A baleia de ZEC comprou o pico de quinta-feira e a posição já está no vermelho
Três dias antes da atualização que muda as regras do Zcash, um investidor sem nome montou uma exposição de US$ 14 milhões à moeda. O rastreamento da Lookonchain mostra a carteira transparente t1JJnA comprando 3.052 ZEC à vista, US$ 3,8 milhões com média de US$ 1.250 por moeda. Dali também vêm as duas contas da Hyperliquid, plataforma de derivativos, com outros 8.000 ZEC carregados com o dobro do dinheiro próprio. Por volta das 10h45 desta segunda-feira, o ZEC era negociado a US$ 1.275 na Hyperliquid, com ganho acima de 2% no dia.
A perda está concentrada na parte alavancada. As entradas médias das duas contas, de US$ 1.391,82 e de US$ 1.353,83, ficaram acima do preço atual. Com a cotação de agora, os 8.000 ZEC comprados com dinheiro emprestado acumulam perda de US$ 820 mil. Os 3.052 ZEC à vista, pagos a US$ 1.250, valem US$ 76 mil a mais do que custaram. No conjunto, a aposta está negativa em perto de US$ 745 mil.
A maior das contas foi montada na quinta-feira, quando o ZEC tocou US$ 1.400 na Hyperliquid e fechou o dia em US$ 1.224. Quem comprou naquele intervalo pagou o preço mais alto das últimas duas semanas e viu a cotação devolver 12% em poucas horas.
Onde fica a venda forçada
Na conta menor, a liquidação aconteceria a US$ 647,94. A outra só seria zerada a US$ 419,93. O preço teria de cair pela metade, ou mais, para a plataforma fechar as posições à força, o que deixa o dono atravessar um mês ruim sem ser obrigado a realizar o prejuízo. Manter essa estrutura custa dinheiro. O juro cobrado a cada hora para sustentar posições compradas na Hyperliquid está no piso de 0,00125%, o equivalente a uns US$ 3 mil por dia sobre os 8.000 ZEC.
O dinheiro grande está do outro lado
Entre as mil maiores contas da Hyperliquid, o ZEC aparece mais vendido do que comprado. O levantamento do rastreador ByKaranteli, que lê essas posições a cada cinco minutos, mostra US$ 147,8 milhões comprados e US$ 242,5 milhões vendidos nesta segunda-feira, com a maior aposta de queda perto de US$ 65 milhões. Ligeiramente abaixo do preço à vista, o contrato futuro sinaliza que a fila de compradores não é maior que a de vendedores. O investidor está no lado menor desse grupo.
O que muda no dia 5
A atualização que sustenta a compra entra no ar no dia 5 de novembro, no bloco 3.543.405. O Zcash passa a produzir um bloco a cada 25 segundos, em vez de 75, e desliga o Sprout, o primeiro sistema de pagamentos privados da rede. Quem guarda ZEC encontra o detalhamento nesta matéria de 21 de outubro.
Para o mercado de derivativos, a data carrega um risco conhecido. A expectativa que empurra o preço antes do anúncio costuma virar realização quando o anúncio se confirma. Uma posição com folga de 50% até a venda forçada foi montada para não depender do humor do dia.
O dinheiro dos fundos, por sua vez, voltou nas últimas duas semanas. Cerca de US$ 18 milhões entraram no ETF de Zcash da Grayscale na semana passada, depois de US$ 41 milhões na anterior, interrompendo uma sequência de três semanas de resgates que somaram US$ 143 milhões. O valor de mercado da moeda é de US$ 21,6 bilhões, o que a deixa como décima maior do setor, cerca de 25% abaixo do pico do fim de setembro.
Até aqui, a conta do investidor é a de quem prefere errar o momento a errar a direção. Ele comprou o topo de quinta, aceitou ver a posição alavancada afundar US$ 820 mil e manteve a liquidação a meio preço de distância. Se o ZEC subir depois do dia 5, a espera terá custado perto de US$ 90 mil por mês em juros, no piso atual. Caso não suba, a posição continua aberta, e a venda forçada segue longe.
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