A licença que a Bybit recebeu em Dubai deixa derivativos de fora
A Bybit obteve da VARA, a autoridade de ativos virtuais de Dubai, a licença plena de provedor de serviços para negociação à vista. O registro público da autoridade mostra a Bybit Fintech FZE com a licença ativa, sob a referência VL/26/10/003, autorizada a atender investidores de varejo, qualificados e institucionais. O anúncio foi feito pela empresa nesta quinta-feira, 22 de outubro.
O endereço registrado na licença fica no One Central, conjunto de escritórios ao lado do Dubai World Trade Centre, onde a empresa mantém a sede internacional desde 2022.
A licença cobre serviços de negociação e para aí. Derivativos, custódia, empréstimos e gestão de investimentos são atividades que a VARA autoriza em separado, e nenhuma delas entrou no pacote aprovado para a subsidiária de Dubai.
Dos 60 provedores com licença ativa no registro da autoridade, 17 podem oferecer serviços de negociação e apenas 5 têm o aval que inclui derivativos. A Bybit não está entre eles. Binance, OKX, Deribit e HashKey estão entre os que já operam com derivativos no emirado.
Uma lista de atividades menor que a dos rivais
Os derivativos têm peso grande no negócio global da Bybit, e a empresa quer trazê-los para Dubai. Peter Loo, que responde pela área jurídica e pelo compliance na plataforma, disse no comunicado que a expectativa é acrescentar derivativos à licença local quando houver aprovação regulatória.
A lista de Dubai também é mais curta que a da licença federal que a Bybit já usa no país. Em outubro de 2025, a empresa obteve da então autoridade de valores dos Emirados, a SCA, a licença federal de operador de plataforma, a primeira do tipo concedida a uma plataforma de cripto no país. Aquele aval permitia negociar, intermediar, custodiar e trocar por moeda fiduciária, com atendimento tanto ao varejo quanto a institucionais no território inteiro.
Três anos e quatro meses na fase preparatória
A Bybit anunciou em março de 2022 a mudança da sede global de Singapura para Dubai, junto com uma aprovação inicial para conduzir negócios com ativos virtuais no país. Em junho de 2023, a VARA concedeu à subsidiária a licença da fase preparatória, que, na descrição da própria empresa, ainda não permitia começar a operar no emirado.
Foram quase 40 meses nesse estágio. A licença federal veio em outubro de 2025. A licença plena da VARA saiu nesta quinta-feira, vale por 12 meses e passa por renovação anual, como as demais da autoridade.
Duas licenças e o mesmo mercado
A VARA regula a atividade com ativos virtuais em todo o emirado de Dubai, continente e zonas francas, fora o DIFC, o centro financeiro internacional que tem regulador próprio. Do outro lado está o órgão federal que licenciou a Bybit em 2025, a SCA, rebatizada Capital Market Authority em 1º de janeiro de 2026. Essa autoridade responde pelo restante do país.
Quem opera nas duas jurisdições costuma acumular as duas licenças, e a Bybit percorreu esse caminho em duas etapas. O aval federal veio primeiro. Depois, neste ano, a plataforma passou a oferecer pares de negociação em dirham e depósitos e saques por transferência bancária local. Os serviços foram anunciados sob a estrutura federal e já funcionavam antes da licença de Dubai.
A licença desta quinta-feira formaliza a presença da Bybit no emirado em que mantém a sede, sob o regulador local, com uma lista de produtos mais curta do que a que o grupo pode oferecer no resto do país. A operação nos Emirados já vinha pela via federal.
O tamanho da operação e o que falta
Nas 24 horas até a manhã desta quinta-feira, a plataforma movimentou o equivalente a cerca de US$ 2,2 bilhões em negociações à vista, no levantamento da CoinGecko. Nos contratos futuros, a posição aberta somava US$ 13,3 bilhões, menos da metade dos US$ 33,6 bilhões da Binance. A empresa contabiliza cinco aprovações regulatórias em 2026, em El Salvador, na África do Sul, na Indonésia, nas Ilhas Cayman e na União Europeia.
Fora dos Emirados, a expansão passa pela mesma lógica de licença local. No Brasil, a Bybit está entre as plataformas que declararam a intenção de pedir autorização ao Banco Central para operar como prestadora de serviços de ativos virtuais. O prazo de protocolo termina no dia 30 deste mês.
Em Dubai, a próxima etapa declarada é a licença de derivativos, concedida pela VARA em processo separado. A empresa não informou quando pretende pedir.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.