Tom Lee corta o alvo do ether pela metade e vê movimentos monstruosos
Tom Lee subiu ao palco do TOKEN2049, em Singapura, na sexta-feira, com dois recados. O primeiro é que este ciclo vai superar de longe todos os anteriores. O segundo é que o mercado ainda opera abaixo do que o momento comporta, e é por isso que ele espera movimentos nos preços que classificou como monstruosos. Lee não fala como observador. Ele preside a BitMine Immersion Technologies, dona de mais ether do que qualquer outra empresa do mundo, e ajudou a criar a Fundstrat, onde responde pela área de pesquisa.
Nesta quarta-feira, 14, o ether valia US$ 2.500 e o bitcoin girava perto de US$ 83 mil, praticamente os mesmos níveis do começo de outubro.
O corte de alvo saiu no mesmo palco. Em 30 de setembro, quando o ether rondava US$ 2.670, Lee tratou como conservador o alvo de US$ 10 mil defendido por Arthur Hayes para o encerramento do ano e disse que o ether veria preços bem acima disso em doze meses. Nove dias depois, em Singapura, cortou a projeção para US$ 5 mil. A cifra nova está amarrada ao bitcoin. Se ele chegar a US$ 100 mil, o ether deveria rondar US$ 7.500.
O alvo de ciclo desceu junto e saiu de uma cifra ilustrativa de US$ 62 mil para uma faixa de US$ 25 mil a US$ 50 mil por moeda. É o intervalo que ele vê para o pico desta alta.
O argumento dele para o ciclo maior começa por quem compra. Na leitura de Lee, as altas anteriores foram puxadas por dinheiro de pessoa física e terminaram quando esse dinheiro parou. Desta vez, quem constrói são instituições, e elas montam produtos de verdade sobre as redes, o que dá ao movimento uma base diferente. O mercado que pode migrar para trilhos tokenizados é o de ativos líquidos, que ele estimou em cerca de US$ 200 trilhões, contra algo entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões que rodam em rede hoje.
Ele usa duas ondas anteriores como comparação, a das ofertas iniciais de tokens, entre 2016 e 2017, e a dos colecionáveis digitais, entre 2019 e 2021.
A conta que o mercado faz
A escada de preços que a Polymarket mantém para o ether em 2026 mostra a distância entre a fala e o dinheiro. Nas apostas, a chance de a moeda bater US$ 3.000 antes de 31 de dezembro está em 41%. Para US$ 3.500, cai a 18%, e, para US$ 4.000, a 8%. O alvo que Lee repete está no dobro do preço desta quarta-feira. Do outro lado, 24% das apostas apontam para uma queda até US$ 2.000.
O recorde do ether é de US$ 4.946 e foi marcado há catorze meses. O preço desta quarta-feira está 49% abaixo dele, a mais de US$ 2.400 do topo.
Lee já errou nesse mesmo tipo de aposta. Ele projetou o ether entre US$ 10 mil e US$ 12 mil para dezembro de 2025 e, meses depois, apontou US$ 7 mil a US$ 9 mil para janeiro. Nenhuma das duas projeções se cumpriu, e a leitura dele para o ano passado ficou longe do que o mercado entregou, ainda que o ether tenha superado US$ 4.000 no meio do caminho.
Nas apostas de 2025, o ether não chegou a US$ 5.000 e a aposta terminou em zero. O alvo atual vence em 31 de dezembro, dois meses e meio à frente.
Onde ele põe o dinheiro
A BitMine tinha 6.028.946 ether em 11 de outubro, o que equivale a 4,9% das moedas em circulação, que a empresa calcula em 122,1 milhões. A companhia compra ether toda semana desde o meio do ano passado e afirma ter alcançado 99% da meta que declarou, de chegar a 5% da oferta, série que já foi detalhada quando a posição passou dos seis milhões. No registro mais recente, foram 12.532 moedas em sete dias.
Boa parte da reserva trabalha. Do total, 5,07 milhões estão em staking, cerca de 84% da posição, e a projeção de receita com esse bloco chega a US$ 336 milhões por ano.
O balanço chegava a US$ 16,2 bilhões no dia 11 de outubro, entre cripto, participações e US$ 612 milhões guardados em dinheiro e papéis negociáveis, além de 214 bitcoins. Entre as companhias de capital aberto, só a Strategy, que acumula bitcoin, mantém uma reserva maior.
No alvo de US$ 25 mil por moeda, a posição de ether da BitMine valeria cerca de US$ 151 bilhões. A US$ 50 mil, quase US$ 301 bilhões, contra US$ 15,3 bilhões no preço de 11 de outubro.
O recado às instituições
A parte mais dura da fala ficou para os bancos. Uma instituição financeira sem estratégia para ativos digitais, disse ele, corre o risco de terminar como a NCR e a MCI. As duas companhias dominaram seus mercados e perderam a transição seguinte, uma nas caixas registradoras diante dos computadores pessoais, a outra na ligação de longa distância diante do celular.
A BitMine afirmou que vai parar de comprar ether quando a fatia chegar a 5% da oferta. Sobre os 122,1 milhões que a companhia usa como base, faltavam pouco mais de 76 mil moedas para bater esse patamar.
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