No FOMO, 90% das carteiras saíram no prejuízo na Solana
Um levantamento da Bitquery acompanhou 829.539 carteiras com compras no FOMO, aplicativo de negociação social, na Solana, entre 13 de janeiro e 7 de outubro. Nove a cada dez fecharam no prejuízo depois de descontadas as taxas do app. A mediana gastou US$ 130 nas moedas e terminou com US$ 25 a menos.
No mesmo período, o FOMO ficou com US$ 40 milhões em taxas, o equivalente a meio centavo de dólar para cada dólar que os usuários movimentaram na rede. Em setembro, quando as carteiras que operavam pelo aplicativo já eram perto de dez vezes mais numerosas do que em junho, a arrecadação chegou a US$ 12,8 milhões em um único mês.
O RAX mostrou o roteiro
Uma moeda chamada RAX, criada na noite de 27 de agosto na Pump.fun, onde qualquer pessoa lança um token em minutos, atraiu milhares de usuários. A primeira compra pelo FOMO saiu 37 segundos depois do lançamento, e em uma hora cerca de 4.500 pessoas tinham comprado. O preço subiu perto de 76 vezes nos primeiros 40 minutos.
Quem entrou no começo ganhou. O comprador número 2.197 pagou US$ 24,50 e vendeu 18 minutos depois por US$ 14,66. Uma hora depois do topo, a moeda havia perdido 93% do valor.
Quem ganhou levou quase tudo
O dinheiro que sobrou ficou concentrado em poucas mãos. O 1% com melhor resultado levou 94% do ganho total do período. A proporção é de seis perdas parecidas para cada vitória de cinco dígitos ou mais.
Nas 2.200 moedas que atraíram mil compradores ou mais pelo aplicativo, os dez primeiros saíram com 71% de lucro sobre o valor aplicado. Quem entrou a partir do comprador 1.001 perdeu 11%, e esse grupo atrasado respondeu por sete em cada dez compradores dessas moedas. No conjunto inteiro, incluindo as moedas que nunca decolaram, até os dez primeiros ficaram 6% no vermelho.
A vantagem de chegar cedo aparece apenas em retrospecto. Nas moedas que fizeram sucesso, comprar na primeira hora rendeu 3% em média, e quem entrou a partir de um dia depois do lançamento perdeu 9%.
A taxa virou o jogo
Antes de descontar as cobranças do aplicativo, estavam no lucro 15% das carteiras. Depois, 10%. As taxas empurraram para baixo da linha d'água 32% das que estavam no azul.
A cobrança explica cerca de 10% do dinheiro perdido. O restante veio das próprias moedas, que caíram depois da compra. Para quem tinha lucro pequeno, a taxa do app podia consumir o ganho inteiro.
Até julho, a cobrança mais comum era de 95 centavos de dólar, valor fixo que pesava mais nas compras pequenas e chegava a 22% do valor em operações abaixo de US$ 10. Desde agosto, a taxa mais frequente caiu para 10 centavos. O aplicativo cobra na entrada e na saída da posição, então quem compra e vende paga duas vezes.
O que o estudo não afirma
A Bitquery mede carteiras. Pessoas não entram na conta, e o recorte é apenas a Solana. A unidade é a carteira que assinou uma compra pelo app, mesmo quando o dono fez outras operações com ela fora do aplicativo.
Moedas ainda na carteira no dia 7 de outubro foram avaliadas pelo preço médio do último dia, sem superar o que o token valeu naquela data, e valendo zero quando negociavam abaixo de US$ 1.000. Essa escolha muda o total. Com o preço do último dia sem teto, a perda somada do grupo cai para US$ 204 milhões. Na hipótese de as moedas não vendidas valerem zero, a cifra sobe a US$ 490 milhões. A conta principal do estudo fica em US$ 395 milhões.
A fatia de carteiras no lucro quase não se move com essas regras e fica na faixa de 9% a 12% em todas as contagens. Mesmo no recorte que considera só as posições encerradas, quando a fatia sobe para 21%, a maioria continua atrás.
Quem seguiu negociando perdeu menos com o tempo. Do terceiro mês em diante, a perda caiu para 7% do que foi gasto, contra 13% no mês de estreia. A conta, ainda assim, seguiu negativa.
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