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O Standard Chartered passa a guardar a RLUSD e planeja usá-la como garantia

O Standard Chartered passou a guardar a RLUSD, a stablecoin emitida pela Ripple, em nome de clientes institucionais. O serviço foi anunciado na segunda-feira, 12 de outubro, e roda pela filial do banco no DIFC, a zona financeira de Dubai, sob a supervisão do regulador local, a DFSA. A custódia cobre apenas as unidades emitidas na XRP Ledger, a rede desenvolvida pela própria Ripple, e deixa de fora a RLUSD que circula na Ethereum.

O banco não informou quantos clientes aderiram ao serviço nem o volume sob custódia. Também não divulgou exigência mínima de saldo para a adesão.

O anúncio tem uma segunda parte, ainda sem data para entrar em operação. O banco trabalha ao lado da Ripple e da LMAX para que o valor da RLUSD mantida em custódia passe a contar como garantia em negociações na plataforma da LMAX. Os tokens não saem do Standard Chartered. A LMAX reconheceria o saldo espelhado, sem receber as unidades, e o desenho depende de documentação final, de testes, de aprovações internas e das regras de cada jurisdição.

A custódia dos tokens já funciona e não dependeu de novas aprovações. A garantia segue como projeto, sem prazo anunciado.

O Standard Chartered não entra nesse arranjo do zero. Em 2024, o banco começou a custódia de bitcoin e ether em Dubai. Em julho, passou a emitir e a resgatar USDC para clientes. Em setembro, a LMAX o escolheu como custodiante da própria operação, pelas unidades de Dubai e de Luxemburgo. A expansão continua com custódia de stablecoins prevista para Singapura até o fim do ano.

A Ripple persegue esse encaixe desde janeiro, quando fechou uma parceria de vários anos com a LMAX e aportou US$ 150 milhões no grupo. O objetivo era colocar a RLUSD como ativo de garantia nas mesas institucionais, ao lado de câmbio, futuros perpétuos e contratos por diferença.

O volume que passa por essas mesas mede o alcance da operação. A LMAX movimentou, em 2025, US$ 8,2 trilhões e atende bancos, corretoras e gestoras de recursos.

A custódia está no ar, a garantia ainda não

O que existe de concreto até aqui é a custódia dos tokens por um banco regulado. A função de garantia depende de um passo mais difícil, que é fazer a plataforma de negociação aceitar como margem um saldo que não está sob o seu controle. A lista de produtos que vão aceitar a stablecoin segue indefinida.

Custodiar e aceitar como garantia são operações distintas. O cliente mantém a RLUSD no banco e opera com outra margem.

A tesouraria queimou mais do que cunhou

Na mesma semana, a tesouraria que emite e resgata a stablecoin movimentou cinco transações. A emissora cunhou 38,6 milhões de unidades e retirou 50,6 milhões.

As duas cunhagens saíram na Ethereum, uma de 19 milhões e outra de 19,6 milhões de unidades. Na XRP Ledger houve três queimas, de 13 milhões, de 18 milhões e de 19,6 milhões de tokens. O saldo das cinco operações ficou negativo em 12 milhões.

Esse movimento não indica o que permanece em circulação. Clientes institucionais depositam dólares para receber as unidades e devolvem os tokens quando resgatam o dinheiro, e é nesse segundo movimento que as unidades saem do mercado. Na medição da DefiLlama, a RLUSD somava US$ 2,42 bilhões na terça-feira, 13 de outubro, sendo US$ 1,38 bilhão na Ethereum e US$ 1,04 bilhão na XRP Ledger. A oferta caiu cerca de US$ 80 milhões na semana.

Em agosto, o ritmo de cunhagens e queimas levou a oferta além de US$ 2,10 bilhões, e o total chegou a US$ 2,42 bilhões no mês seguinte.

A RLUSD vale 0,8% do mercado de stablecoins

A RLUSD é a nona maior stablecoin por valor de mercado e responde por 0,8% dos US$ 313 bilhões que circulam nesse segmento. À frente dela estão Tether, USDC, USDS, Ethena USDe, DAI, USD1, Global Dollar e PayPal USD.

Tether e USDC concentram 82% dos US$ 313 bilhões do segmento, e a RLUSD negocia a US$ 1,00, no mesmo patamar de oferta de um mês atrás.

O reconhecimento da moeda pela DFSA veio em 3 de junho de 2025, e as empresas licenciadas na zona já podiam operar com ela. A custódia por um banco da própria praça é a etapa seguinte, e o uso como garantia na LMAX segue sem data definida.

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