disse que o material guardado nos túneis de Isfahan passa de 200 kg, com outra parte em Natanz.
Os ataques daquele mês foram uma campanha aérea de doze dias de Israel e dos Estados Unidos contra as instalações nucleares do país. As três usinas de enriquecimento então conhecidas foram destruídas ou ficaram muito danificadas. Duas delas ficam em Natanz, e a terceira, em Fordow. Os túneis de Isfahan escaparam quase intactos, e quase metade do estoque de 60% estava guardada ali.
O urânio a 60% fica a um passo curto do nível usado em armas, de cerca de 90%. Chegar lá exige pouco enriquecimento adicional.
A agência já havia insistido pela volta dos inspetores em três cartas, entre novembro e fevereiro. Na resposta, o Irã disse que, nas circunstâncias atuais, não havia como retomar o regime normal de verificação, e citou os ataques que as instalações sofreram como razão para manter as portas fechadas.
O que a pausa não resolve
A decisão desta quinta tem data para acabar. Vale até 3 de novembro, e o impasse sobre o enriquecimento continua inteiro. A exigência de cortar a capacidade de enriquecer segue de pé, e o bloqueio naval também.
Do lado americano, o relógio é eleitoral. Trump tem repetido que espera uma queda forte no preço do petróleo depois da eleição, e a gasolina mais cara virou tema de custo de vida na campanha, na qual o partido do governo defende as duas maiorias no Congresso.
As instalações que o Irã declarou para enriquecimento não recebem inspetores desde junho do ano passado. Teerã também não informou o status nem a localização do material. Sem essa visita, a agência afirma que não pode confirmar o tamanho, a composição nem o paradeiro do estoque.
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