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Washington aprova proposta de trégua e Teerã fala em concordância preliminar

A proposta que o chefe do Exército do Paquistão entregou ao governo iraniano nesta terça-feira recebeu o aval de Washington e uma concordância preliminar de Teerã, segundo a emissora israelense Channel 12. Nenhum dos dois governos confirmou o relato até o início da tarde desta terça, e o texto do entendimento não foi divulgado. Junto com o relato veio o primeiro contorno concreto da proposta. O Irã receberia os rendimentos de cerca de US$ 6 bilhões parados em bancos do Catar, sem acesso ao principal. Em troca, inspetores da agência nuclear das Nações Unidas fariam uma visita reservada a instalações iranianas, sem anúncio público.

Quem levou a proposta foi o marechal Asim Munir, comandante das Forças Armadas paquistanesas, que chegou ao Irã no início da noite local. É a quinta visita dele ao país desde o cessar-fogo de abril, o que dá a medida de quanto a mediação paquistanesa virou rotina sem produzir um acordo final. Munir estava acompanhado do ministro do Interior, Mohsin Naqvi, e a previsão era começar as conversas pelo chanceler Abbas Araghchi. O Catar aparece como o outro intermediário, e o noticiário árabe que primeiro trouxe o assunto, citando fontes, falou em aprovação preliminar dos dois lados sem entrar em detalhes.

O que a proposta entrega de concreto

O desenho descrito pelos relatos tem uma lógica simples. Em vez de liberar os US$ 6 bilhões, Washington entrega apenas o rendimento que o dinheiro produziu enquanto esteve parado. É uma concessão que custa menos ao Tesouro americano e permite a Teerã apresentar algum resultado a um país que chega ao oitavo mês de guerra e de bloqueio naval. A visita reservada dos inspetores segue a mesma receita. Dá aos Estados Unidos a verificação que o acordo anterior não conseguiu e deixa o anúncio fora do alcance da imprensa.

Para o Paquistão, o cálculo é outro. O país empresta a Munir o acesso que poucos intermediários têm a Washington e a Teerã, e ao mesmo tempo amplia a própria presença militar no Golfo por meio do acordo de defesa assinado com a Arábia Saudita e a Turquia em agosto. Para Andreas Krieg, professor do King's College de Londres, as duas funções se atropelam. A credibilidade do Paquistão como parte neutra, disse ele à rede Al Jazeera, vem sendo comprometida pelos compromissos de segurança com os sauditas.

A outra notícia do mesmo dia

No mesmo dia em que a imprensa israelense noticiou o aval à proposta, o Jerusalem Post trouxe outra versão dos mesmos fatos. Segundo o jornal, em ao menos um momento recente faltou pouco para que Washington autorizasse o bombardeio. O jornal ouviu várias fontes ligadas ao caso. O relato aparece uma semana depois da fala de Trump em Atlanta, onde ele respondeu a jornalistas que pediam detalhes sobre o Irã com um aviso de que era preciso esperar para ver o que os Estados Unidos fariam.

As duas notícias, lidas juntas, descrevem o mesmo método. A negociação corre em paralelo à preparação militar, e cada lado se apoia em uma delas para pressionar o outro. Trump prometeu em 8 de outubro, em publicação na própria rede social, que não haveria ataque antes da eleição legislativa de 3 de novembro. Dez dias depois, apoiou a reeleição de Benjamin Netanyahu e escreveu que, se Israel tivesse outro líder, os Estados Unidos teriam de fazer o trabalho sozinhos. Autoridades iranianas disseram à agência Reuters nesta terça que continuam contando com a retomada dos bombardeios, mais cedo ou mais tarde.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, esteve com Netanyahu na base de Ovda, no sul de Israel, na segunda-feira, em visita não anunciada, segundo o Axios. A conversa ocorreu em meio a discussões entre os dois países sobre a volta de operações de combate em larga escala.

Por que o petróleo recuou

O barril americano passou de US$ 101 pela primeira vez em um mês na abertura e devolveu o movimento ao longo do dia, recuando para perto de US$ 97. O Brent chegou a US$ 112 e recuou para a casa dos US$ 108. A queda não veio de demanda mais fraca nem de estoque maior. Veio da chance, ainda não confirmada, de que o prêmio de guerra embutido no preço diminua.

A conta que o mercado faz é direta. O Estreito de Ormuz continua fechado para boa parte do tráfego, o bloqueio naval americano segue de pé e o petróleo iraniano não voltou ao mercado. Um anúncio de acordo mexe com a expectativa. O fim das sanções mexe com a oferta. São coisas diferentes, e nesta terça o preço descontou a primeira.

Para quem acompanha cripto, o caminho continua indireto e passa pelo juro, como a matéria de segunda-feira mostrou. O barril na casa dos US$ 100 mantém a pressão sobre os preços nos Estados Unidos, onde a inflação em doze meses até setembro ficou em 3,7%, e reforça a aposta em juro alto por mais tempo. O bitcoin era negociado perto de US$ 82,4 mil no começo da tarde desta terça, sem movimento grande, ainda preso ao humor do mercado de risco.

O calendário eleitoral ajuda a explicar o ritmo das conversas. Israel vota em 27 de outubro e os Estados Unidos em 3 de novembro. Um porta-aviões adicional enviado ao Oriente Médio deve chegar no fim de novembro. Para Andreas Krieg, as duas votações estão entre os principais freios a uma guerra maior, e o risco cresce depois que elas passarem.

Até o início da tarde desta terça, nem o Departamento de Estado nem o Ministério das Relações Exteriores do Irã haviam se pronunciado sobre a proposta. O único número que se pode conferir foi o do barril, que devolveu em um dia parte do que havia ganhado na véspera.

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